"Mozão do Brasil"
"Equilíbrio entre o romântico e o cafajeste": Filipe Bragança fala sobre viver astro do sertanejo em "Coração Acelerado"
A trama se passa no interior de Goiás e aborda o conflito entre carreira musical e vida pessoal do protagonista


Astro da música sertaneja que busca algo mais profundo fora dos palcos, João Raul é o papel que marca a estreia de Filipe Bragança como protagonista de uma novela. Em Coração Acelerado, novo folhetim da faixa das 19h que chega à tela da Globo na próxima segunda-feira (12), o ator de 24 anos vive um mocinho que enfrenta um dilema.
De um lado, está a imagem pública de João Raul, um hitmaker do sertanejo conhecido como “mozão do Brasil”; de outro, o conflito interno de um jovem artista que sempre sonhou em viver de música, mas sente que a carreira tomou rumos duvidosos. Contudo, preso à necessidade de cuidar do pai, Walmir (Antonio Calloni), viciado em apostas, João Raul se vê de mãos amarradas.
Durante a festa de lançamento da novela, realizada na quarta-feira (7), no Rio de Janeiro, Bragança conversou com a reportagem de Zero Hora e destacou que o personagem foge do arquétipo do galã unidimensional.
Segundo ele, trata-se de um mocinho construído a partir de contrastes: ao mesmo tempo em que é sensível, idealista e romântico, também carrega traços de sedução e vaidade típicos de um astro midiático.
— Ele é esse equilíbrio entre o romântico e o cafajeste, talvez. Mas, acima de tudo, é alguém em busca das próprias raízes — resume o ator.
O texto tem um cuidado enorme com a cultura local (Goiás), e isso me deixa muito feliz. Acho que os goianos vão se sentir orgulhosos.
FILIPE BRAGANÇA
Ator
Para dar vida a esse cantor sertanejo que domina as paradas e lota shows pelo país, Filipe mergulhou no universo do gênero musical mais ouvido pelos brasileiros. Ligado à música desde antes da televisão, ele conta que o maior desafio não foi soltar a voz, mas compreender as especificidades do sertanejo.
— Eu já sou cantor, então, o meu desafio foi realmente compreender esse gênero musical. Precisei estudar a música sertaneja, entender a essência e as complexidades musicais e vocais. É um universo muito mais complexo do que as pessoas imaginam — afirma.
Entre as referências que o ajudaram na construção do personagem estão nomes como Luan Santana, Gusttavo Lima, Gustavo Mioto e Luan Pereira, artistas que, segundo Bragança, traduzem diferentes facetas do sertanejo – do romantismo à lógica industrial do sucesso.
A construção do personagem, no entanto, não ficou restrita ao palco: passou também pela compreensão do impacto da fama na subjetividade de um artista.
— Como qualquer pessoa pública, ele tem duas personalidades. Não dá para ser exatamente quem você é na intimidade quando está sob os holofotes. Meu trabalho foi buscar a humanidade e o coração desse personagem, sem perder o fogo de estrela que ele precisa ter. O segredo tem sido encontrar esse equilíbrio — explica.
Além da dimensão artística, a novela aposta em um cenário pouco explorado pela teledramaturgia: Goiás. Filipe Bragança, que é goiano, destaca o cuidado da produção em retratar a região.
— Enquanto goiano, posso dizer que o nosso Estado está sendo muito bem representado, com dignidade e respeito. O texto tem um cuidado enorme com a cultura local, e isso me deixa muito feliz. Acho que os goianos vão se sentir orgulhosos — afirma.