Estrelas da Periferia
Músico fala sobre as dificuldades de ser artista independente na Capital
Vinícius Cerutti constrói canções que não pedem compreensão imediata, mas escuta.

Para Vinícius Cerutti Strömdahl, fazer música é um exercício de exposição, ainda que nem tudo precise ser explicado. Suas canções nascem de momentos específicos, de afetos, de rupturas e de pequenas histórias que, quando organizadas em som, ganham outra dimensão. Não se trata de ser compreendido, mas de conseguir dizer.
Desde cedo, a música atravessa sua vida. Aos sete anos, o violão entrou em cena quase como brincadeira, embalado por referências diversas que iam do metal ouvido com o pai à MPB apresentada pela avó, passando pelos sons da igreja que ele observava de perto, atento. Foi nesse ambiente múltiplo que o artista porto-alegrense começou a transformar curiosidade em linguagem, mesmo sem método ou pretensão de carreira.
Aos 26 anos, carrega na bagagem experiência em bandas, que hoje ele reconhece como fundamental não só para o amadurecimento musical, mas também pessoal, porém optou por seguir carreira solo, buscando mais autonomia criativa, embora reconheça que o processo coletivo oferece algo que o trabalho individual não alcança.
– O lado bom é que tem bastante autonomia, o lado ruim é que é muito melhor tu tocar com alguém. É como se fosse uma conversa, porque a música é uma linguagem, e são coisas que, assim, só músico consegue entender - ele reflete.
Entre trabalho, faculdade e criação artística, Vinícius encara os desafios de ser artista independente em Porto Alegre, onde as oportunidades existem, mas circulam, muitas vezes, dentro de bolhas. Ainda assim, ele segue compondo, lançando e insistindo porque, no fim, colocar para fora é terapêutico, além de necessário.
A relação com a linguagem atravessa toda a sua obra. Se antes o inglês aparecia pela sonoridade, hoje o português ocupa espaço central, explorado pela musicalidade das palavras, não pela obrigação da rima.
Vinícius não idealiza a figura do artista, reconhece que, hoje, criar exige disciplina, organização e, muitas vezes, uma renda paralela. Ainda assim, defende que ser artista é uma posição no mundo, não um título pretensioso. É fazer porque é impossível não fazer.
– A gente acaba tendo que ser mais do que só artista, então isso por si só já é um grande desafio, mas agora com faculdade e com trabalho fica muito difícil porque exige uma organização, exige dedicação - conta.
Com lançamentos previstos para 2026 e parcerias em andamento, ele segue apostando na persistência e na rede de apoio construída ao longo do caminho.
– Às vezes, para mim, ainda é um tabu falar sobre esse tipo de coisa. Tenho pensado que se é o que eu quero, eu não posso ter medo, sabe? Não tem porquê eu ter medo de algo que sempre foi a minha vida.
*Produção: Emily Barcellos
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