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Estrelas da Periferia

Músico fala sobre as dificuldades de ser artista independente na Capital 

Vinícius Cerutti constrói canções que não pedem compreensão imediata, mas escuta.

06/01/2026 - 14h58min


Daniel Gomes/Divulgação
Com influências do emo, grunge e indie, cantor aposta em riffs pesados com um balanço brasileiro

Para Vinícius Cerutti Strömdahl, fazer música é um exercício de exposição, ainda que nem tudo precise ser explicado. Suas canções nascem de momentos específicos, de afetos, de rupturas e de pequenas histórias que, quando organizadas em som, ganham outra dimensão. Não se trata de ser compreendido, mas de conseguir dizer.

Desde cedo, a música atravessa sua vida. Aos sete anos, o violão entrou em cena quase como brincadeira, embalado por referências diversas que iam do metal ouvido com o pai à MPB apresentada pela avó, passando pelos sons da igreja que ele observava de perto, atento. Foi nesse ambiente múltiplo que o artista porto-alegrense começou a transformar curiosidade em linguagem, mesmo sem método ou pretensão de carreira.

Aos 26 anos, carrega na bagagem experiência em bandas, que hoje ele reconhece como fundamental não só para o amadurecimento musical, mas também pessoal, porém optou por seguir carreira solo, buscando mais autonomia criativa, embora reconheça que o processo coletivo oferece algo que o trabalho individual não alcança.

– O lado bom é que tem bastante autonomia, o lado ruim é que é muito melhor tu tocar com alguém. É como se fosse uma conversa, porque a música é uma linguagem, e são coisas que, assim, só músico consegue entender - ele reflete.

Entre trabalho, faculdade e criação artística, Vinícius encara os desafios de ser artista independente em Porto Alegre, onde as oportunidades existem, mas circulam, muitas vezes, dentro de bolhas. Ainda assim, ele segue compondo, lançando e insistindo porque, no fim, colocar para fora é terapêutico, além de necessário.

A relação com a linguagem atravessa toda a sua obra. Se antes o inglês aparecia pela sonoridade, hoje o português ocupa espaço central, explorado pela musicalidade das palavras, não pela obrigação da rima.

Vinícius não idealiza a figura do artista, reconhece que, hoje, criar exige disciplina, organização e, muitas vezes, uma renda paralela. Ainda assim, defende que ser artista é uma posição no mundo, não um título pretensioso. É fazer porque é impossível não fazer.

– A gente acaba tendo que ser mais do que só artista, então isso por si só já é um grande desafio, mas agora com faculdade e com trabalho  fica muito difícil porque exige uma organização, exige dedicação - conta.

Com lançamentos previstos para 2026 e parcerias em andamento, ele segue apostando na persistência e na rede de apoio construída ao longo do caminho.

– Às vezes, para mim, ainda é um tabu falar sobre esse tipo de coisa. Tenho pensado que se é o que eu quero, eu não posso ter medo, sabe? Não tem porquê eu ter medo de algo que sempre foi a minha vida.

*Produção: Emily Barcellos

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