Noveleiros
Thiago Lacerda se apresenta em Canoas e reforça ligação com o Rio Grande do Sul: "Tenho orgulho dessa conexão"
Ator estará no Teatro do Sesc com textos de Carlos Drummond de Andrade


Quando se pesquisa o nome dele no Google, a primeira pergunta a aparecer é: “Thiago Lacerda é gaúcho?”. A dúvida não é à toa, afinal, o ator, carioca de nascimento, tem uma forte ligação com o RS, tanto pessoal quanto profissional. Na televisão e no cinema, já interpretou figuras icônicas da história e da cultura gaúcha: Giuseppe Garibaldi, na minissérie A Casa das Sete Mulheres (2003), Capitão Rodrigo Cambará, no filme O Tempo e o Vento (2013) e, mais recentemente, rodou o longa Porongos, no qual interpreta Bento Gonçalves. Dono de uma estância em Aceguá, cultiva o hábito de tomar chimarrão e se sente em casa cada vez que visita o Estado. O novo encontro com o público gaúcho ocorre hoje, no Teatro do Sesc, em Canoas, com o espetáculo O Amor Natural, uma proposta cênica que une teatro e literatura a partir dos poemas do livro homônimo de Carlos Drummond de Andrade.
Em bate-papo, Thiago reforça seu carinho pelo Rio Grande do Sul, fala sobre a importância de levar grandes autores ao palco e relembra Terra Nostra (1999), novela que o consagrou e cuja reprise está no ar na Edição Especial da TV Globo.
Você já encenou monólogos de Shakespeare e, agora, recita Drummond no palco. Qual é a importância de levar para o grande público textos desses mestres da literatura?
Em primeiro lugar, é um prazer e um privilégio imenso poder seguir levando esses textos tão importantes por mais tempo e para mais pessoas, para mais plateias. Somada a minha experiência, a minha trajetória com Shakespeare, a gente tem agora essa jornada com o Drummond, com O Amor Natural. Tem sido surpreendente a forma como o público descobre o poeta de uma outra maneira, como percebe a carne da poesia nessa confissão, nesse ato de coragem e de liberdade que é a leitura de O Amor Natural. Então, quando eu penso no Drummond, quando eu penso no Shakespeare, eu realmente fico orgulhoso e sinto que essas escolhas fazem muito sentido. De uma certa maneira, é um envolvimento pessoal em torno dos clássicos, da grande literatura e das histórias que a gente não pode nunca deixar de contar.

Você não esconde essa forte ligação com o RS e é considerado um “cariúcho”. O que o contato com o povo e a cultura gaúcha agregaram na sua vida nos últimos anos?
Minha ligação com o Estado e com as pessoas daqui desse cantinho do Brasil é antiga e é bastante forte. Uma conexão que se estabeleceu há muito tempo através dos meus personagens, das histórias que eu contei ao longo da minha carreira e que sigo contando. A maneira como eu me aproximei da cultura do Estado, da história dessa gente, desse lugar, foi muito bonita, muito verdadeira, muito natural. Eu tenho orgulho dessa conexão, eu me sinto muitíssimo bem recebido quando venho ao Estado e existe um respeito, um carinho recíproco, é um prazer imenso poder, nessa profissão que a gente tem, estabelecer uma conexão tão forte como essa que eu tenho aqui com o povo do Rio Grande.

Terra Nostra, seu primeiro grande trabalho na televisão, vem sendo reprisada na Edição Especial. Quais são as lembranças mais especiais que você guarda daquela época?
A novela foi um momento muito especial na minha vida, na minha carreira, transformou tudo ao meu redor. Guardo muitas lembranças, guardo a sensação de estar, de forma consciente, vivendo um momento muito especial da minha vida. Guardo a relação com os atores, com os técnicos, com os profissionais que faziam parte daquela jornada. Guardo a memória do dia do teste, quando eu fiquei sabendo que faria a novela. Guardo na memória um encontro especial em cena na minha carreira com a Ana Paula (Arósio, intérprete de Giuliana), guardo a jornada do Matteo, um personagem lindo que eu tive o prazer de poder defender. São muitas lembranças... Guardo o sucesso impressionante que a novela fez. E, com a reprise, eu tô tendo a oportunidade de vivenciar novamente essa experiência da novela. Como a novela é realmente interessante, boa. As gerações que não assistiram, estão vendo agora e estão gostando. Pessoas que viram estão revendo, e é tão bonito poder ver que um trabalho foi guardado nesse lugar, sabe? Um trabalho perene de emocionar as pessoas e ser companhia, através de boas histórias.

Depois de Giuseppe Garibaldi, Capitão Rodrigo e Bento Gonçalves, que outro personagem da cultura ou da história do Rio Grande do Sul você sonha em interpretar?
Bom, na verdade é uma trinca, né? Essa aí é uma grande trinca. Certamente existem mais personagens por fazer, personagens que eu gostaria, mas não é exatamente uma preocupação que eu tenho, ficar pensando em qual é o próximo personagem. Se tiver que acontecer, vai acontecer naturalmente, mas certamente existem mais personagens ligados à história do Rio Grande do Sul que eu teria vontade de fazer e que certamente vão chegar para mim, se for para chegar. Então, eu acho que é isso, eu tô bastante feliz, sou bastante feliz com a trinca já realizada.