Entretenimento



Entrevista

Alanis Guillen fala sobre a importância de sua personagem em "Três Graças": "Precisamos normalizar o amor"

Atriz de 27 anos que vem chamando a atenção do público por sua atuação como Lorena na novela das nove da Globo

31/03/2026 - 12h21min


Michele Vaz Pradella
Michele Vaz Pradella
Enviar E-mail
Dani Toviansky/TV Globo
Alanis está no horário nobre pela terceira vez em quatro anos

Ela estreou na telinha nos finais de tarde, como a protagonista Rita em Malhação: Toda Forma de Amar (2019), na última temporada da novelinha adolescente. Depois disso, Alanis Guillen fincou os pés no horário nobre, e já está em sua terceira novela neste turno. Se Juma Marruá, no remake de Pantanal (2022), vivia repetindo “eu quero ir embora”, Alanis chegou pra ficar e, aos 27 anos, faz história na teledramaturgia ao formar par romântico com Gabriela Medvedovski em Três Graças, com cenas de beijos sem cortes ou desfoques, noites de amor e uma história que lava a alma de muitos casais de mulheres que até então não se sentiam representadas na teledramaturgia. Em entrevista, Alanis fala sobre o sucesso de Lorena e Juquinha, reencontros em cena e como a homofobia e o machismo seguem arraigados na sociedade. 

Em Três Graças, você contracena com antigos parceiros de cena como Pedro Novaes e Murilo Benício. Como foi esse reencontro?

É muito especial poder reencontrar amigos e contracenar com parceiros de cena que fazem parte da nossa trajetória. É bonito perceber a evolução que temos como artistas e como todo o estudo e o trabalho individual de cada um se fortalecem quando estamos juntos em cena. 

Estevam Avellar/TV Globo
Com Pedro Novaes em "Malhação: Toda Forma de Amar"

Lorena sempre bateu de frente com o pai, principalmente no que diz respeito ao machismo. Na vida real, como você lida com pessoas que insistem em discursos retrógrados como os de Ferette?

Precisamos enfrentar essa realidade e responder com firmeza aos discursos machistas e misóginos. É fundamental que haja respeito em todas as relações. Eu sou uma pessoa que valoriza profundamente a qualidade dos vínculos, dos afetos, e acredito muito na empatia e na generosidade que devemos ter uns com os outros. O respeito precisa ser a base que orienta a convivência entre as pessoas. E, quando há respeito, naturalmente nasce também a admiração. Por isso, faço sempre um movimento consciente para contribuir com um mundo mais respeitoso, mais cuidadoso e mais justo, especialmente com as mulheres e com a forma como ainda somos tantas vezes agredidas e desrespeitadas. 

Jorge Bispo/Divulgação
"Precisamos enfrentar essa realidade e responder com firmeza aos discursos machistas e misóginos"

Este é seu terceiro trabalho no horário nobre, e a repercussão tem sido maior até do que quando você viveu Juma em Pantanal. Esperava por esse sucesso todo?

São novelas muito diferentes, com personagens encantadores. Cada uma delas tem a sua espinha dorsal, suas delícias e também suas dores. No caso da Lorena, esse sucesso acontece porque estamos falando de temas reais, tratados com verdade. É muito importante colocar esses assuntos em pauta. Falar do amor em sua forma mais livre e chegar cada vez mais à casa das pessoas, abrindo diálogos necessários sobre o afeto entre pessoas do mesmo sexo e sobre os afetos de maneira mais ampla. 

João Miguel Júnior/TV Globo
Como Juma Marruá em "Pantanal"

O casal “Loquinha” foi abraçado de forma apaixonada pelo público, com direito a fã-clubes e uma repercussão que já movimentava as redes sociais antes mesmo das duas se conhecerem. A que você credita esse sucesso todo?

Esse sucesso vem muito da verdade com que tratamos esse tema e do fato de que, agora, muitas pessoas conseguem se enxergar nesses personagens. Existe um grupo de pessoas que ama, que vive, que constrói suas histórias e que também deseja se ver representado. É muito bonito poder dar voz a essas histórias e representar pessoas que, durante muito tempo, talvez não tenham se visto na televisão ou na ficção.

Três Graças tem mostrado os casais LGBT+ de forma inédita e sem cortes. Como você avalia a abordagem dessas temáticas na teledramaturgia atual e o que ainda falta ser alcançado na questão da representatividade?

É fundamental, nos dias de hoje, falarmos sobre temas contemporâneos. Tenho dito cada vez mais isso nas minhas entrevistas e também nas conversas com amigos e colegas de profissão: precisamos falar de assuntos reais, com verdade. A arte tem esse papel de representar e de ser espelho da sociedade, para que as pessoas possam se enxergar, se reconhecer, se analisar e também aprender a se amar e a se respeitar. Por isso, é tão importante trazer esses temas à tona e levá-los para os quatro cantos do nosso país, alcançando lugares onde, muitas vezes, essas conversas talvez não chegassem. Quando percebemos que essas histórias estão abrindo diálogo e tocando as pessoas, surge também uma sensação muito bonita de dever cumprido. 

Jorge Bispo/Divulgação
Atriz acha fundamental abrir o diálogo para certos assuntos

Você e Gabriela Medvedovski parecem muito amigas nos bastidores, e isso tem refletido na sintonia das personagens. Como tem sido a troca? O que têm em comum além do fato de ambas terem estreado na TV como protagonistas de Malhação?

Eu e a Gabi temos uma troca muito bonita, baseada em amizade e em um grande respeito pelas atrizes que somos e pelas personagens que interpretamos. Construímos uma intimidade dentro e fora de cena que aconteceu de forma muito natural. Isso acabou sendo muito rico para a história que estamos contando, porque essa conexão verdadeira entre nós também se reflete na tela e fortalece ainda mais a relação entre as personagens. 

TV Globo/Reprodução
Casal "Loquinha" tem uma legião de fãs apaixonados

As cenas de Lorena sendo expulsa de casa e, posteriormente, ouvindo palavras duras do pai repercutiram muito com o público. Você chegou a receber mensagens de pessoas que passaram por situações parecidas? 

Depois dessa cena, recebi muitas mensagens de pessoas que passaram por situações semelhantes. Isso mostra como retratar a verdade com verdade na dramaturgia e na telenovela é algo muito importante, porque nos permite amplificar essas vozes e trazer à tona histórias que muitas vezes ficam silenciadas. Também é uma forma de lembrar as pessoas da importância de cuidarmos uns dos outros , de quem vive na mesma casa, na mesma família, na mesma comunidade. A arte tem esse poder de iluminar lugares que, muitas vezes, estão escurecidos ou adormecidos. 

Você já viveu ou presenciou cenas de homofobia na vida real? Como lida com isso?

A homofobia e as situações de preconceito ainda estão presentes no cotidiano de muitas pessoas, no Brasil e no mundo. Por isso, é muito importante que possamos conversar abertamente sobre esse assunto e ajudar a desmistificá-lo. Quando falamos de amor, falamos de encontros, de trocas entre pessoas, de afeto e de verdade. Mais do que discutir gênero, precisamos olhar para a humanidade que existe nessas relações e para o direito que todos têm de viver seus afetos com liberdade e respeito. _


MAIS SOBRE

Últimas Notícias