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A volta de Carminha

"Avenida Brasil": cinco motivos que fizeram a novela conquistar o país

Trama de João Emanuel Carneiro está de volta ao "Vale a Pena Ver de Novo" na próxima segunda-feira (30)

26/03/2026 - 10h57min


Michele Vaz Pradella
Michele Vaz Pradella
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João Cotta/TV Globo/Divulgação
Folhetim foi exibido em 2012, mas já passou no "Vale a Pena Ver de Novo".

Uma das novelas mais queridas e lembradas dos últimos anos está de volta, Avenida Brasil está de volta ao Vale a Pena Ver de Novo a partir da próxima segunda-feira (30). 

A trama de Emanuel Carneiro que irá substituir Rainha da Sucata, já foi reapresentada entre 2019 e 2020, para a alegria dos fãs.

Mas afinal, o que diferencia essa história de outras tantas que foram ao ar nos últimos anos? A seguir, confira cinco motivos que fizeram da turma do Divino a queridinha do público

Elenco

Adriana Esteves e Débora Falabella deram um show como Carminha e Nina, mas não fizeram a festa sozinhas. José de Abreu, irreconhecível e hilário como Nilo, a doce e forte mãe Lucinda de Vera Holtz, a sintonia de Marcos Caruso e Eliane Giardini como o dissonante casal Leleco e Muricy.  

João Miguel Junior/TV Globo/Divulgação
Mel Maia emocionou o Brasil como Ritinha.

Entre os coadjuvantes que roubaram a cena, estão Isis Valverde como Suelen, e a divertidíssima Cacau Protásio, que no improviso "eu quero ver cê me chamar de amendoim" fez sua Zezé crescer e aparecer na história. Sem esquecer de Mel Maia, na época com apenas oito anos, mas um talento gigantesco. Em poucos capítulos como Ritinha, a atriz mirim emocionou e conquistou o país. 

Chuva de memes  

Reprodução/Reprodução
Novela gerou muitas montagens na época em que foi exibida.

Antes da internet, o que mais chamava a atenção do público noveleiro eram os bordões, que caíam na boca do povo e se multiplicavam pelas ruas. Com Avenida Brasil, a grande febre foram os memes, compartilhados à exaustão através das então inovadoras redes sociais. 

Carminha e Nina povoaram as timelines dos internautas com suas caras, bocas e frases de efeito. O filtro com as luzes da cidade ao fundo e a foto principal em preto e branco também virou mania.

Se antes o sucesso virtual foi tamanho, a nova exibição promete novos memes, além dos já consagrados com as hashtags #oioioi, #culpadarita, entre outros.

Reviravoltas  

Renato Rocha Miranda/TV Globo/Divulgação
Carminha (Adriana Esteves) e Rita (Débora Falabella) tiveram reviravoltas na trama.

O grande trunfo de João Emanuel Carneiro na trama foi a inversão de papéis ao longo da história. Carminha, que começou como uma verdadeira "bruxa má" na vida de Rita, provou do próprio veneno anos depois, com a vingança da ex-enteada, agora na pele de Nina. A mocinha teve atitudes de vilã, cometeu vários crimes em nome do que chamava de "justiça" e muitas vezes colocou o ódio à frente do amor.  

Carminha teve seus dias de vítima, foi ao fundo do poço, retornou, deu a volta na inimiga, virou o jogo, mas também mostrou seu lado humano, com fragilidades e pontos fracos. No caso dela, era o amor pelo filho, Jorginho (Cauã Reymond). 

Aliás, esse também era o "calcanhar de Aquiles" de Nina, apaixonada pelo rapaz desde a infância. Nesse jogo de gato e rato, não houve vencedora. Poucas vezes uma novela fez o telespectador ficar na dúvida sobre sua torcida.  

Tragicomédia  

Alex Carvalho/TV Globo/Divulgação
Eliane Giardini e Marcos Caruso em cena da novela.

Os embates de Carminha e Nina tiveram cenas pesadas, até mesmo assustadoras. Em sequências dignas de filmes de terror, o público prendia o fôlego e só respirava quando entrava no ar alguma sequência divertida. 

O chamado "alívio cômico" foi sabiamente usado pelo autor, que tirava da cartola algum momento bizarro da família de Tufão (Murilo Benício). 

O troca-troca de casais entre Muricy, Leleco, Adauto (Juliano Cazarré) e Tessália (Débora Nascimento), as confusões da turma do Divino, ou as peripécias de Cadinho (Alexandre Borges) e suas três famílias. Drama, suspense, comédia, crítica social, romance, estava tudo ali, misturado num caldeirão de sucesso.  

Identificação  

Renato Rocha Miranda/TV Globo/Divulgação
Vera Holtz interpretou mãe Lucinda na trama.

Analisando os pontos fortes e fracos de Avenida Brasil, talvez o grande mérito da novela tenha sido o fato de dar protagonismo a tipos que, geralmente, são meros coadjuvantes. O subúrbio foi alçado ao posto de cenário principal, com pessoas e situações que costumam orbitar por suas ruas movimentadas. 

O bairro do Divino, apesar de fictício, poderia ser uma periferia como qualquer outra, onde boa parte dos brasileiros mora, estuda e trabalha. Por se enxergar na telinha, o público se sentiu parte da história, torceu com mais afinco por seus personagens favoritos e sofreu com dramas que poderiam ser os seus.  

Ao fazer de um lixão o cenário de uma trama de amor e vingança, João Emanuel Carneiro quebrou importantes barreiras. 

Se antes o público se via distante do glamour do Leblon de Manoel Carlos ou das terras estrangeiras de Gloria Perez, em Avenida Brasil foi mostrado o Brasil como ele realmente é: com a cara, os trejeitos, a gritaria, as confusões, o povo trabalhador e a simplicidade da periferia. 

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