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Melhor novela 

"Avenida Brasil" ganha sua segunda reprise a partir de hoje, no "Vale a Pena Ver de Novo"

Sucesso inegável da teledramaturgia, a história de João Emanuel Carneiro segue viva na memória afetiva do público

30/03/2026 - 10h44min


Michele Vaz Pradella
Michele Vaz Pradella
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Estevam Avellar/TV Globo/Divulgação
Carminha (Adriana Esteves) e Nina (Debora Falabella).

"Oi, oi, oi...". Quando essa música toca, todo mundo é transportado para 2012, quando Carminha (Adriana Esteves) e Nina (Debora Falabella) protagonizavam uma das melhores rivalidades da teledramaturgia. Avenida Brasil pode ser considerada, sem exagero, a melhor novela dos últimos anos, uma história que figura na memória afetiva do público até hoje, com uma profusão de memes, cenas memoráveis e personagens inesquecíveis.

A trama de João Emanuel Carneiro tem, logo no primeiro capítulo, sequências eletrizantes. Com a morte de Genésio (Tony Ramos), a pequena Rita (Mel Maia) fica nas mãos da madrasta, Carminha, mas por pouco tempo. Com a ajuda do amante Max (Marcello Novaes), a megera abandona a menina em um lixão, e o sofrimento da criança deixa os telespectadores de coração partido. Tudo isso é necessário para que, anos depois, uma história de ódio e vingança comece a se desenrolar.

"Culpa da Rrrrrita"

Carminha não é uma vilã qualquer, e muito se deve ao talento de Adriana Esteves que, com sua atuação eletrizante, fez com que o público amasse odiar a loira má. Ela abandonou uma criança no lixão? Sim. Casou com Tufão (Murilo Benício) por interesse? Sim. Faz bullying com a própria filha, Ágata (Karol Lannes)? Sim. 

A megera é capaz de tudo isso e muito mais, mas é impossível torcer contra ela. Engraçada, irônica e manipuladora, Carmen Lúcia manteve sua pose de esposa amorosa e benfeitora até a chegada de Nina. 

Sem imaginar que a nova empregada era a menina que maltratou no passado, Carminha cai na armadilha da ex-enteada, tenta virar o jogo, mas passa por momentos de pura humilhação, com direito ao já clássico "me serve, vadia!". O jogo de gato e rato, com as duas alternando entre caça e caçadora, segurou a atenção de todo mundo até o final. E que final!

Vingativa

João Emanuel Carneiro subverteu o estereótipo da mocinha passiva e sofredora. Nina, com uma atuação brilhante de Debora Falabella, não tinha limites em seus planos contra Carminha. Roubou, mentiu, chantageou, e até colocou em risco seu amor por Jorginho (Cauã Reymond), tudo para fazer a vilã pagar por todo o mal que lhe fez. Podemos dizer que, desde Nina, as mocinhas de novela nunca mais foram as mesmas. 

De lá para cá, personagens dúbias, capazes de cometer crimes – ainda que com boas intenções – e sem ficarem esperando por seus príncipes encantados tomaram conta das novelas. O melhor exemplo disso é Gerluce (Sophie Charlotte), em Três Graças, que mesmo roubando dos vilões ricos para salvar a vida dos pobres, pode ser considerada uma criminosa.

Capítulo 100

Desde Avenida Brasil, o centésimo capítulo das tramas sempre promete reviravoltas, cenas impactantes ou revelações. Porém, nada supera o momento em que Carminha descobre que Nina é Rita, entra em surto, toma um porre ("toca pro inferno, motorista") e vai parar, quem diria, no lixão. A partir daí, a megera tenta acabar com a rival, chegando a enterrá-la viva, apenas mais uma das cenas de arrepiar que marcaram a trama.

Nina se salva e começa um jogo perigoso, fazendo Carminha de empregada, obrigando-a cortar e pintar os longos cabelos, entre outras humilhações. O Brasil parou para acompanhar essas sequências, e até hoje, nenhuma trama conseguiu ter o mesmo impacto.

Ladrões de cena

Enquanto Nina e Rita se digladiavam, outros personagens também tinham seus momentos de brilhar. Isis Valverde, até então conhecida por interpretar mocinhas clássicas, impressionou ao exibir as curvas e o jeito sedutor de Suelen. A periguete deixou metade do Divino a seus pés, e em uma das cenas mais emblemáticas, ficou nua no meio de um treino do Divino Futebol Clube.

Irreconhecível como Nilo, José de Abreu chegou a povoar os pesadelos do público com sua risadinha característica e maldades que fazia com as crianças do lixão. Na contramão dele, Lucinda (Vera Holtz) agia como uma verdadeira mãe para os pequenos que acolhia no local e, no passado, foi fundamental na vida de Nina e Jorginho.

Então estreante, Cacau Protásio surpreendeu até os colegas de cena quando sua personagem, Zezé, cantava e dançava "eu quero ver tu me chamar de amendoim". A partir dali, a empregada passou a ter mais espaço na história, em uma divertida dobradinha com Carminha.

Avenida Brasil foi a primeira novela de grande repercussão também na internet, isso na época em que as redes sociais ainda não tinham o alcance de hoje. Mesmo assim, memes, trechos de cenas, montagens e até sites que ensinavam a fazer o clássico congelamento com fundo colorido desfocado divertiram os fãs da trama. E, falando em tecnologia, até hoje muita gente se pergunta: por que Nina não usou um pendrive para guardar as provas contra Carminha?

Audiência

O fenômeno popular se refletiu nos números de audiência. Com média geral de 39 pontos, Avenida Brasil chegou ao recorde de 52 pontos, no último capítulo. O desfecho da novela, literalmente, parou o Brasil. Eventos marcados para 19 de outubro de 2012 foram cancelados, shoppings e ruas ficaram vazios e bares exibiram o capítulo final em telões, em clima digno de Copa do Mundo. 

O Jornal Nacional e o Globo Repórter daquele dia mostraram a expectativa dos telespectadores e as reações aos minutos finais da trama.

Carminha, Nina e tantos outros deixaram saudade, mas não por muito tempo. Em 2019, foi ao ar a primeira reprise, no Vale a Pena Ver de Novo, e novamente alcançou ótimos índices de audiência, desta vez no horário da tarde, superando títulos como Alma Gêmea e Chocolate com Pimenta. Também é sucesso no streaming, como uma das novelas mais assistidas no Globoplay. A história de João Emanuel Carneiro lidera o ranking de produções brasileiras mais exportadas, sendo vendida para 148 países.


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