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Entrevista

"Não tem tristeza quando se está em uma roda de samba", diz Diogo Nogueira, que traz turnê comemorativa a Porto Alegre

"Infinito Samba" celebra os 20 anos de carreira do artista, que se apresenta nesta sexta-feira no Auditório Araújo Vianna

19/03/2026 - 15h33min


Breno Bauer*
Breno Bauer*
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Priscila Prade/Divulgação
Importantes no início da carreira, as rodas de samba seguem tendo um lugar especial para o cantor.

Um dos maiores nomes do samba na atualidade, Diogo Nogueira volta a Porto Alegre para celebrar os 20 anos de carreira com a turnê Infinito Samba. O show ocorre nesta sexta-feira (20), às 21h, no Auditório Araújo Vianna. Os ingressos estão disponíveis no Sympla.

Com direção artística do cineasta Rafael Dragaud, o cantor promete um espetáculo à altura da comemoração, com forte apelo visual e cenográfico. O repertório reúne clássicos da carreira e também outras novidades na voz do artista.

— Tento sempre trazer a essência das rodas de samba nos meus shows, um retorno as minhas raízes e no Infinito Samba não será diferente. Vocês terão que assistir para conferir — destaca. 

Importantes no início da carreira, as rodas de samba seguem tendo um lugar especial para o cantor. É nelas que acontece o que Diogo chama de renovação do gênero: "com o pé na tradição, mas olhando para o futuro".

— As rodas de samba são um espaço democrático, patrimônio cultural. Não tem tristeza quando se está em uma roda de samba. Elas são de extrema importância para a formação de novos sambistas e para a popularização do gênero entre as novas gerações — afirma. 

Uma herança chamada samba

O samba é profundamente enraizado na família de Diogo, hoje com 44 anos. Filho de João Nogueira, um dos grandes nomes do gênero no Brasil, ele cresceu cercado por música. O pai, por sua vez, também presenciava em casa as visitas de mestres do samba a João Batista Nogueira, avô de Diogo — outro personagem importante na construção e valorização do gênero no país.

Eu sou o elo entre o samba de ontem, do meu avô e do meu pai, e também entre o samba do presente e o do futuro, que continuará com a geração do meu filho, Davi — declara. — O samba tem origem nos terreiros, como força de cura e de libertação, e se perpetua por gerações. Ele é infinito e nunca o deixarei morrer — completa.

Priscila Prade/Divulgação
Diogo começou sua carreira nas rodas de samba do Rio de Janeiro.

Embora tenha nascido em um berço do samba, Diogo tentou seguir um caminho completamente oposto ao esperado: o de jogador de futebol. Em solo gaúcho, chegou a competir pelo Cruzeiro de Porto Alegre. Foi nesse período que conheceu a capital gaúcha e desenvolveu carinho pelos gaúchos e pelo churrasco. 

No entanto, uma lesão no joelho o impediu de seguir na carreira com a bola e o recolocou no caminho da música.

— Quando jogava futebol, não cantava. Tentava fugir um pouco desse futuro que já estava traçado para mim — lembra. 

Afastado dos campos e de volta ao Rio de Janeiro, o compositor conta que foi descobrindo de forma natural a voz marcante – hoje uma de suas principais assinaturas. Segundo ele, amigos já diziam que o cantor levava “jeito para a coisa”. O trabalho mais cuidadoso com a voz, porém, só veio quando a carreira profissional começou a se consolidar:

— Descobri que, pelo jeito, as pessoas iam com a minha voz e com a minha cara nas rodas de samba de que participava, pelo Rio de Janeiro. A coisa foi dando tão certo que, quando percebi, já estava com uma banda montada e com um início de agenda de shows. 

*Com orientação e supervisão dos jornalistas Alexandre Rodrigues e Lou Cardoso

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