Entrevista
Eduardo Moscovis estrela monólogo que é uma reflexão sobre a violência em sociedade
Ator se apresenta hoje e amanhã no Teatro Simões Lopes Neto


Depois de conquistar crítica e público em importantes palcos do Sudeste e de ser reconhecido com o Prêmio Shell, um dos mais importantes do teatro brasileiro, o monólogo O Motociclista no Globo da Morte chega pela primeira vez a Porto Alegre. Protagonizado por Eduardo Moscovis, o espetáculo integra a programação do 20º Festival Palco Giratório Sesc, com apresentações no Teatro Simões Lopes Neto, hoje e amanhã, às 20h.
Sozinho em cena, Eduardo levanta uma questão atual e perturbadora: o que leva uma pessoa aparentemente pacífica a cometer um ato de extrema violência? Em tempos de polarização e com uma escalada de crimes que povoam os noticiários, o monólogo faz pensar sobre as diversas nuances do comportamento humano.
– O texto do Leonardo (Netto, autor da peça) propõe uma reflexão sobre como estamos vivendo tempos tão violentos a partir de um dia comum na vida de um personagem comum. A narrativa vai nos envolvendo justamente por nos aproximar desse personagem e dos personagens que interagem com ele. Já era um assunto que me interessava e, pela qualidade do texto, resolvi produzir e atuar – conta Eduardo.

No palco, o ator de 57 anos dá vida a Antonio, um matemático metódico e avesso a conflitos, cuja rotina é abruptamente atravessada por um episódio que desencadeia uma espiral de tensão e reflexão. Ao narrar os acontecimentos ao público, o personagem costura uma investigação sensível e perturbadora sobre as múltiplas faces da violência na vida em sociedade. Eduardo avalia que a peça se entrelaça com a atualidade, e faz da plateia testemunha ocular dos fatos relatados pelo personagem. É como se o público se tornasse, ao mesmo tempo, espectador e cúmplice da tragédia:
– O público acompanha a história de Antônio, um sujeito pacato, avesso a discussões e a qualquer tipo de violência, mas nessa ocasião ele se vê enredado e para grande surpresa dele acaba se envolvendo num conflito.
O ator ressalta que o monólogo pode servir para que o público encare seus próprios monstros interiores, afinal, todos nós somos agentes e vítimas de pequenas violências diárias:
– A proposta da peça é justamente essa: levar o público a repensar seus comportamentos.
A experiência solitária do monólogo é oposta ao trabalho anterior de Eduardo Moscovis, que há poucas semanas se despediu da novela Três Graças, na qual interpretava Rogério. Se na peça ele é um agente da violência, na trama de Aguinaldo Silva, Virgílio Silva e Zé Dassilva seu personagem foi vítima de armações e atentados perpetrados pelos vilões Arminda (Grazi Massafera) e Ferette (Murilo Benício).
– São dois processos de criação absolutamente distintos – descreve Eduardo, ao comparar as experiências na televisão e no teatro.
E, quando o assunto é violência, é impossível não lembrar do personagem mais cruel da carreira de Eduardo Moscovis. Na primeira temporada da série Bom Dia, Verônica, da Netflix, o ator interpretou o terrível Brandão. O artista considera esse um personagem desafiador, mas diz que adorou fazer.
Nas novelas, Eduardo conquistou o público principalmente por seus personagens de bom coração, como o Nando, de Por Amor (1997) e Rafael, em Alma Gêmea (2005). Mas há um que até hoje tem um lugar especial na memória afetiva dos telespectadores.
– As pessoas falam muito de O Cravo e a Rosa – conta o ator, lembrando a trama na qual viveu o adorável Petruchio, em 2000.
