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"Eu senti que aquela música faria barulho": cantor de Taquara, Ruan Victor fala sobre hit viral “Peraí” 

Parceria com Augusto Dávila levou artista a um novo momento da carreira, ampliando projeção nacional e alcance nas plataformas digitais

13/05/2026 - 06h00min

Atualizada em: 13/05/2026 - 09h34min


Alexandre Rodrigues
Alexandre Rodrigues
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Bruno Todeschini/Agencia RBS
Cantor e compositor Ruan Victor tem 26 anos e é natural de Taquara, no Vale do Paranhana.

Não é de hoje que a música produzida no Rio Grande do Sul — fortemente influenciada pelo tradicionalismo gaúcho — vem conquistando cada vez mais espaço no cenário nacional. A prova está na nova geração de artistas que une identidade, autenticidade e sonoridades próprias para ampliar ainda mais esse movimento. Entre eles está Ruan Victor.

Natural de Taquara, no Vale do Paranhana, o cantor e compositor de 26 anos ganhou projeção nacional com o hit Peraí, parceria com Augusto Dávila. A música, marcada por uma letra leve e bem-humorada sobre situações do cotidiano e dos relacionamentos, viralizou nas redes sociais e apareceu em vídeos de artistas como Ana Castela, Luan Pereira e Guilherme & Benuto. Os números ajudam a dimensionar ainda mais o sucesso: a faixa alcançou o Top 2 do Viral Global do Spotify, liderou o Viral Brasil e, há semanas, permanece entre as 15 músicas mais tocadas na rádio 92 — ranking publicado todas as quintas-feiras na edição impressa do Diário Gaúcho.

A reportagem conversou com o artista para saber mais sobre carreira e a fase atual.

Confira a entrevista com Ruan Victor

Quem é o Ruan Victor? 

Um cara sonhador pra caramba, que desde cedo entendeu que a música seria a vida dele. Hoje me considero realizado por poder viver disso e, principalmente, por levar minhas músicas para a galera. Se fosse para resumir: sou alguém que vive do que ama.

Tua carreira musical começou na infância. Como foi esse início?

Eu tinha seis anos e ia cantar em uma apresentação de Dia das Mães na escola. A música seria No Dia em Que Eu Saí de Casa, do Zezé Di Camargo & Luciano. Ensaiamos bastante, mas na hora o CD não funcionou e queriam cancelar a apresentação. Eu não aceitei. Disse que tinha ensaiado e cantaria mesmo assim. Fui lá e cantei a capela. 

Meu avô (Lauri Fernando Martins, 1950-2025) estava assistindo. Ele sempre foi apaixonado por música, fazia a gente ouvir música o tempo todo dentro de casa. No dia seguinte, ele praticamente decidiu minha carreira: conseguiu que um estúdio na cidade abrisse, no domingo, para eu gravar uma versão de No Dia em Que Eu Saí de Casa

A partir dali, começamos a cantar em eventos da região. Era sempre o seu Lauri e o Ruan, pilchado, cantando música gaúcha e sertaneja. Foi assim que comecei, ainda muito cedo, a tirar sustento da música.

Quais foram as tuas referências na música?

Na música gaúcha, minha principal referência sempre foi o saudoso Teixeirinha (1927-1985), muito por influência do meu avô. No sertanejo, Luan Santana foi uma inspiração enorme. Mas sempre fui muito aberto musicalmente. Também ouvi muito Jorge & Mateus, Fernando & Sorocaba, João Neto & Frederico, além de outros estilos que acabaram moldando minha identidade.

Bruno Todeschini/Agencia RBS
De Taquara pro topo: ele está fazendo barulho.

Como surgiu “Peraí”?

Foi uma história construída ao longo de anos. Entre 2014 e 2020, tive uma dupla (Ruan Victor & Thiago), mas com a pandemia seguimos caminhos diferentes e comecei minha carreira solo. Em um estúdio em Nova Hartz, vi o pessoal trabalhando no DVD do Augusto & Rafael (dupla gaúcha que anunciou o fim em 2025) e pensei que queria gravar com eles. Conversamos, mas a agenda deles explodiu após o sucesso de Dona Chica e o projeto acabou sendo adiado várias vezes. 

Anos depois, reencontrei o Augusto e decidimos finalmente procurar a música certa. Em janeiro deste ano, fizemos praticamente uma força-tarefa: churrasco, estúdio e uma tarde inteira ouvindo composições. Quando Peraí chegou, foi imediato. Eu senti que aquela música faria barulho. Não demorou para isso se confirmar. Logo depois do lançamento, a Ana Castela repostou, influenciadores abraçaram, a música chegou ao rádio e rapidamente bateu o topo das mais tocadas no Rio Grande do Sul.

Como é ver a música alcançando públicos tão diversos?

É muito especial. O mais impressionante foi perceber como ela atravessou diferentes gerações. Crianças faziam a dancinha, adultos e casais também entravam na brincadeira. E tudo isso sem conteúdo apelativo. Foi aí que percebi a verdadeira força da música: ela conseguiu falar com todo mundo.

Como vocês trabalharam a divulgação nas redes sociais?

Foi uma entrega muito intensa. Produzíamos cerca de 24 vídeos por dia para o TikTok. Eu, o Augusto e a Luana (esposa do Augusto) trabalhamos juntos o tempo todo. Costumo dizer que esse lançamento foi construído pelos três. A Luana esteve em reuniões, estratégias e engajamento constantemente. Eu ainda sou meio cru na parte digital, mas talvez justamente essa espontaneidade tenha ajudado o público a se conectar comigo.

O clipe da música mostra bem esse lado divertido. Como foi gravar?

Foi uma experiência muito divertida. Desde o início, a energia estava ótima. Durante as gravações no bar, além da nossa equipe, acabamos envolvendo pessoas que estavam no local. Tudo aconteceu de forma leve e muito verdadeira, que é justamente a essência da música.

OL Music/Divulgação
Com Augusto Dávila no clipe de "Peraí".

O que mais te encanta no sertanejo?

A capacidade que o gênero tem de se conectar com o brasileiro de forma simples e direta. O sertanejo traduz sentimentos, histórias e situações de um jeito acessível, que faz as pessoas se identificarem. É uma linguagem popular, próxima. Isso sempre me encantou.

Qual é o diferencial do Ruan Victor dentro do sertanejo?

Acredito que seja minha identidade vocal e musical. Ouço muitos estilos diferentes, como samba, MPB e pop rock, e tudo isso influenciou meu jeito de cantar. Acabei criando uma forma própria de interpretar as músicas, trazendo referências variadas sem perder minha essência dentro do sertanejo.

Onde a música já te levou que tu jamais imaginou?

Um dos momentos mais surreais da minha trajetória foi cantar no aniversário da Maria Dolores Aveiro, mãe do Cristiano Ronaldo (jogador de futebol português). É algo que eu jamais imaginaria quando comecei lá atrás. Estar naquele ambiente (a festa ocorreu em dezembro de 2025, no litoral norte do Rio Grande do Sul), vivendo isso por causa da música, foi realmente inesquecível.

Como chegou nesse momento?

Conheci Katia Aveiro, irmã do Cristiano Ronaldo, em Gramado, durante eventos em que eu me apresentava. A partir dessa conexão, fui me aproximando da família. Inclusive, descobri que dona Dolores é fã de Teixeirinha porque ouvia muito as músicas dele na Ilha da Madeira (em Portugal). Isso criou uma ligação muito especial.

Quais são os próximos planos?

Ainda neste mês, vou lançar um novo single com uma participação especial que ainda não posso revelar. E, no fim do ano, a ideia é gravar um EP com mais colaborações, construindo um trabalho sólido para seguir lançando ao longo de 2027.

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