Entrevista
Kamila Amorim celebra destaque de seu estado em "Coração Acelerado": "Foi uma honra gravar no meu lugar"
Atriz goiana vive Laurinha na trama das sete


Enquanto a maior parte do elenco de Coração Acelerado fazia aulas de prosódia para se aproximar do sotaque goiano, Kamila Amorim só curtia a expectativa por estrear em novelas. A atriz de 28 anos celebra o destaque de sua terra natal na telinha da Globo e empresta um pouco de sua vivência como cria de Goiânia para sua personagem, Laurinha. Em bate-papo, Kamila conta como surgiu a chance de integrar o elenco e fala sobre outro talento que tem em comum com Laurinha: a música.
Como surgiu a oportunidade de estar em Coração Acelerado?
Foi através de uma sucessão de trabalhos. No ano de 2024, fiz o filme Levante Rejane, que foi o primeiro projeto regional da Globo em comemoração aos 60 anos. Paralelamente, participei da oficina de atores e de uma pesquisa de talentos da emissora. Todo esse material já estava disponível, e a produtora de elenco Dani Pereira teve acesso. Fui chamada para fazer o teste e, a partir dele, fui aprovada e convidada para ir ao Rio de Janeiro gravar.
Assim como Laurinha, a música também faz parte da sua vida?
Faz. Cresci em uma casa com muita música. Minha mãe é musicista, pianista e cantora, então, desde muito pequena, tive contato com instrumentos. Aprendi a ler partitura muito cedo e fiz aulas de piano e teclado. A minha expressão artística, no entanto, sempre foi mais através da dança do que do canto. O canto está retornando agora, na vida adulta e profissional, com muita força. Estou muito feliz por poder cantar na novela e tenho recebido um feedback muito positivo sobre a minha voz.

Sua parceria com Isabelle Drummond e Diego Martins rende cenas hilárias. Como é a sintonia de vocês por trás das câmeras?
A gente tem uma sintonia maravilhosa. A gente se adora, de verdade. Quando passamos um tempo sem gravar, sentimos saudade um do outro. Almoçamos juntos, conversamos sobre a vida… Essa sintonia que vocês veem na tela é um reflexo do que construímos fora dela também.
Fazer parte de uma novela ambientada em Goiás deve ser uma emoção para você. Como é ver seu Estado retratado na telinha?
Foi muito acalentador ver o meu Estado e as minhas raízes sendo retratados. O mais interessante de Coração Acelerado é que é um dos primeiros produtos que vejo mostrar Goiás como ele realmente é: uma região moderna, urbana e rica. Geralmente, o Estado é retratado de forma estereotipada, e a novela trouxe um olhar respeitoso para a nossa cultura e estética. Para mim, foi uma honra gravar no meu lugar, no meu Estado.
O que foi mais difícil na composição de Laurinha?
O mais difícil foi o processo de ser uma obra aberta. Vamos recebendo os blocos de capítulos e as coisas mudam; a personagem cresce ou toma rumos que não esperávamos. Esse exercício de desapego e de estar presente no agora é um desafio. Tecnicamente, cantar sertanejo também foi desafiador, porque há uma técnica específica de voz, respiração e interpretação, diferente de tudo o que eu já tinha feito.
Naiane é uma péssima amiga e só pensa nos próprios interesses. Na vida real, você já conviveu com pessoas assim? Que conselhos daria para sua personagem diante de uma amizade tão tóxica?
Sou uma pessoa que preza muito pela reciprocidade. Evito conviver com quem só olha para o próprio umbigo ou tem traços narcisistas. No caso da Laurinha e da Naiane, acredito que a amizade funciona porque a Laurinha é muito bem resolvida. Ela não entra na disputa de ego da Naiane, foca nas qualidades – como o carisma e o lado divertido – e não deixa que as atitudes negativas a afetem tanto. O conselho que eu daria é: continue sendo você, não deixe ninguém apagar o seu brilho ou limitar a sua liberdade. Amizade é para somar; quando começa a tirar, é hora de repensar.