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Mistério e romance

"Se o público não gostar, acho que eu desisto de fazer novela", diz diretora da nova novela da Globo

"Quem Ama Cuida" aposta em técnicas inovadoras de direção e gravações realistas feitas nos estúdios do Rio

19/05/2026 - 11h52min


Zero Hora
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Manoella Mello/Globo/Divulgação
Letícia Colin vive Adriana, protagonista de "Quem Ama Cuida", nova novela das nove.

Estreia nesta segunda-feira a nova novela das 21h da TV Globo, Quem Ama Cuida, sob direção de Amora Mautner, conhecida por sua personalidade energética dentro do set.

Escrita por Walcyr Carrasco e Cláudia Souto, a trama acompanha a jornada de Adriana, interpretada por Letícia Colin, uma fisioterapeuta que perde sua casa após uma grande enchente atingir São Paulo.

Amora Mautner já atuou na direção de sucessos como O Cravo e a Rosa (2000), Cordel Encantado (2011) e Avenida Brasil (2012). Com 31 anos de carreira na TV Globo, a carioca tem como marca registrada o trabalho orgânico que nasce do calor do set.

Em entrevista ao g1, ela contou um pouco sobre os métodos de preparação de elenco, estudos de neurociência e referências cinematográficas que influenciaram a criação da novela.

Preparação de elenco

A diretora utiliza elementos e técnicas inusitados para aquecer seu elenco. Em uma das ocasiões, preparou um questionário com 80 perguntas para cada integrante sobre suas próprias rotinas pessoais. Ela investigou seus hábitos alimentares e costumes de leitura.

— Chay (Suede), por exemplo, falou que é viciado em tomar chocolate batido. Colocamos isso em cena para mostrar que o personagem dele é mimado — conta a diretora.

Na trama, o ator interpretará Pedro, filho do advogado Ademir (Dan Stulbach) e par romântico da protagonista.

Amora Mautner também resgata as lições filosóficas para moldar o tom da grande antagonista, interpretada por Isabel Teixeira.

— A gente está fazendo uma vilã catártica que tem várias faces, dentre elas, uma muito violenta. Uma maldade que muita gente não tem tido coragem de mostrar ultimamente — conta Amora.

No enredo, Pilar é a irmã de Arthur Brandão (Antônio Fagundes). Em seu papel de antagonista, ela tentará interditá-lo judicialmente, tornando-se uma das principais suspeitas de seu assassinato.

Segundo a diretora, o trabalho com a atriz exigiu um certo "jogo de cintura":

— Eu brinquei com a Isabel, falei: "O nosso problema é de excesso'" Enquanto com os outros atores eu precisei lutar para trazer, com ela eu tive que limpar.

A trama da novela está dividida em dois núcleos principais. O primeiro narra a trajetória de Adriana e os personagens de Tony Ramos, Nathalia Dill e Allan Souza Lima. O segundo é o de Arthur, e contará com Tatá Werneck, Agatha Moreira e José Loreto.

Marca registrada

Como uma marca registrada em seu currículo, Mautner utiliza conceitos de "contramarca" e "elemento estranho", buscando quebrar a "artificialidade" das cenas. Estas técnicas são responsáveis por por ditar o ritmo caótico de "um falando por cima do outro".

— Minhas novelas são assim: enquanto um toma café, o outro está saindo para o trabalho. Um está sofrendo por um término e o outro está radiante. Não pode existir um momento idealizado onde todos compartilham o mesmo sentimento porque, na vida real, isso não existe — detalha Amora.

Uma grande aposta para esta nova produção está na rejeição de recursos digitais comuns na televisão atual, como a tela verde. O conceito batizado pela equipe como Projeto Méliès — em homenagem ao cineasta francês pioneiro dos efeitos visuais no cinema — utiliza ilusões de ótica e truques totalmente físicos dentro do estúdio.

— Vai parecer que a gente está em São Paulo e a gente já está gravando no Rio. Queremos mostrar a potência dos nossos estúdios — detalha Amora.

Durante o evento de lançamento da novela, a diretora teceu grandes elogios a Ana Paula, vencedora do BBB 26. Para ela, a jornalista é autêntica e original, características que ela espera agregar em sua nova teledramaturgia.

Segundo Amora, as novelas brasileiras deveriam absorver a linguagem dos reality shows, imprimindo naturalidade e espontaneidade.

— O Brasil quer pessoas assim, de verdade. E temos isso com esta trama: um elenco que está pulsando, está visceral. Se o público não gostar, acho que eu desisto de fazer novela — brincou.

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