Entrevista
Luciano Quirino analisa seu vilão em "A Nobreza do Amor": "Extremamente perigoso"
Ator interpreta Pascoal, braço-direito de Jendal (Lázaro Ramos)


Aos 60 anos, muita gente começa a desacelerar e diminuir o ritmo de trabalho. Não é o caso de Luciano Quirino, que acumula trabalhos na televisão, no streaming, no cinema e no teatro. Com quase quatro décadas de carreira, ele está no ar em A Nobreza do Amor como Pascoal, braço-direito do grande vilão da trama, Jendal (Lázaro Ramos).
– Ele é um homem que compreende rapidamente as engrenagens do poder. Não age por impulso. Observa, calcula e ataca no momento certo. Isso o torna extremamente perigoso – destaca o ator, que tenta entender as motivações por trás das atitudes de seu personagem:
– O Pascoal é um sobrevivente, alguém movido pela ambição e pelas oportunidades. Explorar esse lado sombrio é um exercício muito interessante para qualquer ator. Pascoal me desafia a acessar zonas mais sombrias da interpretação. Como ator, é fascinante compreender a lógica interna de alguém que enxerga o mundo de uma forma completamente diferente da nossa.

E se, no núcleo de Batanga, Jendal já tocava o terror sozinho, desde que arrumou um aliado de peso, suas maldades só aumentaram. Luciano Quirino exalta a parceria com Lázaro Ramos:
– Tem sido uma experiência incrível. O Lázaro é um ator generoso, criativo e muito parceiro em cena. Cheguei à novela com a trama já em andamento e fui muito bem acolhido. Essa troca fortalece a relação entre Pascoal e Jendal, que formam uma dupla tão perigosa como interessante.
A Nobreza do Amor já entrou para a história da teledramaturgia por colocar, pela primeira vez, atores negros como membros da realeza. O ator reforça a importância de ver histórias como essa sendo contadas:
– É muito importante ampliar as narrativas sobre a população negra. Ver personagens negros ocupando lugares de poder, protagonismo e complexidade ajuda a enriquecer o imaginário coletivo e oferece novas referências para o público.
Luciano acredita que as produções brasileiras têm avançado bastante na diversidade, fazendo com que todos se sintam representados.
– Houve avanços importantes. Hoje vemos mais diversidade diante e atrás das câmeras. Ainda há muito a conquistar, mas acredito que estamos caminhando para um audiovisual mais plural e mais próximo da realidade brasileira – afirma.
Além da novela, Luciano Quirino pode ser visto em Dona Beja, novela da HBO. No cinema, faz parte do elenco de um filme sobre o caso Elize Matsunaga, na pele do delegado que conduz as investigações. E ele não para por aí! Para o segundo semestre, retorna aos palcos em Maestro Selvagem – Um Encontro com Carlos Gomes, monólogo com texto de Miriam Halfim e direção de Ary Coslov.