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Michele Vaz Pradella: gênia da comédia, Tatá Werneck prova que também sabe fazer drama

Atriz surpreende com sua Brigitte em "Quem Ama Cuida"

19/06/2026 - 15h52min


Michele Vaz Pradella
Michele Vaz Pradella
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Manoella Mello/TV Globo
Brigitte é uma personagem complexa e cheia de camadas

Nunca julgue um livro pela capa nem uma novela pelo trailer. Assim que assisti às primeiras imagens de Tatá Werneck em Quem Ama Cuida, logo pensei: “ih, é mais do mesmo”. Brigitte me lembrava muito outras personagens da atriz, como Anely, de Terra e Paixão (2023) ou Valdirene de Amor à Vida (2013): maluquinha e sempre correndo atrás de homens. Com pouco mais de um mês da novela no ar, reconheço que eu estava enganada. E que bom!

Brigitte é mais do que uma mulher obcecada por seus pretendentes. Há muitas camadas ali, e nem todas foram mostradas até o momento, o que atiça ainda mais o interesse do público por sua personagem. Existe algo de muito ruim no passado da moça com a mãe, Pilar (Isabel Teixeira), como ela mesma já disse: “antes dos meus irmãos nascerem, quando éramos só eu e você, foi punk”. Esse passado traumático pode ser a explicação para o comportamento obsessivo dela com os homens, essa necessidade de se sentir amada, validada. A cada rejeição, mais mágoas vão se acumulando.

Tatá aproveita cada cena para mostrar que não é apenas uma atriz de comédia. Há um certo humor em Brigitte, mas está muito mais para patético e digno de pena do que para algo engraçado. No olhar vazio, silêncios e gestos, a atriz brilha e mostra que é, sim, capaz de fazer drama. Walcyr Carrasco, enfim, deu a ela a chance de mostrar algo novo, e acho que Brigitte ainda pode nos surpreender bastante – inclusive como assassina de Arthur (Antonio Fagundes), quem sabe? Tenho uma teoria de que ela pode ter acabado com a vida do tio para mostrar a Pilar que não é tão inútil quanto a mãe cansa de lhe dizer. Seria bem interessante se os autores apostassem nessa versão.


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