Noveleiros
Michele Vaz Pradella: gênia da comédia, Tatá Werneck prova que também sabe fazer drama
Atriz surpreende com sua Brigitte em "Quem Ama Cuida"


Nunca julgue um livro pela capa nem uma novela pelo trailer. Assim que assisti às primeiras imagens de Tatá Werneck em Quem Ama Cuida, logo pensei: “ih, é mais do mesmo”. Brigitte me lembrava muito outras personagens da atriz, como Anely, de Terra e Paixão (2023) ou Valdirene de Amor à Vida (2013): maluquinha e sempre correndo atrás de homens. Com pouco mais de um mês da novela no ar, reconheço que eu estava enganada. E que bom!
Brigitte é mais do que uma mulher obcecada por seus pretendentes. Há muitas camadas ali, e nem todas foram mostradas até o momento, o que atiça ainda mais o interesse do público por sua personagem. Existe algo de muito ruim no passado da moça com a mãe, Pilar (Isabel Teixeira), como ela mesma já disse: “antes dos meus irmãos nascerem, quando éramos só eu e você, foi punk”. Esse passado traumático pode ser a explicação para o comportamento obsessivo dela com os homens, essa necessidade de se sentir amada, validada. A cada rejeição, mais mágoas vão se acumulando.
Tatá aproveita cada cena para mostrar que não é apenas uma atriz de comédia. Há um certo humor em Brigitte, mas está muito mais para patético e digno de pena do que para algo engraçado. No olhar vazio, silêncios e gestos, a atriz brilha e mostra que é, sim, capaz de fazer drama. Walcyr Carrasco, enfim, deu a ela a chance de mostrar algo novo, e acho que Brigitte ainda pode nos surpreender bastante – inclusive como assassina de Arthur (Antonio Fagundes), quem sabe? Tenho uma teoria de que ela pode ter acabado com a vida do tio para mostrar a Pilar que não é tão inútil quanto a mãe cansa de lhe dizer. Seria bem interessante se os autores apostassem nessa versão.