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Estrelas da Periferia

Muhiitz entre ruas, beats e batalhas 

Artista transforma vivências em música e busca conquistar seu espaço em uma cena de rap que segue em crescimento no Estado

02/06/2026 - 05h00min


Emily Barcellos
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REFERÊNCIAMIDIA/Divulgação
Cantor e produtor de 23 anos começa a consolidar seu nome na cena do rap gaúcho

Aos 23 anos, o artista e produtor musical Muhiitz começa a consolidar seu nome na cena do rap gaúcho a partir de uma trajetória marcada pela vivência na periferia e pela experimentação musical. Natural de Porto Alegre, ele representa uma nova geração de multiartistas que transitam entre o beat, a composição e a interpretação

O primeiro contato com a música veio ainda na infância, dentro de casa. Inspirado pelo tio que tocava violão, Muhiitz começou a aprender o instrumento de forma intuitiva. Depois, ampliou sua formação em uma ONG, onde teve aulas de violão, coral e percussão. 

– Eu já tocava violão na igreja, mas a primeira música que eu gravei mesmo no estúdio foi na época do colégio. Eu fiz um grupo com meus colegas, mas eu já tinha uma paixão pela música desde sempre. Eu comecei a tocar violão porque ficava olhando o meu tio tocando e imitei ele, até chegar o momento que conheci a ONG Sol Maior, através de um amigo que era meu vizinho e fazia o curso de violão lá. Ele me indicou, e eu comecei a fazer aula de violão nessa ONG, depois coral e depois percussão – relembra. 

Apesar dessa base musical mais tradicional, foi no rap que encontrou sua principal forma de expressão. Crescendo ao som de nomes como Racionais MC’s, Sabotage e RZO, além de referências internacionais como 50 Cent e Jay-Z, ele absorveu influências que moldariam sua identidade artística. 


Começou vendendo flores

O início profissional, porém, veio de maneira independente. Buscando estruturar sua carreira, Muhiitz encontrou uma alternativa nas ruas: vendia rosas em restaurantes da Cidade Baixa, em Porto Alegre, para comprar equipamentos e montar seu próprio estúdio. A iniciativa também ajudou a construir sua inserção na cena local. Frequentador de batalhas de rima e eventos culturais, ele passou a oferecer beats para MCs iniciantes. Hoje, além de cantor, atua como produtor, colaborando com diferentes artistas, muitas vezes a partir de demandas que chegam diretamente ao seu estúdio. 

Nos últimos anos, Muhiitz passou a integrar o selo Hatz, que considera um ponto de virada em sua trajetória. Foi a partir desse coletivo que ampliou sua rede de contatos e teve acesso a novos projetos e parcerias

– Eles foram vendo o meu destaque aqui no Rio Grande do Sul e, há mais ou menos dois anos, me chamaram para ser produtor e artista da gravadora deles. A partir disso, eu consegui ter acesso a vários artistas. Antes eu fazia mais no meu quarto. Demorou um pouquinho para eu pegar a rotina de sair de casa e ir para o estúdio trabalhar, mas aos poucos fui entendendo que eu precisava disso – afirma. 

Entre os trabalhos recentes, destaca-se a participação no álbum do artista paulista LPT Zlatan, nome em ascensão no mainstream do rap nacional. A colaboração aconteceu de forma espontânea: ao saber que o músico visitaria Porto Alegre, Muhiitz preparou beats que acabaram sendo selecionados para o disco. 

Desafios

Mesmo com avanços pessoais, o artista aponta desafios estruturais no rap produzido no sul do país. Para ele, falta conexão entre os próprios artistas e investimento financeiro consistente na cena

– Aqui cada um fica na sua bolha. Em São Paulo, eu senti muito mais união e mais dinheiro circulando – avalia. 

Nas composições, Muhiitz trabalha a partir das próprias vivências. Ele transforma memórias e reflexões em letras que abordam realidade social, resistência e identidade

– A vivência da quebrada influencia na minha letra. Cresci com a minha mãe sendo empregada doméstica, oficineira. Então ver teus parceiros passando por dificuldades, ou tu mesmo passar por isso, faz refletir

Atualmente, ele também busca se adaptar às demandas do ambiente digital, reconhecendo a importância das redes sociais para divulgar seu trabalho. Embora admita que ainda está aprendendo a se expor mais online, mantém presença ativa em plataformas como Spotify e YouTube, onde já conta com diversos lançamentos

Para este ano, o principal objetivo é atingir a marca de 1 milhão de reproduções nas plataformas digitais. Paralelamente, prepara o lançamento de um novo álbum, intitulado Boomerang


*Com orientação e supervisão de Alexandre Rodrigues 


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