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Estrelas da Periferia 

Uma aposta no futuro

De MC a videomaker, Francisco Seixas aproveita experiência na música para ajudar novos talentos a ingressarem na cena artística.

25/06/2026 - 17h00min


Luiza Weiler*
Assistente de Conteúdo
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MC Koringa/Arquivo Pessoal
Construiu sua caminhada unindo vivência, ritmo e persistência

Nascido e criado em Porto Alegre, Francisco Seixas cresceu imerso na cultura gaúcha. Ainda criança, aprendeu a tocar gaita, primeiro passo de uma relação intensa com a música.

Na adolescência, a paixão só aumentou. No Ensino Médio, passou a rimar dentro da sala de aula, em meio às brincadeiras com colegas. Das improvisações, surgiam letras que iam das vivências cotidianas aos desafios de ser um jovem da periferia.

Aos 16 anos, decidiu levar a música mais a sério e lançou sua primeira faixa, Porch Kaiene. O trabalho o aproximou de nomes da cena local, como o DJ Cassiá, que incluiu a música no programa Você Ouve a Cidade e Sai Dançando, na Rádio Cidade. Para Francisco, ali começava uma virada:

– A partir daí, comecei a fazer uma música atrás da outra. Depois lancei a Braba Assim Não Vai pro MEC e ela tocou no Bonde da Eldorado. Isso me abriu portas, me deu visibilidade. Comecei a trabalhar em shows e vivi só da música, larguei tudo o que fazia antes.

Foi neste período que ganhou o nome artístico que o acompanharia na carreira: Koringa. O apelido surgiu em um show, dado por MC Kauan, após uma sequência de brincadeiras no camarim. 

Entre risos, veio o batismo:

– Tu é o Koringa do Sul, cara!

O nome pegou e passou a ser adotado pelo artista.

Também nessa fase, Francisco – já Koringa – assinou seu primeiro contrato com o videomaker Diego Borba, o DiMovie. Além de produzir seus próprios conteúdos, passou a acompanhar gravações de outros artistas.

– Sempre que ele ia gravar um clipe, me chamava junto. Me ensinava os macetes e dizia: “Presta atenção, um dia tu pode precisar disso”. Eu achava que não era pra mim. Até que precisei mesmo. Foi quando criei a BK Record, minha produtora – afirma.

Próximas gerações

A produtora nasceu como consequência natural da trajetória de Francisco. Com o tempo, ele foi se afastando da criação musical para se dedicar ao audiovisual e ao incentivo de novos talentos.

O projeto ganhou força ao lado de Bismak, sócio e amigo de longa data, que já tinha ligação com jovens da Região Metropolitana interessados em produzir música. Hoje, a BK Record reúne nomes em ascensão do funk regional.

– Hoje, trabalhamos com Moreninho MC, MC RB, MC Renatinha e 19 da Sul, entre outros que ainda vão chegar. Esses nomes vão surgindo de várias formas. Fiz muitas amizades na época de MC, então a rede vai crescendo naturalmente – destaca.

Grande parte dos artistas atendidos pela produtora vem de contextos de vulnerabilidade social. Por isso, Francisco diz que o objetivo também é criar um ambiente de acolhimento e transformação por meio da arte:

– Às vezes, a gurizada chega com letras exaltando coisas erradas. A gente tenta mostrar outro caminho, quebrar essa ideia de que o destino está traçado pro crime. Muitos acabam entrando nisso por falta de opção e pagam um preço alto depois.

A preocupação, segundo ele, também vem da paternidade. Pai de três filhos – de sete, três e um ano –, Francisco diz que a experiência mudou sua forma de enxergar o mundo.

Hoje, ele resume sua filosofia em uma frase que repete tanto em casa quanto no estúdio:

– Por mais difícil que seja, a gente não pode desistir do caminho.

*Com orientação e supervisão de Alexandre Rodrigues

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/// Entre em contato com o artista pelo Instagram: @koringa_dn


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