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MÚSICA SERTANEJA

Em nova fase com projeto "Intuição", Yasmin Santos relembra infância e fala da carreira: "O violão foi a minha escola"

Cantora visitou redação do Diário Gaúcho e estúdio da rádio 92 durante passagem por Porto Alegre

11/07/2026 - 12h54min


Alexandre Rodrigues
Alexandre Rodrigues
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Jonathan Heckler/Agencia RBS
Yasmin Santos vive uma nova fase na carreira, embalada pelo lançamento do DVD “Intuição”.

A passagem de Yasmin Santos por Porto Alegre teve uma parada especial no prédio do Grupo RBS. Antes de cumprir a agenda de show em Novo Hamburgo, a cantora visitou a redação do Diário Gaúcho e o estúdio da rádio 92, onde conversou com o comunicador Mauri Grando no programa 92 no Pique.

Natural de Guarujá, no Estado de São Paulo, Yasmin começou a carreira se apresentando em bares da região. O talento chamou a atenção e ela passou a abrir shows de nomes como Henrique & Juliano, Simone & Simaria e Raça Negra. Hoje, consolidada como uma das principais vozes da nova geração do sertanejo, coleciona sucessos como Saudade Nível Hard, Saudade Intrusa, 200 Anos, entre outros. 

A visita à capital gaúcha coincide com uma fase especial da carreira. Na quinta-feira passada (9), a cantora concluiu os lançamentos do DVD Intuição, projeto da Sony Music que reúne 21 faixas. Agora, o trabalho entra em uma nova etapa, com a divulgação semanal de videoclipes no YouTube. O primeiro deles, da faixa Intuição, foi divulgado na sexta-feira (10) no canal oficial da cantora. Na sequência, chegam os clipes de Se Eu Ainda Te Amasse, no dia 16; Régua Subiu, no dia 23; e Só Dá Trabalho, no dia 30 de julho. O cronograma continua em agosto, com os lançamentos de Que Pena Não Tem Mais a Gente, no dia 6; Eu Pago a Cerveja, no dia 13; e, encerrando a série, Eu Já, Eu Também, no dia 20.

Em um bate-papo descontraído, a artista de 28 anos relembrou o início da carreira, falou sobre a força das mulheres no sertanejo, recordou a convivência com Marília Mendonça (1995-2021) e contou por que faz questão de voltar ao Rio Grande do Sul todos os anos.

Entrevista com Yasmin Santos

Antes de ingressar na música, você chegou a fazer mais de 10 cursos. Como foi esse começo?

Eu morava em uma comunidade muito carente, onde a criminalidade fazia parte da rotina. Desde pequena, eu tinha a consciência de que aquilo não era para mim, mas me preocupava com os meus irmãos. Queria tirar a minha família daquele lugar. Por isso, fazia todo curso gratuito que aparecia. Fiz informática, turismo, vários pela Etec (Escola Técnica Estadual, instituição de ensino mantida pelo governo do Estado de São Paulo) e mais alguns . Cheguei até a pensar em estudar manutenção de aeronaves, mas a música entrou na minha vida antes.

Quando a música entrou de vez na sua vida?

Sempre fui apaixonada por violão. Minha avó me deu um quando eu tinha sete anos, e aprendi a tocar sozinha. Depois, conheci uma menina que me chamou para formar uma dupla sertaneja e começamos a tocar em bares. Mas a música já fazia parte da minha vida muito antes disso. Eu levava o violão para a escola, tocava nos luaus e aprendia tudo pela internet. Nunca fiz aula de canto. O violão foi a minha escola.

Quais eram as suas referências no sertanejo?

Eu cresci em um lugar onde o sertanejo não era tão forte. No começo, ouvia muito Jorge & Mateus, João Bosco & Vinícius. Em casa, minha avó escutava Zezé Di Camargo & Luciano, Chitãozinho & Xororó, Leonardo...

O que você diria para quem vem da mesma realidade que a sua e sonha viver da música?

Viver da arte é muito difícil, mas é preciso persistir. Independentemente do sucesso, o importante é fazer o que você ama. Mesmo que eu estivesse tocando em botecos até hoje, tenho certeza de que seria feliz, porque estaria fazendo música.

Falando nisso, o que faz questão de manter na sua vida independentemente do sucesso?

Tudo o que me aproxima do amor: minha família, meus amigos e as pessoas com quem posso ser eu mesma.

De onde vêm as ideias para compor?

Tudo me inspira. Estou sempre anotando ideias no celular. Quando me reúno com outros compositores, cada um leva um pouco da sua vivência e sempre nasce alguma coisa especial.

O sertanejo feminino vive um grande momento. Você acha que as mulheres, hoje, têm mais liberdade para serem quem são?

Ainda não chegamos a 100% dessa liberdade, mas conquistamos muito espaço. Outras mulheres abriram caminhos para que eu pudesse estar aqui hoje. Agora, cabe à nossa geração continuar esse legado e abrir ainda mais portas para outras artistas.

Você gravou Saudade Nível Hard com a Marília Mendonça. Como era a convivência de vocês?

A Marília era muito especial. Sou fã não apenas da artista, mas do ser humano que ela era. Quem conviveu cinco minutos com ela sabe do que estou falando. A gente se encontrava bastante, mas quase não tirava fotos juntas. Mesmo assim, cada encontro era uma oportunidade de aprender alguma coisa com ela.

Extra/Divulgação
"Saudade Nível Hard": parceria com a amiga Marília Mendonça.

Como define teu atual momento da tua carreira?

Acho que estou caminhando muito bem para alcançar aquilo que sempre sonhei: consolidar a minha carreira.

O que vem por aí?

Estamos terminando de lançar o projeto (DVD) Intuição, gravado no ano passado. É um trabalho muito verdadeiro, com cerca de 80% das músicas compostas por mim. Ainda este ano quero gravar um novo projeto, desta vez focado em regravações, mas também com algumas faixas inéditas.

Lembra da primeira vez que ouviu uma música sua tocando no rádio?

Lembro perfeitamente. Eu estava no carro com uma prima, indo para um exame de ultrassom dela, quando começou a tocar Saudade Nível Hard. A gente ficou em silêncio por alguns segundos, sem acreditar. Depois começamos a gritar dentro do carro. Foi uma sensação única.

E o Rio Grande do Sul? O que ele representa para ti?

Eu amo o Rio Grande do Sul. Todo ano estou por aqui. O público gaúcho sempre me abraçou muito, e é uma honra fazer shows no Estado. Só ainda não me acostumei com o frio. Para mim, 15 ou 20 graus já é muito frio, enquanto vocês dizem que isso é tempo para usar bermuda (risos). Mas espero voltar muitas e muitas vezes.


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