Estrelas da Periferia
Representando a cena do funk local
Jonatha Rossini, nome artístico Mc Gud da V.n, retrata a realidade da quebrada a partir de suas composições

Jonatha Rossini, conhecido artisticamente como MC Gud da V.N, é morador da Vila Nair, em Cachoeirinha, e vem conquistando espaço na cena do funk e trap do Rio Grande do Sul. Suas composições retratam a realidade da quebrada, misturando mensagens de positividade com refrões marcantes que rapidamente caíram no gosto da comunidade.
Natural de Esteio, criado em Gravataí e residente em Cachoeirinha há duas décadas, Jonatha cresceu cercado pela música. Em casa, os discos de vinil do pai embalavam sertanejo e música regional gaúcha — nomes como Amado Batista, Rio Negro & Solimões, Os Serranos e Gaúcho da Fronteira. Na adolescência, mergulhou no hip hop e no rock, ouvindo Doctor Dre, Eminem, 50 Cent, Snoop Dogg, Green Day e Linkin Park. Aos 16 anos já se arriscava em paródias, dando os primeiros passos rumo à carreira artística.
- Quanto mais experiência e bagagem o cara tiver, mais fácil é se expressar. Se Deus plantou a ideia, algum objetivo tem - reflete o artista, que costuma transformar vivências da infância no Rincão, em Gravataí, em canções.
Trajetória
MC Gud iniciou sua carreira em 2022 e logo passou a se apresentar em eventos locais, conquistando reconhecimento com refrões “chiclete” e mensagens de efeito. Hoje, além dos shows, participa de ações sociais e busca inspirar jovens da comunidade a enxergarem na música uma alternativa de vida.
Seu primeiro single, Só Salvin, já está disponível nas plataformas digitais. Apesar de ainda estar no começo da discografia, Jonatha aposta em produções limpas e comerciais, sempre com foco em transmitir positividade.
Além de compositor, Jonatha concilia a vida artística com o trabalho de motoboy. Não é simples. Entre entregas e gravações, ele enfrenta os obstáculos de quem busca viver de arte no Brasil.
- Só o cara sabe o que passa. É muito desafiador, mas nunca pensei em desistir. Ser artista não é fácil. A galera vê o palco, mas não vê o caminho. A maioria desiste no meio. Eu sigo porque entendi o que é propósito- afirma, e complementa: - O feedback das pessoas mostra que não é loucura da nossa cabeça. Elas cantam, se identificam. Tenho certeza do caminho que estou trilhando - conclui.
Próximos passos
Entre os planos, estão o lançamento de um álbum, a entrada nas rádios e a criação de uma produtora para revelar novos talentos da periferia. Recentemente, Jonatha se uniu a outros artistas de Cachoeirinha para inscrever um projeto em um edital cultural. A proposta é realizar um festival na Vila Nair, oferecendo a dez jovens a oportunidade de gravar uma música em estúdio e distribuí-la nas plataformas digitais.
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