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DO SUL, COM MUITO ORGULHO

Bibiana Bolacell abre baú de memórias e transforma raízes gaúchas em música: "Quero mostrar a nossa cultura para o Brasil inteiro"

Aos 31 anos, cantora revisita trajetória entre nativismo e sertanejo no DVD “Aconchego, Onde Tudo Começou”, gravado em Novo Hamburgo

15/08/2026 - 08h10min


Alexandre Rodrigues
Alexandre Rodrigues
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Tem coisa mais gaúcha do que misturar música, estrada, baile e uma boa história para contar? Bibiana Bolacell sabe bem disso. Aos 31 anos, a cantora chega a uma nova fase da carreira com o lançamento de Aconchego, Onde Tudo Começou, DVD gravado em maio, em Novo Hamburgo, que reúne influências, lembranças e personagens importantes da caminhada que construiu ao longo dos anos.

O projeto passeia pela vaneira, pelo bailão e pelo sertanejo, gêneros que acompanham a artista desde os primeiros passos na música. Também abre espaço para encontros especiais, como a participação dos pais, que estiveram ao lado dela em toda essa trajetória.

A gauchada comprou a ideia. Copo Cheio, parceria com o Brilha Som e primeira música divulgada do DVD, segue bombando na Rádio 92 (92.1 FM) e mostra a força do trabalho.

Nesta entrevista, Bibiana mostra diferentes versões de si mesma: relembra a menina que começou a cantar, conta como foram os anos em Goiânia, fala dos sonhos que ainda quer realizar... No meio de tudo isso, revela como cada etapa da caminhada ajudou a construir a artista que hoje sobe ao palco para celebrar suas origens.

André Ávila/Grupo RBS
Quem disse que tradição e sertanejo não dão match?

Entrevista com Bibiana Bolacell

Sua história com o DG é antiga. Em 2007, aos 12 anos, você participou do concurso Chance – Etapa Nativista, promovido pelo jornal. Olhando para aquela menina e para a Bibiana de hoje, qual é a diferença entre as duas?

Nossa, vejo muitas diferenças. Nunca desisti dos meus sonhos. Desde pequena, sempre soube o que queria: viver da música e fazer isso acima de qualquer coisa. Hoje me sinto muito mais preparada por tudo que busquei desde pequena. Viajei para fazer técnica vocal, participei de competições, inclusive dessa do Diário Gaúcho. Então, hoje tenho muito mais bagagem por toda essa luta que venho fazendo desde os meus cinco anos.

Você já levou sua música para importantes polos do sertanejo, como Goiânia e Uberlândia. O que essas experiências acrescentaram a sua identidade artística?

Toda cantora sertaneja tem o sonho de morar em Goiânia. Quando migrei da música nativista para o sertanejo, queria morar lá e gravar um DVD. Eu tinha me formado em Odontologia e pensei: “Tenho que morar em Goiânia”. Morei três anos lá e também gravei em Uberlândia, no estúdio do Bruno & Marrone.

Foi uma fase muito importante pelo networking. Goiânia é o polo do sertanejo. A gente chega nos bares e encontra os famosos. Estou lá, daqui a pouco tem César Menotti & Fabiano do meu lado, e eu, como sou “caruda”, vou lá e já canto junto (risos).

As amizades com compositores também foram importantes. Um grande amigo é Gustavo Martins, compositor de nomes como Marília Mendonça. Quando gravei meu DVD em Uberlândia, reuni cerca de 57 compositores, escolhidos a dedo. Isso só foi possível pelas amizades que construí.

Aconchego parece representar um reencontro com a sua essência. Quando sentiu que precisava fazer esse projeto?

Cantei por muito tempo música nativista. Meus pais criaram a mim e ao meu irmão dentro da dança durante 25 anos. (O DVD) foi um presente para a família e para mim. Quando completei 30 anos, me senti mais experiente e conhecendo todas essas vertentes. Eu sempre digo que a gente nunca deixa de ser nada. Sou sertaneja, sou gaúcha e tenho muito orgulho disso.

Com o Aconchego, senti que estava preparada para fazer um projeto especialmente para o nosso Estado. Quero mostrar o nosso bailão, a nossa bandinha e a nossa cultura para o Brasil inteiro.

Copo Cheio está repercutindo bastante...

Está sendo um presente. Copo Cheio, com o Brilha Som, inclusive, já chegou ao top 15 da rádio 92. Nós, gaúchos, somos muito bairristas e gostamos das coisas que são nossas. É isso que vejo no brilho no olho do público quando canto uma música daqui. Estamos conseguindo números muito bacanas no Spotify e no YouTube, tudo de forma orgânica. Só tenho a agradecer.

Rafael Torres Atz/Divulgação
“Copo Cheio”: música com Brilha Som caiu no gosto popular.

Como você enxerga o diálogo entre a música gaúcha e o sertanejo?

Eu sempre disse que as duas coisas têm muito a ver. Meu pai é das Missões, de São Luiz Gonzaga. Quando você pesquisa a origem da nossa viola, da nossa gaita e de outros instrumentos, percebe as conexões com a música sertaneja. Quando migrei para o sertanejo, aos 13 anos, cantava Bruno & Marrone, Chitãozinho & Xororó e músicas que falavam muito do campo. Era justamente isso que conversava com a nossa música gaúcha. Na época, até sofria bullying no Ensino Médio: “Nossa, que brega, tu canta música sertaneja” (risos). Hoje é um sucesso. Mas venho cantando sertanejo desde uma época em que havia poucas mulheres nesse meio. Foi uma luta muito grande.

Qual é o maior sonho da Bibiana hoje?

Sou movida a sonhos, mas já sou muito feliz por viver da música. Para mim, música é muito mais do que fama. É conexão com as pessoas. Meu sonho é levar alegria, ser conhecida pelo Brasil inteiro e, quem sabe, levar nossa cultura para todo o país. Eu estava falando disso esses dias: imagina um campo de futebol inteiro cantando uma música minha? Aquela voz do povo cantando a minha música. Com certeza é um grande sonho.

Se pudesse resumir o atual momento da carreira, como definiria?

É o momento mais especial da minha carreira até aqui. Depois de gravar diversos CDs e DVDs, Aconchego, Onde Tudo Começou era um trabalho muito esperado. Quero vivenciar este momento. Ainda temos várias músicas vindo por aí. Neste ano, quero focar completamente no DVD.

Então, ainda teremos muitos lançamentos em 2026?

Sim! Até o final do ano.

Pode adiantar alguma coisa?

Vou contar em primeira mão: em setembro, vem a faixa de chamamé, uma homenagem aos gaúchos, à minha história e a tudo que deu vida ao Aconchego. É uma homenagem à Bibiana de cinco anos, que começou nos rodeios e festivais e conquistou cerca de 200 troféus. Nela, conto a história dos meus pais, que dançaram no palco no dia da gravação. E tem a participação da dupla César Oliveira & Rogério Melo. Quero contar com a gauchada para compartilhar essa música no mês do gaúcho. Vai ser o meu presente para o meu povo do Rio Grande do Sul.

Diário Gaúcho/Reprodução
Quando criança, já era destaque aqui nas páginas do Diário Gaúcho.



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