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Renato Teixeira se apresenta em Porto Alegre e exalta a cultura interiorana: "O mais bonito é quando você canta em nome do Brasil"

Aos 80 anos, artista relembra antigos sucessos nesta noite, no Teatro Simões Lopes Neto

19/08/2026 - 11h09min


Michele Vaz Pradella
Michele Vaz Pradella
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Fábio Dias/Divulgação
Compositor de mais de 400 canções

De norte a sul do Brasil, sempre que alguém pega um violão para animar reuniões de família ou amigos, não demora muito para que sejam entoados alguns versos criados por Renato Teixeira. Da poesia em forma de canção de Tocando em Frente ("Ando devagar porque já tive pressa...") à aclamação de fé contida em Romaria ("sou caipira, Pirapora Nossa Senhora de Aparecida..."), pais, avós, filhos e netos se emocionam com clássicos que atravessaram gerações. Não há fórmula pronta para que suas músicas tenham alcançado lugar cativo na cultura popular do nosso país. O segredo, segundo o artista, é acertar no tema.

Romaria é o símbolo nacional da fé do povo, não interessa qual fé, interessa que a que é fé, e a fé é um é um patrimônio da humanidade, é uma coisa que nos guia, que nos toca.

Ao invocar a lida no campo, a luta de quem desbrava estradas pelo país afora, a simplicidade do povo interiorano, o repertório de Renato Teixeira se mistura com a própria identidade nacional. É na simplicidade que suas canções tomam forma, tanto que podem ser criadas no tempo de se preparar um café, como é o caso de Tocando em Frente, parceria com Almir Sater.

— É uma coisa meio intuitiva, você vai fazendo. Quando eu e o Almir terminamos de fazer Tocando em Frente, eu lembro que eu escrevi a letra num saco de pão, porque não tinha nem papel para escrever ali, na casa do Almir. Aí, quando acabou a música, a gente falou: "Acabou? Acabou. Tem alguma coisa para refazer? Não. Se ninguém gostar, dane-se" — relembra Renato.

Tocando em Frente foi sucesso imediato, e ficou conhecida pelo grande público na voz de Maria Bethania. A canção fez parte do álbum especial de 25 anos de carreira da cantora, além de estar na trilha sonora da primeira versão de Pantanal, em 1990.

— Não imaginava que fosse atingir de uma forma tão implacável o povo brasileiro. Mas também devemos isso à Bethania, que lançou a música de uma forma muito bonita, assim como eu devo o sucesso de Romaria a Elis (Regina), que cantou aquilo de um jeito mágico.

Em turnê pelo Rio Grande do Sul desde o dia 12 de agosto, Renato se apresenta hoje à noite em Porto Alegre, no Teatro Simões Lopes Neto. Aos 80 anos e com mais de 400 composições, o músico permanece como uma das principais referências da música de raiz. A forte ligação com o público gaúcho demonstra o quanto suas canções conversam com a música tradicionalista aqui do Sul.

— Eu acho que o regionalismo é para alimentar o nacionalismo, entendeu? Você alimenta o nacional através do regional. O mais bonito é quando você canta em nome do Brasil, mostrando de onde você veio. Essa fórmula é mágica — destaca ele, lembrando da parceria com o violonista Yamandu Costa e com o escritor Luiz Coronel. O poeta bageense, inclusive, é citado nos versos de Amanheceu, Peguei a Viola: "Em Porto Alegre um tal de Coronel / Pediu que eu musicasse uns versos que ele fez/ Para uma china, que pela poesia / Nem lá em Pequim se vê tanta altivez".


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