"Bem Black"
Thiaguinho celebra trajetória e identidade negra com show em Porto Alegre: "Quando consigo ocupar determinados espaços hoje, também carrego comigo essa história"
Apresentação ocorre na Fly 51, neste sábado, reunindo sucessos do Exaltasamba e repertório da carreira solo do cantor


Tem pagode, samba e uma noite daquelas para cantar do começo ao fim. Thiaguinho desembarca em Porto Alegre neste sábado (12) com a turnê Bem Black na Fly 51, acompanhado pelo grupo Kamisa10 e pelos DJs Murillo Carvalho e Tana. No palco, o cantor revisita diferentes fases e influências de uma trajetória que já soma mais de duas décadas.
Foi no Exaltasamba que o cantor ganhou projeção nacional. À frente do grupo entre 2003 e 2012, participou de 10 álbuns e ajudou a transformar em sucessos canções que marcaram uma geração. No mesmo ano em que deixou a banda, então no auge da popularidade, lançou Ousadia & Alegria, seu primeiro álbum solo. Sem se afastar do samba e do pagode, ampliou suas referências e abriu uma nova fase da carreira, marcada por hits, prêmios e indicações.
É desse encontro entre passado e presente que surge Bem Black. No espetáculo, Thiaguinho resgata artistas, ritmos e influências que ajudaram a construir sua identidade, mas sem se prender ao que já foi feito. Em entrevista a GZH, ele fala sobre as escolhas por trás da turnê.
Entrevista com Thiaguinho
O que o público pode esperar da turnê Bem Black e do show em Porto Alegre? E de onde vem o nome do projeto?
Esse é um projeto que representa muito do que vivi e do que me tornei ao longo desses mais de 20 anos de carreira. Quis criar um trabalho que tivesse a minha identidade, que passasse pelas minhas referências e, ao mesmo tempo, mostrasse como enxergo a música hoje. O nome tem tudo a ver com isso. Bem Black é uma afirmação de identidade e, principalmente, uma celebração das minhas raízes, das minhas referências e de tudo que me trouxe até aqui.
Como foi o processo criativo do álbum e da turnê?
O álbum nasceu desse olhar para tudo que vivi ao longo da carreira e para as referências que fizeram parte da minha formação. A ideia foi entender como essas experiências poderiam ganhar uma nova forma e se conectar com o momento que estou vivendo hoje, tanto pessoal quanto artisticamente.
Depois de mais de duas décadas de carreira, como é continuar se reinventando na música sem perder a própria essência?
Acho que a gente nunca para de aprender e de se transformar. Trabalhar com arte é sensacional justamente por isso: você pode experimentar novos caminhos, sonoridades, visões e referências. O mais importante é conseguir fazer tudo isso sem perder aquilo que faz parte da sua essência.
O projeto também fala muito sobre identidade e representatividade. O que significa, para você, ocupar esse espaço na música brasileira há tantos anos?
A minha trajetória não é só minha. Existe uma história coletiva por trás dela. Fui influenciado por artistas negros que vieram antes de mim e abriram portas, muitas vezes em contextos muito mais difíceis. Então, quando consigo ocupar determinados espaços hoje, também carrego comigo essa história e a responsabilidade de manter essas referências vivas. Para mim, representatividade também é uma forma de transformar esses lugares e ampliar as possibilidades para quem vem depois.
Show da turnê "Bem Black"
Quando: neste sábado
Onde: Fly 51 (Rua Augusto Severo, 797), em Porto Alegre
Abertura dos portões: 15h
Quanto: ingressos a partir de R$ 80 (meia-entrada), pelo site ingressonacional.com.br
Classificação: 18 anos