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De verde e maduro

Confira a entrevista com o palmeirense Leandro, ex-Grêmio: "Acordei para a vida"

Leandro recém fez 20 anos e precisou recomeçar. Lançado no Grêmio em 2011 como aspirante a craque, o atacante afundou

28/09/2013 - 11h12min

Atualizada em: 28/09/2013 - 11h12min


O jogador Leandro durante sessão de treino do Palmeiras na Academia de Futebol da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo

Leandro recém fez 20 anos e precisou recomeçar. Lançado no Grêmio em 2011 como aspirante a craque, o atacante afundou. Em fevereiro, foi por um ano para o Palmeiras, como parte do pagamento de Barcos.

Parece ironia, mas foi sob o céu cinzento de São Paulo que ele voltou a sorrir e até chegou à Seleção Brasileira, com Felipão. Ficaram em Porto Alegre a falta de confiança e os problemas extracampo, como o episódio em que acabou no Presídio Central depois de flagrado com carteira de habilitação falsa. No Palmeiras, virou ídolo. Em São Paulo, virou homem maduro e pai de família - mora com a mulher, Bruna, 20 anos. A trajetória do clube neste 2013 até se assemelha à de Leandro. Neste sábado, eles estarão em campo contra o América-RN, em mais um passo na volta à luz da Série A. O momento é de extrema alegria e sossego, algo que se percebe nos primeiros instantes da conversa por telefone com o DG. Confira trechos:

Diário Gaúcho - Qual o segredo desta recuperação no Palmeiras?
Leandro -
Tenho sequência de jogos. Todo jogador precisa disso. Esse é o diferencial, a confiança. A torcida também tem me apoiado. Tem dado certo

DG - O Renato foi quem lançou você e agora repete isso com outros jovens no Grêmio. Qual a importância dele na sua carreira?
Leandro -
O Renato foi muito importante. Me dizia que tinha características parecidas com as dele. Gostava muito de mim, corrigia movimentação e posicionamento, até por ter jogado na mesma posição. Foi fácil para ele me ensinar (risos). Ele tentou me passar muito do que fazia nos tempos de jogador. Fazíamos trabalho de finalização depois do treino.

DG - No Grêmio, seu problema era mais a finalização e no Palmeiras isso mudou. Como corrigiu?
Leandro -
Nos treinos, trabalhamos tudo. Atacante precisa priorizar a finalização para se aprimorar. Trabalho isso todos os dias. Comecei a minha carreira e não sou nenhum Ronaldo, então trabalho todos os dias para melhorar.

DG - Você volta ao Grêmio ou segue no Palmeiras?
Leandro -
Deixo que as duas diretorias se resolvam. Da minha parte, estou muito feliz. Se tiver que voltar para o Grêmio, também volto feliz. É ótimo para um jogador ter a oportunidade de jogar tanto por Palmeiras quanto por Grêmio.

DG - Mas a sua ideia é voltar para Porto Alegre ou permanecer em São Paulo?
Leandro -
Falando pela cidade, prefiro ficar aqui. Aí tem feito muito frio. Minha mulher foi até Porto Alegre esses dias e me disse que estava complicado.

DG - Por que os jogadores gostam tanto de trabalhar com o Renato?
Leandro -
Ele já foi jogador e sabe como nos tratar e do que gostamos. Ele faz as vontades do grupo, que retribui em campo. Mas sempre existe disciplina. É assim que ganha a confiança.

DG - Você tem acompanhado o Grêmio?
Leandro -
Não dá pra acompanhar tanto com a rotina de viagens e jogos. Sempre torço pelos meus companheiros. Deixei vários amigos no Grêmio. Quando é possível, conversamos. Falo mais com o Zé Roberto e o Souza e também falo o Guilherme Biteco, com quem atuei na base.

DG - O que houve no Grêmio para que caísse tanto de rendimento?
Leandro -
Quando subi, estreei bem. No segundo ou no terceiro jogo, virei titular com o Renato. A confiança que o Renato me passava era muito grande, me dava tranquilidade e liberdade para jogar. Depois que ele saiu, os técnicos que vieram não me deram muitas chances. Caí um pouco de rendimento, sim. É normal com garotos.

DG - Os problemas extracampo o atrapalharam no Grêmio?
Leandro -
Acho que podem ter atrapalhado. A história da carteira de habilitação me serviu para dar um alerta, acordar para a vida (ele foi detido em uma blitz do Balada Segura, estava com carteira falsa e acabou levado ao Presídio Central). Dei mole e fiz algumas besteiras. Acho que isso deu certo. Sempre tentei ser humilde e trabalhador. Não adianta ser bom de bola e viver na noite.


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