Paixão tricolor
José Augusto Barros: a falta de convicção da direção gremista sobre quem deve ser o técnico do time
Será um ano longo


Na véspera de um jogo entre Vasco e Grêmio, dois times grandes, que estão, neste momento fora de seus lugares devidos, esta coluna deveria estar abordando as possibilidades de vitória de cada um, a razoável campanha que o Grêmio deveria estar fazendo na Série B, com seu orçamento de R$ 10 milhões mensais, seu elenco superior, e tudo mais.
Porém, não é esse o assunto do momento. E acredito que, mesmo com vitória ou derrota no jogo desta quinta-feira, o assunto não mudará: a falta de convicção da direção gremista sobre quem deve ser o técnico do time.
Vejamos: em abril de 2021, Renato deixou o comando técnico do Grêmio, após eliminação para o Independiente Del Valle, na Pré-Libertadores. Neste espaço, já escrevi que Renato, de grandes serviços prestados, poderia ter saído no fim de 2019 (depois do fiasco para o Flamengo) ou no fim de 2020 (depois do fiasco para o Santos), para dar tempo a um novo técnico de iniciar um novo trabalho. Pois ele seguiu, começou 2021 no comando do time.
Nossa direção, sem convicção, demitiu Renato no quarto mês do ano de 2021, cedendo a pressões internas. Vieram Tiago Nunes, Felipão e Vagner Mancini. E sabemos o que aconteceu.
Mais do mesmo
Chegamos em 2022 e a mesma direção sem convicção manteve Vagner Mancini, que não conseguiu manter o time na Série A em 2021. Deu mais uns dias, sem convicção, de novo, e demitiu Mancini.
Eis que chegou Roger Machado, o cara do padrão de jogo, que deu corpo para aquele Grêmio vencedor de 2016/2017. Gosto muito de Roger. O que não gosto é da falta de convicção da direção, que, mais uma vez, previsivelmente, coloca o jogo desta quinta como decisivo, para a queda ou permanência do treinador.
Em pouco mais de 17 meses, passamos por Renato, Tiago Nunes, Felipão, Mancini e Roger. E pergunto: será que a direção não entendeu ainda que o problema não é o treinador? Se ganharmos, a avaliação do trabalho de Roger mudará tanto? E se ele perder de novo e, depois, engatar três vitórias? É, falta convicção para nossa direção. Será um ano longo.