Tropeço
Luciano Périco: as duras lições que ficam para Luís Castro na derrota do Grêmio no Gre-Nal
Colorado aplicou 4 a 2 no Beira-Rio no clássico 449 neste domingo (25)


O grande problema do Grêmio na derrota por 4 a 2 para o Inter no Gre-Nal esteve na defesa. Na verdade, foi um colapso coletivo.
O time de Luís Castro apresentou enormes dificuldades para conter o ataque do Inter, especialmente Carbonero, que encontrou espaço, vantagem física e liberdade para jogar. Os defensores gremistas foram batidos com facilidade em vários momentos.
A sensação era de que o Grêmio atuava em uma rotação inferior àquela imposta pelo Colorado. Enquanto o Inter acelerava, pressionava e ocupava o campo ofensivo, o Tricolor reagia atrasado.
Ainda assim, saiu na frente no marcador: o gol de Amuzu, em boa jogada de Tetê e assistência de Carlos Vinicius, parecia abrir um cenário favorável. Mas a alegria durou pouco. Com a incapacidade de sustentar qualquer vantagem, o empate veio rápido demais, sintoma claro de um sistema defensivo instável.
Controle e imposição
Mesmo quando voltou a liderar o placar — com Edenílson aproveitando falha de Rochet — o Grêmio não conseguiu jogar o suficiente para defender o resultado. Faltaram controle e imposição.
O Gre-Nal 449 também ficará marcado por uma atuação muito ruim de Weverton. Multicampeão, o ex-goleiro do Palmeiras teve um desempenho para ser esquecido. Pelo menos dois gols podem ser colocados na sua conta. Mas seria injusto apontá-lo como único culpado.
Ninguém se salvou no sistema defensivo: Marcos Rocha, Noriega, Wagner Leonardo e Marlon sucumbiram às investidas coloradas em diversos momentos. Além dos gols sofridos, o Inter ainda acertou duas bolas na trave. O placar poderia ter sido mais elástico.
Do meio para frente, a equipe pouco produziu. Cristaldo voltou à velha rotina apagada em jogos grandes. Arthur foi vigiado o tempo inteiro por uma marcação serrada e não encontrou espaços para pensar o jogo.
O Grêmio atacou pouco e defendeu mal — uma combinação fatal. E o que fica de lição para Luís Castro? A primeira é clara: não é momento de terra arrasada. O trabalho está no início, e Gre-Nal não pode ser sentença definitiva. O tempo costuma curar as feridas de uma derrota como essa.
Mas ajustes são urgentes. O Grêmio precisa marcar mais para se defender melhor. Mesmo com a entrada de mais volantes no segundo tempo, o meio-campo não ganhou robustez. Faltou equilíbrio, proteção e leitura coletiva.
Contratar um meia é prioridade. Mas organizar o sistema defensivo é emergência. Porque clássico não perdoa e a defesa gremista aprendeu isso da forma mais dura.