Reconciliação?
Queki: eu odeio te odiar, Ronaldinho
Documentário da Netflix traz a tona tema sensível entre os gremistas


O ótimo documentário da Netflix sobre um dos maiores talentos do futebol — Ronaldinho, lançado na última quinta-feira (16) — inevitavelmente trouxe à tona um assunto delicado para os gremistas. Será que pode existir um perdão a Ronaldinho Gaúcho?
Não tenho dúvidas de que ele é a maior marca que o Rio Grande do Sul já produziu, e confesso que a série me trouxe um misto de sentimentos. Primeiro de tristeza, por todo desfecho que tivemos, e segundo de inveja, afinal, é lógico que o Grêmio merecia caminhar junto dele em toda sua história de uma forma positiva.
Primeiras rusgas
É bem verdade que toda a narrativa tem várias versões, mas há também a leitura de uma torcida que viu um dos maiores talentos já produzidos em casa preterir duas vezes o clube que tanto amamos.
A primeira eu nem condeno tanto, acho realmente que o Grêmio foi incompetente na época. A família Assis poderia ter tido bom senso e gratidão em negociar uma saída pela porta da frente? Com certeza. Mas faltou competência à direção em se antecipar e proteger o patrimônio do clube.
Pois bem, ali já existiu uma grande rusga com a torcida. Mas ainda assim, eu amava Ronaldinho. Sem dúvida alguma, R10 fez parte da minha infância e foi o maior que já vi jogar. Ele era realmente brilhante, encantador, gênio. Lembro de tentar copiar suas jogadas nas peladinhas com amigos em algum campinho da Praia do Barco, onde passei boa parte da minha infância e adolescência.
Fiquei muito brava com Dunga pela sua não convocação à Copa do Mundo de 2010. Pra mim, era óbvio que ainda existia também uma certa bronca do ex-treinador por ter sido humilhado pelo craque gremista naquela final de Gauchão de 1999.
Novo ressentimento
Mas em 2011 senti uma mágoa devastadora. Eu estava ansiosíssima pela possibilidade de retorno de Ronaldinho ao Grêmio. Consumia toda e qualquer informação sobre o assunto, estava no início da carreira, ainda não tinha criado fontes no clube, mas o que se sabia pelos corredores é que todos preparavam sua volta.
Eu nunca vou esquecer daquela coletiva no Copacabana Palace, quando perguntado sobre seu destino, Ronaldo respondeu:
— O Grêmio tem a minha cidade, Palmeiras tem Felipão, mas o Flamengo é o Flamengo.
Ali eu vi que perderíamos novamente essa batalha e a mágoa tomou conta do meu coração. Ronaldinho tinha tudo pra fazer as pazes com a torcida do Grêmio mas não quis, e ninguém vai tirar isso da minha cabeça.
Meu ressentimento é tão grande que em 2015, ele estava no Fluminense e eu trabalhava na TV Globo do Rio. Em uma oportunidade de gravação nas Laranjeiras, fiquei cara a cara com Ronaldinho e não fui capaz de pedir uma foto.
Meu olhar para ele foi de tristeza profunda, um sentimento que não sei explicar. Eu estava em frente a um dos maiores ídolos do futebol mas, naquele instante, havia mais silêncio do que admiração.
Dito tudo isso, acho que é improvável estabelecer uma reconciliação entre gremistas com Ronaldinho. Penso que cada um deve seguir o seu caminho, carregando a inevitável pergunta sobre como poderia ter sido se tivéssemos caminhado juntos.
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