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Em outro Brasil

Inter se aventura no Acre distante

Colorado buscou informações com clubes, agentes e cônsul

29/03/2013 - 07h49min

Atualizada em: 29/03/2013 - 07h49min


Estádio Arena da Floresta, em Rio Branco

O Acre é longe. Por isso, o Inter acionou seus detetives para conhecer melhor o lugar em que estreará na Copa do Brasil. Na quarta-feira, o time enfrenta o Rio Branco, na Arena da Floresta. A viagem está organizada, só falta fazer as malas e embarcar às 17h40min na segunda-feira.

Mas fechar esse pacote exigiu ginástica. Que o diga Adriano Loss, responsável pela logística do Inter há quase dez anos. Adriano exibe no currículo o Mundial de Yokohama e o de Dubai, além de lugares exóticos como Tuxtla Gutiérrez, casa do mexicano Jaguares. Ele nunca havia passado nem perto de Rio Branco. Para se inteirar, fez um primeiro contato com o supervisor do Cruzeiro, Beneci Queiroz. Em 2012, os mineiros enfrentaram o Rio Branco.

Informações com o Cruzeiro

O hotel indicado pelo Cruzeiro estava lotado. Loss encontrou outro, o Pinheiros Palace, três estrelas, bem diferente dos luxos aos quais a delegação está acostumada. Para não haver erro, Maurício Feijó, agente de viagens do clube, viajou seis horas do Rio, onde estava, até o Acre. Conheceu o hotel e conferiu locais de treinos.

O hotel estava aprovado, mas não havia restaurante nele. A opção oferecida seria atravessar a rua e usar o da filial, de duas estrelas. Normal para os mortais, deixar o hotel para fazer as refeições é quase inédito em clubes de primeira linha. Nesta semana, porém, Adriano recebeu a notícia de que o hotel improvisará uma cozinha para servir D'Ale e companhia.

DVD com jogo do Rio Branco

O Inter buscou informações sobre o ambiente da cidade. Aí entrou em ação um gaúcho desgarrado. José Luís Schafer, o Luís Tchê, é deputado estadual no Acre e cônsul do Inter. Mora em Rio Branco desde 1985, quando pegou seu caminhão caçamba em São Leopoldo e foi tentar a vida no Norte.

Tchê virou mais do que embaixador do Inter nestes dias. Ganhou papel de anjo da guarda. Garantiu junto ao governador que o time treine na Arena da Floresta na véspera do jogo. Isso se não chover. Como no Acre é inverno, "época das chuvas, quando faz menos 31ºC", o gaúcho já garantiu um plano B.

Domingo, ele mandou cinegrafista ao jogo do Rio Branco e enviou o DVD para Dunga. Não será por falta de detetives que o Inter se perderá no distante Acre.

Recepção colorada

Tchê conta 23 integrantes no seu consulado, o Acre Colorado. Só que dois deles moram em Cruzeiro do Sul, a 560Km de Rio Branco, na fronteira com o Peru. São poucos, mas fiéis e sócios do Inter. A meta é fazer esse número de associados saltar para cem até quarta-feira.

A colônia gaúcha em Rio Branco é grande, fruto da migração nos anos 70 e 80, para ocupar a parte Oeste do país. Mesmo que o Inter desembarque de madrugada, haverá carreata para escoltar a delegação até o hotel. Na véspera do jogo, jantar do consulado reunirá colorados da região.

Tchê fincou pés no Acre. Não cogita de voltar. Mas o Inter não é o único vínculo com o Rio Grande. Os dois filhos estudam em Porto Alegre. Ele, que foi a Dubai e à Bombonera torcer, já fez loucuras como sair de Rio Branco para vir ao Beira-Rio.

Arena e hotel simples

- O estádio - Tem capacidade para 14 mil pessoas sentadas. Mas apenas 10 mil lugares são liberados. Foi inaugurada em dezembro de 2006, em jogo Rio Branco 2x1 seleção sub-20. Muriel era o goleiro da seleção.

- O hotel - Localizado na região central de Rio Branco, o Pinheiros Palace é um três estrelas e receberá o Inter. Em seu site, anuncia quartos amplos e sete canais de tevê a cabo.

- 85% da área do Acre é composta de mata

- 557 mil é a população do Estado. Desses, 253 mil moram na capital, Rio Branco.

- O clube - É o segundo colocado do Campeonato Acreano. Ontem, jogaria clássico contra o Atlético Acreano, na Arena da Floresta. O Galo Carijó, como é conhecido, tem 93 anos e aposta na manutenção dos jogadores. O time é formado basicamente pelos mesmos nomes há sete anos e os salários não pasam de R$ 5 mil. O craque é o meia Testinha, 35 anos. Há 11 anos no time, o atacante Juliano César é o maior goleador da história do campeonato acreano, com 83 gols.

- Terra de gaúcho - Assim como os gaudérios, os acreanos são orgulhosos do seu Estado. Cantam o hino a plenos pulmões, conta Luís Tchê. A semelhança não é gratuita. Lá também pegou-se em armas. No caso dos acreanos, liderados pelo gaúcho Plácido de Castro a guerra contra os bolivianos acabou em independência, em 1902. Em 1903, o Barão de Rio Branco conduziu a compra do território à Bolívia.

Damião fora

O Inter não terá o centroavante na estreia na Copa do Brasil. Suspenso por dois jogos, pela expulsão no Gre-Nal de 4 de dezembro, Damião cumprirá o primeiro jogo quarta-feira. Nem viajará com a delegação. A tendência é de que ele seja convocado para o amistoso da Seleção contra a Bolívia, dia 6.

 


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