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No Maracanã

Caio, o atacante colorado que veio dos Estados Unidos

Atacante de 23 anos será titular esta noite contra o Flamengo, em amostra de que acertou ao trocar convites de universidades americanas para tentar a sorte no Brasil

10/10/2013 - 10h01min

Atualizada em: 10/10/2013 - 10h01min


Ele vem na direção contrária da turma dos encabulados. Ri ao revelar uma bola-fora que deu ao chegar em Boston, nos Estados Unidos, onde morou dos dez aos 16 anos. Promovido a titular nesta noite, contra o Flamengo, pelo técnico interino Clemer, Caio estará, às 21h, no quintal de casa. Filho ilustre de Volta Redonda, no Sul do Rio de Janeiro, o atacante pretende saciar um pouco da saudade de parte da família. São seis meses sem ver os pais.

Saudade essa com a qual Caio aprendeu a conviver muito cedo, quando decidiu que era hora de trocar o sonho americano pelo sonho de ser jogador no Brasil. Da mãe, Nelma Canedo Corrêa, 55 anos, ficou quatro anos longe. Do pai, Luiz Alberto Rodrigues Corrêa, 55 anos, foram outros dois.

Atacante morou seis anos nos EUA

A carreira fora do Brasil tinha tudo para ser promissora. Caio fez nos Estados Unidos sua formação no futebol. A agilidade em campo carimbou o seu passaporte. Despertou interesse dos técnicos das seleções americanas de base. Deixava orgulhosos os pais, que haviam largado a industrial Volta Redonda em busca de trabalho e dólares nos EUA. A mãe era doméstica, e o pai, pintor.

Gols por Botafogo e Figueirense

O futebol fez com que Caio recebesse propostas das sete melhores universidades locais. Ofereciam bolsas de estudo em troca de seus gols. Não foi suficiente.

- Eu precisava saber se tinha potencial para jogar no futebol brasileiro. Por isso, voltei - lembra Caio.

O atacante retornou sozinho, com uma meta de vida: chegar à Seleção Brasileira. Aprovado nos testes no Volta Redonda, jogou lá de 2007 a 2009.

As boas atuações trouxeram destaque, e ele trouxe o pai de volta dos EUA. Era preciso alguém para administrar a carreira. Em seguida, Caio foi vendido ao Botafogo, onde ganhou o Carioca em 2010 e a Copa Rio em 2012. Depois disso, trocou o Rio pelo Figueirense. Destaque, havia feito nove gols, mas se lesionou e viu o time ser rebaixado. Em dezembro, veio a proposta do Beira-Rio. Topou na hora.

Confira no vídeo curiosidades do futebol nos EUA contadas por Caio:

 

Oferta milionária de clube chinês

Caio via o Inter como "muito acima dos outros". Por isso, recusou oferta da China. Eram cifras que garantiriam o sossego de mais uma geração dos Canedo Corrêa. Mas preferiu contrato de cinco anos em Porto Alegre. Hoje, se diz adaptado à cidade. Comprou casa no Bairro Espírito Santo, na Zona Sul, que divide com a mulher. Mantém ainda viva a lembrança dos primeiros dias de Inter. Diz que se flagrava sonhando acordado:

- Sentava no ônibus e via Forlán, Juan, D'Alessandro. Me perguntava: "Será que estou sonhando?"

Não estava. O sonho pendente é o da Seleção, traçado lá atrás, quando veio dos EUA. Aposta que concretizará pelo Inter. Enquanto isso, trabalha para garantir lugar no time. Por enquanto, é interino como o novo chefe.

Neto carinhoso

Nos pulsos, o atacante carrega a gratidão em forma de tatuagem. O carinho é para as duas avós, já falecidas. Foram as responsáveis por dar segurança quando ele decidiu voltar ao Brasil.

- Morava com elas, sempre me deram total apoio. A casa de uma era muito próximo da outra (Natalina e Maria). Elas foram tudo para mim - recorda o jogador, que na época tinha 16 anos.

Futebol americano

Em Boston, Caio sentiu na pele que uma palavra acrescuda pode mudar totalmente um esporte. Aventurou-se no futebol americano, aquele dos encontrões e dos brutamontes. Uma experiência, digamos assim, para ser esquecida.

- Eu era o running back, o cara que recebe a bola e corre. Sempre fui magrinho e ágil, né? Levei uma cabeçada e caí.Quando fui levantar, um gordinho se jogou por cima de mim. Quebrei o pulso. Meu pai nunca mais me deixou jogar - recorda-se, aos risos.

Com Dunga em Boston

O encontro com Dunga no Inter não foi o primeiro. Aos dez anos, em Boston, Caio atacou de gandula em jogo do master da Seleção Brasileira contra a equipe de Nova York, que tinha como um dos convidados seu pai. Como bom torcedor, aproveitou para tirar uma foto com aquele que, 13 anos depois, seria seu chefe no Beira-Rio.

- Surgiu a oportunidade de ficar perto de Dunga, Careca, Branco... Meu pai falava muito deles. Apareceu essa chance e eu estava lá, agarrado com o Dunga. Veja como esse é mundo pequeno - espanta-se, se referindo ao ex-técnico do Inter.

Eu sou o Yes

Para os amigos dos tempos de EUA, Caio é Yes (sim, em inglês). A história é revelada, às gargalhadas pelo atacante. Recém-chegado a Boston, com dez anos, cursava a terceira série. Teve a dura missão de encarar a escola sem saber uma palavra de inglês.

O nervosismo do primeiro de dia de aula fez com que Caio torcesse em pensamento que a professora não o chamasse na apresentação. Não só apenas foi chamado como foi o primeiro a ser escolhido. A professora fez uma pergunta básica:

- What's your name? (Qual o seu nome, em inglês).

Caio tremeu as pernas. Nervoso, se embaralhou. Ele mesmo conta:

- Fiquei tão nervoso que larguei um yes (sim). Não precisou de mais nada. Era uma gargalhada geral.

A partir disso, deixou de ser Caio na escola. Virou o Yes.


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