Paixão colorada
Marcelo Gonzatto: título é bom, mas conta em dia é melhor
Clube com finanças equilibradas tem mais chances de enfileirar bons resultados


É natural que o torcedor comece 2020 ansioso por disputar e ganhar títulos, até porque já faz tempo demais que o Inter não ergue uma taça de peso. Também se compreende que colorados fiquem na expectativa por contratações capazes de fazer a diferença em campo.
Mas é arriscado cair em uma armadilha nestes períodos de reconstrução de elenco e tentativa de pôr fim à seca de conquistas: dar um passo maior do que a perna, o que só Rodrigo Dourado consegue, e comprometer ainda mais um balanço financeiro que já é preocupante — a direção projeta déficit de R$ 13 milhões neste ano.
Por isso, se ganhar título é bom, priorizar a saúde financeira é ainda melhor. Um clube com as contas em dia tem uma chance muito maior de enfileirar uma sequência longa de bons resultados depois, mesmo que para isso não obtenha o resultado esperado imediatamente. O próprio Inter, após o "Relatório Medina" (lembram dele?) fazer uma devassa no Beira-Rio duas décadas atrás, seguiu essa receita e conquistou a América e o mundo.
O mau exemplo de Minas
O recém-rebaixado Cruzeiro serve de (mau) exemplo de como o descontrole nos gastos e na administração levam um time para o ralo rapidamente. Os mineiros ganharam a Copa do Brasil em 2018, o que ajudou a esconder o crescimento vertiginoso das dívidas. Agora, a taça está no armário, mas o clube está na Série B sob séria ameaça de se tornar inviável como instituição de primeira grandeza.
Neste período de ansiedade por contratações e de tentação de cometer alguma loucura, é recomendável que a direção siga vasculhando o mercado com a precaução de não sacrificar o orçamento. Título é bom, desde que não seja protestado.