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Paixão Colorada

Lelê Bortholacci: lockdown, incoerência e futebol na terra do Gre-Nal

Prefeitura de Porto Alegre precisará sustentar as restrições para manter critério que levou ao veto do clássico

20/07/2020 - 09h00min


Ricardo Duarte / Inter/Divulgação
Beira-Rio dispõe de estrutura de segurança sanitária muito melhor do que qualquer outro estádio do Rio Grande do Sul

Vivemos um período de total esquizofrenia e falta de critérios. Fica difícil emitir uma opinião e sustentá-la. Tudo pode mudar de um dia para o outro. A mesma prefeitura que elogiei neste espaço por vetar, com bons argumentos, o Gre-Nal em Porto Alegre mantém outros eventos que não dispõem de estrutura semelhante à que estava sendo montada no Beira-Rio.

Ao mesmo tempo, uma boa parcela dos porto-alegrenses segue levando a vida na maior normalidade, lotando parques e praças nos lindos dias do final de semana. Enquanto isso, os gestores dos principais hospitais da cidade imploram para que as pessoas fiquem em casa, informando que estamos chegando ao colapso do sistema de saúde. Pura esquizofrenia.

Treinos em Porto Alegre, testes e viagem na véspera: a logística do Inter para jogar o Gre-Nal em Caxias do Sul

O lockdown vai acontecer. Assim como o futebol. O próximo capítulo do nosso drama poderá ser, incrivelmente, o anúncio do bloqueio total da capital gaúcha na mesma semana da volta dos jogos e com um Gre-Nal que, ao que tudo indica, será jogado em Caxias do Sul.

Decisão temerária

Aí eu me pergunto: não seria temerário deslocar para a Serra os envolvidos no jogo — delegações, arbitragem, funcionários da federação, imprensa, entre outros — considerando que todos eles sairão da capital, onde a doença está bem mais espalhada do que em Caxias do Sul?

Para um leigo como eu, fica difícil de entender certa decisões. O esquizofrênico 2020 recém passou da metade. E não para de nos surpreender. 


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