Futuro
Nani Chemello: Minha maior frustração após a eliminação da Seleção na Copa do Mundo
Não vejo solução a curto prazo para o Brasil


Mais calma após a eliminação, já começo a projetar o futuro. Ele começa com Carlo Ancelotti. Apesar dos erros do italiano ao longo dessa Copa, o ciclo com vários treinadores atrapalhou o processo. Ainda assim, o problema é muito maior do que apenas dar continuidade ao trabalho. Afinal, com Tite essa sequência existiu, e as eliminações em Copas do Mundo foram igualmente frustrantes.
A questão que mais me preocupa é a formação de novos talentos. Não apenas de grandes craques, mas de jogadores que carreguem uma identidade com o futebol brasileiro e criem conexão com o torcedor.
Defasagem
Um bom exemplo da defasagem da nossa base, é que no último Mundial Sub-20, o Brasil caiu ainda na primeira fase, enquanto seleções como Espanha, Colômbia, México, Noruega, Inglaterra, Estados Unidos, Marrocos, Argentina e França avançaram às quartas. Além disso, nas últimas cinco edições, o Brasil sequer conseguiu a classificação para duas delas. A dificuldade em formar jogadores inevitavelmente se reflete na Seleção principal.
Há também a transformação no próprio futebol brasileiro. Nossos jovens deixam o país cada vez mais cedo, a maioria aos 18 anos. Com isso, perdem tempo de amadurecimento no futebol nacional, o torcedor cria menos identificação e aquele estilo brasileiro da “alegria nos pés” vai desaparecendo.
A reconstrução, portanto, passa por muitos processos. Obrigatoriamente, a CBF que precisa olhar para isso. E é justamente por depender da entidade que me sinto frustrada e com pouca esperança no futuro da Seleção Brasileira.