Dupla Gre-Nal



Andarilhos do Gauchão

Com apenas 21 anos, Bergson já esteve na Ásia e na Europa

Promessa tricolor em 2009, jogador afirma que amadureceu por conta das experiências

17/01/2013 - 08h42min

Atualizada em: 17/01/2013 - 08h42min


Maurício Reolon
Maurício Reolon
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Guri rodado esse Bergson

Surgido como promessa no Olímpico, em 2009, Bergson passou pela Coreia do Sul, no ano seguinte, e por Portugal, no ano passado. Das viagens, trouxe a responsabilidade e a experiência que, acredita, vão lhe ajudar neste retorno ao Gauchão, campeonato que disputou ano passado quando esteve no Ypiranga.

Bergson limpava a casa na Coreia

O Bergson que chegou ao Juventude é bem diferente do guri que surgiu como promessa no Grêmio em 2009. Pode-se dizer que nestes três anos ele amadureceu à força. Aos 21 anos, o centroavante registra no passaporte passagens por Coreia do Sul e Portugal.

O próprio jogador admite que deixar o conforto e os mimos da casa dos pais na Capital para se virar do outro lado do mundo ajudou. Teve que lavar a roupa, cozinhar e até aprender algumas palavras em coreano.

Agora, se diz maduro e confiante de que pode confirmar as apostas de quem o indicou como promessa:

- Aqui no Juventude tenho tudo para dar certo. Há dois anos, me sentia um menino no meio dos experientes. Agora, sei o que tenho que fazer.

Natural de Alegrete, Bergson surgiu no Flamengo, clube da sua cidade. Passou pela base do Inter, dos 12 aos 15 anos, e tomou o caminho do Olímpico. Em 2009, chegou ao grupo profissional e também foi goleador na campanha do bi brasileiro sub-20. Recebeu boas oportunidades, não se firmou e acabou emprestado ao Suwon Bluewings, da Coreia do Sul.

- As principais dificuldades eram a alimentação e a comunicação. Fiz um mês de aulas intensivas de inglês, mas lá os caras só falavam o coreano. Chegava no restaurante e no McDonald's, por exemplo, e apontava o que queria comer - conta.

Vencida a etapa de escolher o prato, vinha a segunda, que era comer:

- Tinha muita pimenta em tudo. Foram oito meses comendo arroz e frango ou outra carne.

No dia a dia no clube, Bergson contava com tradutor para entender as orientações, e o centroavante Marcel, outro ex-Grêmio, para dividir as aflições. A rotina de treinos era exaustiva, por vezes com três turnos diários e muito trabalho físico.

- Fui muito novo para a Coreia. Lá aprendi a ter responsabilidade, especialmente com horários e os deveres da casa. Quando não sabia alguma coisa, ligava a internet e pedia para o meu pai uma ajuda - recorda o jogador.

Bergson voltou da Coreia, rodou por Vila Nova-GO, ainda 2011, e Ypiranga, pelo qual disputou parte do Gauchão de 2012. Em julho, encarou outro desafio no Exterior. O Grêmio o emprestou ao Braga, de Portugal. Como o clube é repleto de brasileiros e sem tropeçar no idioma, a vida foi mais fácil. Mas uma lesão o atrapalhou e pouco jogou nos seis meses na Europa. Ficou a lição dos técnicos:

- Dentro de campo, existe muita cobrança tática. Isso, por vezes, chega a atrapalhar a questão individual dos jogadores. Fora de campo, conseguia ir ao cinema, conhecer a cidade.

O Juventude surge como a chance de retomada de uma carreira promissora, que já teve até convocação para a seleção sub-20. Na estreia com a camisa verde e branca, contra o Santa Cruz, veio o primeiro gol. Tudo conspira a favor de Bergson. E o melhor, sem pimenta na comida e roupa para lavar.

Juventude

Colocação em 2012: 7º
Técnico: Luis Carlos Cirne Lima, o Lisca
Quem chegou: Eduardo Brock (Z, Novo Hamburgo), Teco (Z, Brasiliense), Léo Piaia (Z, Inter B), Robinho (LE, Cuiabá), Romano (LE, Joinville), Murilo (LD, Bragantino), Dê (V, Luverdense), Cristian Lucca (V, São José-PoA), Léo (M, SV Grödig/Aut), Rogerinho(M, Cerâmica), Gilmar (A, Novo Hamburgo) e Bergson (A, Grêmio).

Time-base:
Fernando; Murilo, Rafael Pereira, Diogo e Robinho; Fabrício, Jardel, Diogo Oliveira, Alan e Rogerinho; Zulu.


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