Andarilhos do Gauchão
Do Ramadã para Caxias
Meia-esquerda Renato Medeiros, 30 anos, veio do Irã para reforçar o Caxias


O mundo fez bem a Renato Medeiros, meia-esquerda de 30 anos que veio do Irã para indicar os caminhos do Gauchão ao Caxias. Foi em suas andanças pela Ásia que ele aprendeu o inglês, conheceu a cultura dos muçulmanos e, é claro, garantiu um futuro com conforto e tranquilidade para sua família. Renato é o 11º personagem da série Andarilhos do Gauchão.
Renato só usava calça jeans no Irã
Renato Medeiros é um sujeito inteligente, fluente em inglês e bem articulado. Meia-esquerda à moda antiga, 30 anos, cresceu na base do São Paulo. Passou por Ponte Preta e Portuguesa Santista antes de descobrir um mundo novo na Ásia. De volta ao Brasil, ele será o camisa 10 do Caxias.
- Não teria sentido sair do Brasil se não fosse pelo financeiro. Há seis, sete anos, quando fui pela primeira vez para Omã, ganhava-se cinco, seis vezes mais do aqui - explica.
Renato rodou por Omã, Irã e Coreia do Sul. Mas é do Irã que guarda as melhores recordações. Lá o futebol se profissionalizou bem antes dos demais mercados asiáticos. Os estádios enchem, a média é de 30 mil pessoas por jogo, e há jogadores estrangeiros de alto nível. Isso facilitou a adaptação. Tanto que atuou três temporadas no país. Primeiro, no Sanat Naft (2007 a 2009), clube do governo, e por último no Bargh Shiraz (2011/2012), time da companhia elétrica. Em Omã, em 2006, atuou no Muscat Club, da Capital. Na Coreia do Sul, jogou no Gangwon.
- Gostei mais do Irã, me socializei melhor. O futebol é profissional lá há mais tempo, esteve em várias Copas do Mundo - conta Renato.
Para encarar a vida fora do Brasil, o meia aprendeu inglês, estudou a cultura dos países, se acostumou com a culinária local e se interessou até pela história de cada região.
- No Irã, não podia andar de bermuda e regata na rua. Usava calça jeans. Minha mulher sempre andava com aquele negócio na cabeça (chador) e roupa folgada. Respeitávamos isso, assim como o silêncio na hora da reza deles - revela.
Sobre religião muçulmana, coleciona relatos mais curiosos:
- Quando estão no Ramadã (mês em que os muçulmanos seguem jejum enquanto tiver luz natural), o técnico parava o treino para os iranianos rezarem. Os estrangeiros esperavam aquecendo. É estranho ver um atleta ficar das 6h às 19h em jejum de água e comida. Vi jogador desmaiar - lembra o meia, pronto para estrear no Gauchão.
Caxias
Colocação em 2012: Vice
Técnico: Antônio Picoli
Time-base: André Zuba; Alisson (Jackson), Jean, Lino e Dener; Umberto, Paraná e Renato Medeiros; Michel (Cleberson), Rafael Santiago e Zambi.
Quem chegou: André Zuba (G, Botafogo-PB), Léo Korte (Z, 14 de Julho), Alexandre Lando (V, 14 de Julho), Renato Medeiros (M, Bargh Shiraz/Irã), Michel (M, Novo Hamburgo), Zambi (A, Macaé-RJ), Marcelo Fernandes (A, Innsbruck-AUS).