Clássico 449
Luciano Périco: cautela será a palavra de ordem para Inter e Grêmio no Gre-Nal
Medo da derrota, calendário pesado e times em construção moldam o confronto de domingo, no Beira-Rio


Não gosto de apontar favorito em Gre-Nal. Acho um conceito frágil, apenas para gerar discussão. Clássico não se decide no discurso da semana, muito menos em recortes apressados de começo de temporada. Para qualquer projeção minimamente responsável, é preciso olhar o momento de cada equipe. A grande verdade é que a amostragem de Inter e Grêmio ainda é muito pequena para avaliações definitivas.
Isso não significa fugir do debate para escolher quem chega melhor. É fundamental entender o contexto. Não é hora de endeusamentos, nem de cancelamentos com base em poucas partidas contra adversários frágeis. Luís Castro e Paulo Pezzolano ainda estão no início do trabalho, ajustando ideias, testando peças e lidando com a falta de tempo para treinar por causa do calendário insano.
Por isso, a cautela tende a ser a palavra de ordem no Gre-Nal 449. Com a classificação às quartas do Gauchão praticamente encaminhada, o empate não é um mau resultado pensando na sequência. Ainda mais levando em conta a estreia no Brasileirão já na quarta-feira, fator que pesa muito na postura dos dois times.
Como chegam as equipes
O Grêmio é um time em construção. Chega ao clássico com um argumento relevante: investiu mais para reforçar o elenco. Luís Castro ganhou opções que não Mano Menezes tinha em 2025, o que amplia o leque de soluções. Carlos Vinícius vive um grande momento desde o ano passado, com altíssimo índice de aproveitamento nas chances de marcar. Weverton e Tetê, estreantes no Gre-Nal, agregam grande qualidade e podem desequilibrar.
Por outro lado, o Inter mantém praticamente a mesma base de um time que flertou perigosamente com o rebaixamento. A desconfiança é grande e o elenco sabe que precisará reconquistar o torcedor. As contratações ainda não empolgaram e terão que construir sua história no clube. E quem permaneceu no Beira-Rio ganha a chance de um recomeço.
Ainda assim, é impossível esquecer a qualidade de jogadores como Rochet, Mercado, Bernabei, Bruno Gomes, Alan Patrick e Borré. Talento existe. E o fator local pode pesar. Jogar em casa segue sendo uma vantagem indiscutível para o Colorado.
No fim das contas, é um Gre-Nal com cheiro de empate. Um clássico mais estratégico do que emocional. Mas com um detalhe importante: quem perder o 449 coloca um ponto de interrogação no meio do caminho — e isso, sim, pode pesar no que vem pela frente.
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