Rivalidade
"Um Gre-Nal sempre tem consequência": o que vale para Inter e Grêmio o clássico deste sábado
Jogo da 11ª rodada do Brasileirão está marcado para 20h30min, no Beira-Rio

Esqueça, por um momento, os times envolvidos. Imagine um jogo entre o 11º e o 13º colocados do Brasileirão, às 20h30min de sábado, pela 11ª rodada. Alguém deixaria de lado qualquer programa para assistir a essa partida?
Um jogo que, para a tabela, vale pouco mais do que três pontos. Os dois times estão somam 12 pontos. Juntos, não alcançam os 25 do líder Palmeiras. É improvável, portanto, que disputem o título. Pudera: um vai para 47 anos desde a última conquista de Brasileirão, o outro completa três décadas da última volta olímpica na principal competição nacional.
Como tem a mesma situação, o cálculo é igual. Se tudo der certo, quem vencer termina a rodada em sétimo lugar. Se tudo der errado, o derrotado vai para a segunda página, a um ponto do Z-4. Jogo sem atrativos, diríamos.
É que não se trata somente do confronto entre o 11º e o 13º, de times que não têm lá grandes aspirações no Brasileirão. É um duelo que vale, dentro de uma cultura, quase tanto quanto a conquista nacional. O Gre-Nal é o campeonato dentro de outro campeonato. Os três pontos que contam mais do que os outros. Tranquilidade contra crise, sequência contra interrupção, certeza contra dúvida, afirmação contra interrogação. É Gre-Nal, e um Gre-Nal sempre tem consequência.
Essa frase, "Um Gre-Nal sempre tem consequência", foi a definição de José Alberto Andrade, possivelmente o repórter que mais viu clássicos na privilegiada posição atrás do gol. Ele sabe bem o quanto influencia no Estado um simples jogo entre Inter e Grêmio. Vencer ou perder mexe com o humor das torcidas, com a estabilidade (ou instabilidade) do vestiário, com a segurança (ou insegurança) de trabalhos.
Paulo Pezzolano tem vivido essa rivalidade intensamente. Seu primeiro Gre-Nal foi o de consagração. Seu segundo foi o de terror. Falou sobre favoritismo, transferiu para o Grêmio antes, pegou para si agora. Confirmou a ansiedade por dar resposta depois de ter perdido a decisão do Gauchão:
— O Gre-Nal é um campeonato à parte, se vive diferente. Precisamos dos três pontos e fazer um bom jogo. Vamos dar o melhor de nós.
Luís Castro tem outros problemas. Sua equipe passa por turbulência, precisa reagir imediatamente. Há críticas e enquetes sobre seu futuro. Esperava-se mais de um time que investiu mais. Mas ainda que sem a eloquência do uruguaio, colorado sente o peso do Gre-Nal. Tanto que arriscou (e se deu mal) na Sul-Americana ao preservar jogadores e perder para o Torque. Ele mesmo confirmou que preservou atletas:
— O critério para a escalação foi o de não dar os 90 minutos aos jogadores que pensamos que podem jogar o Gre-Nal.
É aí que reside o grande problema do jogo entre o 11º e o 13º. É impossível esquecer quais são os times envolvidos.