Dupla Gre-Nal



Antes da bola rolar

Entre santinhos, promessas e desânimo: o clima dos torcedores para o Gre-Nal 454

Clássico irá definir um semifinalista da Copa do Brasil pela segunda vez na história

03/09/2026 - 08h12min

Atualizada em: 03/09/2026 - 08h12min


Antonio Oliveira
Antonio Oliveira
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Ricardo Duarte/Agencia RBS
Jogo ocorrerá nesta quinta-feira (3), na Arena.

O Gre-Nal 454 é um dos mais importantes da história. Além de toda a tradição envolvida, da zoação com o derrotado, o clássico irá definir o último semifinalista da Copa do Brasil. É apenas a segunda vez que isso acontece, sendo a primeira em 1992, quando o Inter passou nos pênaltis e foi campeão na sequência.

Desta vez, o Grêmio é quem decide em casa. Nem mesmo a 15ª colocação do Campeonato Brasileiro deve afastar o torcedor da Arena, já que o estádio pode registrar o seu maior público em jogos oficiais, algo próximo de 56 mil torcedores. 

— Ultimamente, o Grêmio está me decepcionando, mas a gente não perde a fé. Temos que ter amor à camisa e ter o pensamento positivo de que vai dar. Amanhã, tem que dar — contou a operadora de telemarketing Paola Barbosa, que está se programando para ver o jogo junto da Geral do Grêmio, na Arena.

O cenário de pouco otimismo é igual no lado colorado. O Inter é o 18° lugar do Brasileirão, na zona de rebaixamento. Em um momento como esse, não são todos que encontram a empolgação necessária para acompanhar o clássico.

— Não estou muito (empolgado). O meu time não está muito bom, mas temos esperança. Se classificar, vou fazer uma festinha com os amigos colorados. Tenho fé, mas não vou fazer promessa — contou o aposentado Luiz Carlos Conceição, que é colorado.

Promessas cada vez mais raras

E por falar em promessa, a situação dos dois times tornou essa tradição mais incomum, já que a disputa por títulos passou a ser algo distante de Grêmio e Inter. Nas ruas de Porto Alegre, os torcedores tem mais facilidade para lembrar das que já cumpriram do que para pensar em novas ideias em caso de classificação.

É o caso do motorista de ônibus Fábio de Santos Cristiano. Mesmo colorado, ele não tem acompanhado o clube e garante que esse "desânimo" surgiu nos últimos anos. Mesmo assim, lembra com carinho da maior promessa que já cumpriu por conta do futebol.

— Fiz uma promessa em 2006, quando o Inter foi campeão mundial. Eu disse que ia pintar o cabelo de vermelho se ganhássemos do Barcelona e pintei. Fiquei uns quatro meses assim, mais ou menos. Promessa é dívida — lembra Fábio, que não fará muita questão de prestar atenção no clássico desta quinta:

— Quem vive de ilusão é sonhador. Se classificar, vou comemorar, mas não vou ficar achando que vai ser campeão.

Para outros, como Paola Barbosa, a promessa não deu certo da última vez que tentou. Desde então, ela não repete a tentativa e culpa a má fase do Grêmio como motivo para não se empolgar tanto.

— Se o Grêmio ganhasse o Gre-Nal do começo do ano, do Gauchão, eu ia parar de fumar. No fim, o Grêmio perdeu e eu continuo fumando (risos). Agora, não tenho promessa, porque a expectativa está baixa. O último jogo foi uma vergonha — contou a operadora de telemarketing.

Fé e superstição

Há também quem se apegue na fé antes do clássico, como o aposentado Manoel Alves. Para o gremista, esse é o pior elenco que viu no clube nos mais de 60 anos que torce para o Tricolor.

Entretanto, ele não abre mão da imagem de Santa Rita de Cássia que carrega na carteira. É para ela que pede as vitórias do Grêmio e que irá pedir a classificação na Copa do Brasil.

— Eu tenho a minha santinha e eu sempre peço para ela. E ela me ajuda — contou Manoel Alves.

Antonio Oliveira/Agência RBS
Imagem de Santa Rita de Cássia está sempre junto de Manoel Alves.

E o aposentado vai além. Garante que não vai acompanhar o jogo na tentativa de dar sorte:

— A promessa é antes do jogo. Não vou ver, nem escutar. Às 22h30min vou ligar o rádio para ver quem ganhou.

Os dois caminhos do Gre-Nal 454

O primeiro deles é a vaga na semifinal da Copa do Brasil. Com o empate sem gols na ida, uma vitória simples nesta quinta-feira (3) classifica uma das equipes. Em caso de nova igualdade, a classificação será definida nas penalidades.

Mas o segundo cenário diz respeito à sequência na temporada. O vitorioso pode receber uma injeção de ânimo para fugir das proximidades da zona de rebaixamento. Já o derrotado tem grandes chances de ser atordoado pelo golpe e amargar na parte de baixo da tabela.

Nesta quinta, fé, promessas e superstições estarão lado a lado, por menor a quantidade delas. Resta saber se o campo vai entregar algo diferente das atuações pouco inspiradoras dos últimos jogos.

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