Desde berço
“Maior rivalidade do mundo”: casal de torcedores de Grêmio e Inter transmite aos filhos a paixão pelo Gre-Nal
Pai gremista e mãe colorada inspiram os filhos Lorenzo e Angelo a se apaixonarem pela Dupla e pelo clássico

Não é por acaso que o Gre-Nal é uma das maiores rivalidades do mundo. E nesta quinta-feira (3), mais um capítulo desta história será contado com o clássico de número 454 pelas quartas de final da Copa do Brasil.
Ao longo de 117 anos de disputa, o confronto tomou proporções que extrapolam o campo, ganham as arquibancadas e invadem os lares, como o do casal Anderson Viesseri e Karina Prestes de Assis, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre.
Em 2018, quando o filho Lorenzo ainda estava na barriga de Karina, o pai gremista e a mãe colorada contaram à Zero Hora que a criança seria "Gre-Nal" até ter idade para escolher o próprio time. O casal, que vive a rivalidade dentro de casa, decidiu que a escolha seria do menino. Oito anos depois, a história ganhou um desfecho: Lorenzo está decidido.
A atualização chega às vésperas de um capítulo histórico do clássico. Além disso, a família também cresceu desde a primeira reportagem. Há três anos, Lorenzo ganhou um irmãozinho, Angelo, que ainda não definiu para qual lado vai torcer.

Gre-Nal dentro de casa
Anderson, 45 anos, é administrador de empresas. Karina, 42, é médica veterinária. Juntos há 18 anos, os dois estabeleceram, desde o início da relação, uma combinação para lidar com a rivalidade: cada um torce pelo próprio time, com espaço para brincadeiras e provocações, mas sem deixar que o futebol vire motivo para conflito.
— De maneira geral, é bem respeitoso. A gente não força muito para que um dos dois fique chateado — afirma Anderson.
Os Gre-Nais, normalmente, são acompanhados separadamente. Karina costuma ir ao Beira-Rio, enquanto Anderson acompanha o Grêmio na Arena. O estádio, aliás, é uma parte importante da relação da família com o futebol.
— Teve momentos em que a gente deixou de viajar para poder curtir os Gre-Nais nos estádios, principalmente em finais de campeonato — lembra Karina.
O gosto por acompanhar as partidas presencialmente também foi passado aos filhos.

A escolha de Lorenzo
Ainda na barriga da mãe, Lorenzo foi aos dois estádios. Karina chegou a presenteá-lo com camisas do Inter. A aproximação com o Grêmio, porém, foi a que vingou. O momento vivido pelo Tricolor durante os primeiros anos de vida do menino também pode ter ajudado na escolha.
— Foi meio natural. Muito cedo, ele começou a vir para o meu lado, e aí eu comecei a levá-lo ao estádio. Aí compra camisas, essas coisas. Ele chegou a ir ao Beira-Rio com ela, mas decidiu que gostava mais do Grêmio, acho que até porque pegou uma fase vitoriosa — explica o pai.
Lorenzo já participa das provocações dentro de casa.
— Até tira um "sarro" da mãe dele de vez em quando — conta.
Mas o menino já tem consciência do que significa o clássico.
— É a maior rivalidade do mundo! — comenta o garoto.
O irmão ainda é "Gre-Nal"
Se Lorenzo já escolheu o Grêmio, o irmão mais novo ainda mantém a disputa aberta. Aos três anos, Angelo alterna entre os dois times, e, durante a entrevista, chegou a interromper a conversa para dar sua própria versão.
— O Angelo tá mais tranquilo, a disputa, na verdade. O Anderson deixou o Angelo meio que liberado, já que ele já tem um gremista, né? E o Ângelo vai ser colorado, né? Ele fala que é colorado, mostra a preferência — diz Karina.
— Não, mãe! sou dos dois (times), mãe! Às vezes eu sou do Inter, às vezes depois eu sou do Grêmio — responde o garotinho.
Pai e mãe: cada um de um lado na hora do jogo
Em dia de Gre-Nal, a rivalidade começa antes mesmo de a bola rolar. As provocações podem aparecer durante o churrasco, com algumas "cornetadas". Para Anderson, isso faz parte da diversão, desde que permaneça dentro dos limites.
Um dos clássicos que mais ficaram na memória dele foi o Gre-Nal dos 5 a 0. Anderson estava no estádio e voltou para casa depois da goleada gremista. A recepção, porém, não foi das mais animadas.
— Não deu nem para tirar "sarro", porque ela estava bem brava com isso — lembra.
Para Karina, a lembrança mais marcante é de um clássico em que o resultado foi bem diferente:
— Para mim, o Gre-Nal mais marcante foi o 5 a 2 do Inter no Olímpico. O Gre-Nal do Fabiano, em 1997, foi o mais marcante para mim. O primeiro jogo a que fui na casa do Grêmio. E fui com meu pai. Estava bem legal, então ficou marcante para mim — conta Karina.
O Gre-Nal decisivo
Para o Gre-Nal desta quinta-feira, a família novamente estará dividida. Anderson vai à Arena, enquanto Karina ficará em casa com os filhos.
A torcida mista, que aproximou Anderson e Karina em 2018 e fez parte da história do "bebê Gre-Nal", hoje não existe mais. Para Anderson, isso tornou mais difícil reunir a família no mesmo estádio.
— Vai ser um Gre-Nal bem disputado e acredito em 1 a 0 para o Inter — opina Karina.
— Será um jogo de 1 a 1 e decisão nos pênaltis, com vitória do Grêmio — responde Anderson.
A rivalidade Gre-Nal será mais uma vez vivenciada na residência desta família apaixonada por futebol.
Sob supervisão do jornalista Felipe Bortolanza