Série A-2
Herói do São Paulo-RG na decisão, Luciano revela estratégia psicológica
Aos 43 anos, jogador se emociona ao lembrar que quase encerrou carreira no ano passado

No vestiário festivo do São Paulo de Rio Grande, que com a vitória nos pênaltis sobre o Brasil-Pel garantiu o retorno à elite do futebol gaúcho, ninguém era mais assediado que o goleiro Luciano.
Aos 43 anos, o atleta falou sobre o preconceito que sempre enfrentou devido à altura (1m78cm), considerada baixa para a posição, e também da estratégia usada na disputa por pênaltis, quando defendeu três cobranças.
- Sabia que era fundamental pegar a primeira - disse Luciano, referindo-se à cobrança do centroavante Éder Machado.
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Segundo o goleiro, ele já havia defendido duas cobranças de Machado, uma no meio do gol e outra no canto esquerdo. Por isso, adotou uma estratégia psicológica para abalar o adversário.
- Sabia que ele bateria no canto em que ainda não tinha batido. Quando ele ia para cobrança falei: "não bate, pede para outro, pois eu vou pegar".
Aos 43 anos, Luciano tinha decidido abandonar a carreira em 2012, após passagem que classificou como muito ruim no Juventus de Santa Rosa. No final do ano passado, foi convidado a trabalhar como preparador de goleiros no Avenida de Santa Cruz e por pouco não aceitou. Ao lembrar do episódio, o atleta se emocionou e quase foi às lágrimas.
- Olhei para a minha chuteira (a mesma que usava no domingo) e chorei. Pensei que nunca mais iria jogar.
Mas uma ligação de Aládio, dirigente do São Paulo-RG, no Natal de 2012, abriu as portas para o retorno aos gramados. Na pré-temporada, esbanjou vitalidade, tanto que superou muitos colegas nos testes físicos. O resultado foi o título do primeiro turno da Série A-2 e a classificação do time de Rio Grande para a Primeira Divisão.
- Tinha feito uma promessa de que se o São Paulo subisse, iria parar. Seria o ideal, encerrar por cima. Mas agora não sei, tenho que ver - destacou o goleiro, aproveitando para tocar em outro ponto que sempre o atormentou: o preconceito em relação à altura.
- Joguei três anos no Brasil-Pel e sempre fui um jogador de grupo, mas nunca fui titular pela altura. Me submeti a isso para me formar (o jogador é graduado em Educação Física). Mas o que eles não percebem é que por ser um pouco mais baixo, sou mais ágil do que os outros goleiros.
Perguntado se poderia ser considerado o herói do retorno do Leão do Parque à Série A após 11 anos, adotou a humildade:
- Heróis são o grupo e a diretoria. Eu só fiz a minha parte.