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Pela qualidade da educação

Estudantes se mobilizam contra falta de professores e problemas em escola de Campo Bom

Alunos estão sem professores em cinco disciplinas e enfrentam problemas como a falta de manutenção e de profissionais para manter biblioteca, que está fechada

10/05/2012 - 11h16min

Atualizada em: 10/05/2012 - 11h16min


Eles não pintaram os rostos, mas se mobilizaram por um direito fundamental: a educação. Desde o início do ano, a falta de professores afeta 19 turmas da Escola Estadual Fernando Ferrari, de Campo Bom, no Vale do Sinos. Temendo perder o ano letivo, e cansados de esperar por uma solução que não veio nos últimos três meses, pais, estudantes e professores resolveram se mobilizar.

Eram 15h30min desta quarta-feira quando parte dos alunos foram dispensados das aulas, situação que voltaria a se repetir no turno da noite. A escola atende 1.138 estudantes, todos do ensino médio, que pensam nos prejuízos que a falta de aulas causará. Desde que notaram que a situação estava longe de ser resolvida, iniciaram contatos em massa com a 2ª Coordenadoria Regional de Ensino (2ª CRE). Além disso, dividiram tarefas que normalmente não são de responsabilidade de pais e alunos.

Não é apenas a falta de professores de Física, Português, Matemática, Biologia e Religião que preocupa a comunidade escolar. A biblioteca está fechada por falta de profissionais e falta pessoal também para fazer a limpeza. Atualmente, apenas uma servidora é responsável pela manutenção da escola que atende em três turnos e tem dois hectares de pátio. Além disso, a estrutura física da escola se deteriora, com classes e cadeiras quebradas.

Mesmo com todos os problemas, quem chega na Fernando Ferrari percebe pouco das dificuldades enfrentadas. Em mutirão, os próprios alunos ajudam na manutenção do pátio, e 10 minutos antes do final das aulas, começam a varrer as salas para que a turma do próximo turno encontre um ambiente limpo. Além disso, pais de alunos estão ajudando no atendimento da secretaria. A preocupação maior, no entanto, é com o ano letivo.

- Ainda que sejam contratados professores imediatamente, e que esses profissionais se disponham a trabalhar nos finais de semana, mesmo assim não há tempo de recuperar as aulas. É um prejuízo que dificilmente será revertido - afirma o professor, e presidente do Conselho Escolar, Adriano dos Santos.

Alunos do 3º ano temem ser os mais prejudicados. Muitos se preparam para o vestibular, e acreditam que entrarão nos processos seletivos já em desvantagem.

- É difícil concorrer com alunos de escolas particulares em condições normais e com a falta de professores nossa situação piora ainda mais. Nem mesmo os livros para o vestibular temos como ler, já que a biblioteca fica fechada - lembra o estudante Pedro Gabriel Viero.

A quadra que foi sem nunca ter sido

A quadra de esportes da Fernando Ferrari é um exemplo dos problemas da escola. Em 1999, o Estado iniciou a obra de cobertura do local. Parte das paredes foram erguidas, e a estrutura de metal que suportaria o telhado foi instalada. Pouco tempo depois, a empresa responsável desistiu da obra.


Passados 13 anos, uma licitação para a quadra está aberta, mas não é para completar a cobertura. Antes de finalmente cobrir o local, a estrutura instalada terá que ser demolida. As barras de ferro enferrujaram com o tempo, e o asfalto do piso se deteriorou.

O que diz a 2ª CRE

Das cinco disciplinas para as quais faltam professores, a 2ª CRE afirma que para quatro delas os profissionais já foram chamados. Os educadores devem estar nas salas de aula em cerca de 20 dias. Para a disciplina de Física, no entanto, o Estado está tendo dificuldades de encontrar professores.

- Esse é um problema comum para a maioria das escolas da região. A contratação dos outros profissionais está em trâmite - afirma a coordenadora, Maria Luiza Sedrez.

A dificuldade em contratar se estende para outros servidores, como os de limpeza. Sem um banco de profissionais previamente formado, a 2ª CRE começa agora a selecionar trabalhadores. Já a quadra da escola está com os recursos orçados, e o dinheiro será repassado para que a escola execute a obra após a retirada da estrutura que está no local.

Estrutura de metal e asfalto do piso da quadra de esportes estão deteriorados


Barras de ferro da cobertura da quadra estão enferrujadas
Foto: Miro de Souza/Agência RBS


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