Porto Alegre-São Paulo
Inauguração de memorial marca os cinco anos da maior catástrofe aérea brasileira
Praça Memorial 17 de Julho foi construída em homenagem às vítimas e para cobrar melhorias no sistema aéreo nacional

Nesta terça-feira, quando se completam cinco anos da tragédia com o voo JJ 3054, que matou 199 pessoas em Congonhas, um memorial às vítimas será inaugurado no local onde as chamas consumiram a aeronave e um prédio da empresa, em São Paulo.
Veja a reconstituição dos minutos entre o acidente e a divulgação das vítimas
Chamada de Praça Memorial 17 de Julho, o monumento foi construído com o objetivo de manter viva a memória das vítimas e a necessidade de investir na segurança do setor aéreo, como explica Dario Scott, presidente da Associação das Famílias e Amigos das Vítimas do Voo TAM JJ 3054 (Afavitam).
- Além da ligação emocional dos familiares, é um marco para que as autoridades e as companhias aéreas não esqueçam do que houve. E reflitam se estão fazendo todo o possível para evitar outra tragédia - afirma Scott.
O memorial é resultado da mobilização de familiares das vítimas, entre eles o empresário José Roberto Silva, pai da comissária Madalena Silva, morta no acidente. Silva preencheu os seus dias nos últimos cinco anos dedicado-se à obra, revertendo a dor da perda da filha em diligência pela memória das vítimas.
A recompensa ao pai de Madalena pelas noites sem sono e reuniões exaustivas será entregue à cidade de São Paulo em uma cerimônia no final da tarde. O local exato onde o Airbus A-320 chocou-se contra o prédio da TAM Cargo, na Avenida Washington Luís com a Rua Barão de Suruí, em frente ao Aeroporto de Congonhas.
Webdocumentário: Famílias transformaram a tristeza em mobilização
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Beto, como é conhecido no canteiro de obras, dividiu-se entre o município gaúcho de Dois Irmãos, onde é empresário calçadista, e a capital paulista, onde é ativista da causa da Afavitam. No segundo ano após a tragédia, ele comprou um apartamento a uma quadra de Congonhas e a três quadras do terreno que se transformaria em memorial.
Da sacada, Beto acompanha a execução da obra desde janeiro, quando o terreno começou a ser limpo. No local fez amigos entre os 80 trabalhadores dedicados à execução do projeto. Por dois meses, uma vez por semana, o empresário e sua mulher, Terezinha, prepararam e levaram lanches para alimentar a equipe.
Sempre que está na capital paulista, aproveita os finais de tarde para caminhar nos arredores do aeroporto, ambiente preferido da filha Madalena:
- Eu vou todas as terças-feiras, último dia que a mana esteve na terra conosco. No aeroporto, o pessoal já me conhece. Converso um pouco e faço minha caminhada lá dentro. Ali tem o habitat da mana, o mundo que a mana vivia.
No projeto do arquiteto Marcos Cartum, as referências ao acidente e às vítimas estão por todos os lados no quarteirão de 8.318 metros quadrados recuperado como praça. Localizada no centro do espaço, a única árvore sobrevivente ao choque simboliza a resistência da vida.
A amoreira que ficava atrás do prédio derrubado pelas chamas inclinou com a batida, mas não caiu. Incluída no traçado do paisagismo local, a planta foi monitorada por um engenheiro agrônomo nos últimos anos e passou por tratamento e reforço para superar o abalo.
Os cinco anos do acidente serão lembrados pelos familiares com ações também em Porto Alegre. Na Capital, será celebrada uma missa na Catedral Metropolitana às 18h30min. Antes, familiares devem ir até o Largo da Vida, área junto ao Salgado Filho em memória às vítimas.
O professor Dario Scott, pai de Thais e presidente da Afavitam, pretende buscar patrocinadores e conversar com a prefeitura de Porto Alegre para criar, no local, um memorial similar ao paulistano.