Paixão Colorada
Kenny Braga: Bendito atraso
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Em 1940, quando despontou a estrela brilhante do Rolo Compressor, um dos times mais vencedores da história do Internacional, Porto Alegre tinha apenas 275 mil habitantes. E sobravam na boca dos narradores e nos textos de jornal expressões em inglês como center-half, goolkeeper e corner.
Mas entre muitos fatos que me impressionaram quando pesquisei nosso futebol na década de 40 do século passado, para escrever a história do Rolo, foi o comportamento civilizado de colorados e gremistas. Nos clássicos disputados na Baixada e nos Eucaliptos, os torcedores se misturavam sem o registro de incidentes, embora os vencedores não dispensassem a flauta bem humorada.
Parque perigoso
Cenas, portanto, inconcebíveis nos dias de hoje, quando falsos líderes de torcida pregam o espancamento dos adversários, como se fossem proezas admiráveis. E, o pior, é que as agressões não ocorrem somente em dias de jogos, dentro ou nas proximidades dos estádios.
Hoje, torcedores mais sensatos, como o jornalista aposentado José Fontela, já não se arriscam a frequentar certos locais da cidade, como o Parque Marinha do Brasil, vestindo a camisa do Inter, com medo de serem agredidos por alguns gremistas alucinados. E há pessoas afirmando que o passado é somente sinônimo de atraso.
Mas será que intolerância e fanatismo são sinônimos de progresso, de modernidade? Bendito atraso.