Em Talcahuano
Chilenos esperaram por Vargas, mas viram Zé Roberto
Grêmio empatou em 1 a 1 com o Huachipato e avançou na Libertadores


O drama de ontem do Grêmio contra o Huachipato, no Chile, teve gol de cinema de Zé Roberto, cinco minutos de terror quando o adversário empatou em 1 a 1 a 43 minutos do segundo tempo e uma briga campal em que o técnico Vanderlei Luxemburgo saiu correndo para o vestiário e caiu com os pés para cima, uma cena das mais prosaicas do futebol brasileiro. Tantos ingredientes assim fizeram da classificação do Grêmio às oitavas de final uma jornada histórica diante de 9 mil torcedores no pequeno estádio da bucólica cidade Talcahuano.
Quando desembarcar hoje em Porto Alegre, às 21h, o Grêmio começará a preparar o confronto contra o Independiente Santa Fe, da Colômbia. Vai decidir sua sorte em Bogotá, com as duas partidas sem data definida. Na bagagem, alguns problemas da batalha do Chile. Zé Roberto recebeu o terceiro cartão amarelo, Adriano sofreu lesão no joelho e Werley sentiu problema muscular. Ou seja, Talcahuano marcou o Tricolor.
O Grêmio se impôs desde o início da partida e correu poucos riscos para um time que chegou ao Chile sob a desconfiança de boa parte de sua torcida. Enquanto teve três volantes, valorizou o regulamento, que lhe assegurava a classificação, e cuidou mais de marcar do que arriscar-se em avanços. Ainda assim, criou uma chance concreta aos 17 minutos. Mesmo marcado por dois defensores chilenos, Barcos encontrou espaço e chutou alto.
Sem Adriano, que deixou o campo por lesão no joelho, Luxemburgo converteu André Santos em armador, passou a avançar em jogadas combinadas com Alex Telles, o substituto do volante.
O Huachipato vivia em função de Braian Rodríguez. Cada jogador que recebia a bola logo erguia a cabeça tentando encontrar entre os defensores do Grêmio o centroavante de 1m90cm. A 29 minutos, lançado pela direita, Braian acertou um chute forte, de pé direito, defendido com firmeza por Dida.
O Grêmio não se abalou. Seguiu atacando com lucidez, já ciente da fragilidade do adversário. Até que, a 34 minutos, André Santos cruzou da esquerda, Barcos ajeitou de cabeça e Zé Roberto, após um giro de corpo no ar, acertou o pé esquerdo na bola e venceu Nery Veloso, fazendo 1 a 0.
Na sequência, Braian pediu pênalti, após dividida com Werley. A 41, Dida foi bem novamente, mandando a escanteio falta cobrada por Aceval.
Sem a mesma concentração do primeiro tempo, o Grêmio cometeu faltas em excesso nos minutos iniciais da fase final. O jogo aéreo, sempre tendo Braian como alvo, seguiu como alternativa preferencial do adversário. Prevaleceu, aí, a consistência defensiva. Bem postados, Werley e Bressan não vacilaram.
A resposta veio a 21 minutos. Depois de receber de Vargas, Zé Roberto esteve a ponto de completar sua noite iluminada, ao concluir com perigo. Já com Welliton e Kleber, uma nova dupla de ataque, o Grêmio passou a jogar em contra-ataques. De posse de bola, tratava de trocar passes, retardando o andamento da partida. Com lesão muscular, Werley arrastou-se em campo nos minutos finais. Souza virou zagueiro.
Na pressão, a 43 minutos, Aceval empatou em cobrança de falta. O estádio pegou fogo, empurrando o time. Mas o Grêmio manteve o resultado e a classificação.