Segurança



Mapa da violência

Zona Sul concentra o maior número de homicídios de Joinville

Só no bairro Paranaguamirim, foram nove assassinatos no primeiro semestre deste ano

04/07/2013 - 07h47min

Atualizada em: 04/07/2013 - 07h47min


Ariel segura a foto da mãe, Mayrian, que foi assassinada pelo ex-companheiro

Se por um lado a comparação do número de homicídios registrados no primeiro semestre deste ano em Joinville mostra uma redução em relação ao mesmo período do ano passado (caiu de 39 para 33 casos), por outro lado a análise dos dados revela uma concentração das ocorrências em um único bairro: o Paranaguamirim, na zona Sul, foi cenário de nove assassinatos em 2013.

A proporção indica que a cada quatro pessoas assassinadas na cidade uma foi vítima naquela região. Os números fazem parte de um levantamento de "A Notícia" com base em registros da PM e do IML. O mesmo levantamento revela que a liderança do bairro nas estatísticas se repete desde 2009, quando o Jardim Paraíso deixou de concentrar a maioria dos homicídios.

De lá para cá, 51 pessoas foram mortas no Paranaguamirim. Apesar de não ter mencionado o bairro pontualmente, o comandante-geral da Polícia Militar no Estado, Nazareno Marcineiro, manifestou preocupação particular com a onda de homicídios na zona Sul de Joinville quando esteve de passagem na cidade, mês passado. Das 33 ocorrências no primeiro semestre, 20 foram na região Sul.

O entendimento das autoridades em Segurança Pública é de que a mudança do quadro não passa apenas pelo trabalho policial, mas também por transformações sociais. Um exemplo seria o próprio Jardim Paraíso, que minimizou o estigma de região violenta na medida em que espaços do bairro foram revitalizados nos últimos anos.

Mas um projeto específico para frear os números de homicídios na zona Sul, incluindo o Paranaguamirim, foi adotado pelo comando do 17º Batalhão da PM em Joinville, responsável pelo policiamento na região. O subcomandante do batalhão, major Raulino Fermino de Souza Júnior, diz que o plano de ação reforça operações de abordagem no trânsito e de varreduras em rondas nas ruas.

- É uma combinação de ações. Temos esse plano no papel e damos continuidade para que, a médio e longo prazo, ele tenha resultado prolongado - aponta o major.

Na avaliação do subcomandante, o Paranaguamirim concentra a maioria dos homicídios por ser o maior bairro do Sul. Com 27,1 mil moradores, o bairro divide com o Costa e Silva a segunda colocação entre os mais populosos.

Guarda municipal e câmeras

A instalação de câmeras de monitoramento nas regiões periféricas de Joinville e a implantação de uma Guarda Municipal em Joinville são apostas do secretário municipal de Proteção Civil e Segurança Pública, Francisco José da Silva, no combate à violência. As cem câmeras anunciadas pelo governo do Estado devem chegar em outubro.

Os locais onde elas serão instaladas levará em conta observações da polícia, mas também sugestões dos Conselhos de Segurança da cidade. A associação de Consegs formalizará as indicações na próxima segunda.

A longo prazo, pois ainda depende de um processo burocrático para ser implantada na cidade, a futura Guarda Municipal promete aliviar o trabalho da PM, defende o secretário.

- Ela será um complemento da polícia. Vamos atuar, principalmente, nas escolas, impedindo o assédio dos traficantes. A Guarda Municipal, agindo numa praça, em um acidente de trânsito, libera o efetivo policial para o trabalho ostensivo e repressivo - argumenta.

Serão priorizadas as áreas consideradas mais carentes de proteção, como o Paranaguamirim.

Duas marcas de crime passional

As duas únicas mulheres assassinadas no Paranaguamirim em 2013 perderam a vida em circunstâncias parecidas. Andreza Cardoso Amaral Mellies, 28 anos, foi vítima de agressões do próprio marido, em março. Segundo a investigação, ele desconfiava de uma traição. O homem continua preso.

Em abril, ocorreu a segunda morte por crime passional no bairro. A vigilante Mayrian Tereza Valenzuela, 47 anos, foi atacada a facadas por um ex-companheiro, dentro de casa. O homem confessou o crime e continua preso, mas o processo que apura o caso está suspenso há duas semanas para que o réu seja submetido a um exame de sanidade.

O desfecho do processo é acompanhado com expectativa pela família de Mayrian. Um dos dois filhos dela, o operador de máquinas Ariel Valenzuela, 24 anos, não esconde o medo do que pode acontecer no dia em que o acusado deixar a prisão.

- Um dia ele deve sair de lá. Espero que não queira se colocar contra as pessoas que eram próximas da minha mãe. Isso serviu para nos mostrar que devemos ficar atentos às pessoas com quem convivemos - observa.

Mayrian planejava abrir um salão de beleza com a filha. Ela vivia no Paranaguamirim há apenas três meses, desde que terminou o relacionamento.


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