Geral



Por outro ângulo

Morros e cachoeiras são opções de lazer e passeio no Litoral

Deixar as cidades praianas pode proporcionar ao visitante algumas das mais belas vistas da região

08/02/2014 - 15h07min

Atualizada em: 08/02/2014 - 15h07min


Morro da Borússia, em Osório, recebeu empreendimentos como pousadas e restaurantes, e mais turistas

O tempo está bom para praia. A combinação de muito sol, pouco vento e mar, claro, faz a cabeça de grande parte dos veranistas. Mas ir de mala e cuia para o Litoral Norte não quer dizer que instalar o guarda-sol na beira-mar seja a única forma de se divertir.

Pegar a estrada por alguns minutos e deixar as cidades praianas pode proporcionar ao visitante algumas das mais belas vistas da região - sobretudo, em passeios em meio à natureza.

Apesar da infraestrutura modesta, há boas opções de destino, como os municípios que contam com lagoas, encostas de serra, trilhas, belas vistas e banhos de cachoeiras.

- As pessoas têm, progressivamente, descoberto este litoral. Percebemos que, aos poucos, os turistas encontram outras atividades - afirma o biólogo Álvaro Machado, do Departamento de Desenvolvimento de Turismo da Secretaria do Turismo do Estado.

Para melhor aproveitar a incursão pelos locais desconhecidos, a dica de Machado é que os visitantes entrem em contato com os centros de informações turísticas. Assim, é possível obter um panorama do que os municípios oferecem.

Próximo a Porto Alegre e a grande parte das maiores praias gaúchas, Osório é um dos municípios que oferecem alternativas ao tradicional roteiro praiano. Do ponto de vista turístico, destaca-se principalmente pelo Morro da Borússia - área de proteção ambiental às margens da BR-101 e com quase 400 metros de altitude.

- Há pistas de asa-delta, o mirante com vista 360 graus e cascata. A vista do morro é nosso maior atrativo, com estradas vicinais, linhas que permitem uma bonita visão e opções de gastronomia - diz o prefeito, Eduardo Abrahão.

Além do Morro da Borússia, a cidade conta com um complexo com 23 lagoas, entre elas a da Pinguela, a do Peixoto e a dos Barros. Outro atrativo visual são os aerogeradores, responsáveis pela produção de energia eólica.

Mirante recebe até 5 mil pessoas por dia

Depois de pedalar 36 quilômetros durante uma hora e 15 minutos e chegar ao topo do Morro da Borússia, o médico pneumologista Marcelo Mallmann, 45 anos, tinha um desejo:

- Pode tirar uma foto? - pediu à reportagem de ZH, encharcado de suor, antes de erguer a bicicleta - do tipo Mountain Bike -, posando para o retrato como quem celebra um título.

Integrante de um grupo de ciclistas que tem como hábito conquistar topos de morro com a magrela, ele diz que pedalar pela parte não praiana do litoral tornou-se sua principal diversão nas férias - enquanto relaxa, aproveita para cuidar da saúde e conhecer lugares novos.

- Procuro fugir da praia por causa do movimento. Aqui, consigo me concentrar melhor em percorrer longas distâncias e, de quebra, apreciar o verde e esse visual - afirma o médico.

Desde que o Morro da Borússia foi asfaltado, há cerca de seis anos, a infraestrutura turística começou a receber investimentos turísticos. Pousadas e restaurantes foram inaugurados, e a procura por terrenos e imóveis aqueceu o mercado imobiliário da região.

Em dias mais movimentados, explica o secretário de Desenvolvimento e Turismo de Osório Antônio Marculan, o local chega a receber de 4 a 5 mil pessoas, ocasião em que faltam condições para atender a todos os visitantes. Ainda sem água encanada, estabelecimentos mais procurados, como os restaurantes À Lenha e Dodô e o frigorífico Borrússia, usam o sistema de poços artesianos.

Estacionamento gratuito para 200 carros, sinalização desde a freeway, placas bilíngues indicativas dos pontos turísticos e estrutura multiuso para atendimento de visitantes serão os próximos investimentos da prefeitura. Este último está sendo construído ao lado do mirante e, segundo Marculan, ficará pronto em dois meses.

Projetos mais ousados para desenvolver o potencial turístico de Osório, porém, ainda esbarram em restrições ambientais. É o caso de um teleférico unindo a cidade de Osório com os morros e um canal de navegação entre as lagoas. Segundo o secretário, ambos envolvem impactos ambientais que descumprem a legislação de Áreas Proteção Ambiental (APAs) e Áreas de Preservação Permanente (APPs).

Para os dias sem onda

A 30 quilômetros de Torres, a água cristalina do Poço das Andorinhas foi a  opção escolhida pelo fotógrafo Luís Antonio Sander quando o mar estava sem ondas, impossibilitando a prática do surf. Morador de São Leopoldo, ele gosta de se embrenhar no mato de Três Cachoeiras até encontrar a queda d’água. E aproveita o passeio para buscar novos ângulos e praticar a fotografia aquática.

O acesso por estrada de chão batido e sem sinalização leva até uma sequência de três cachoeiras - daí o nome do município. Onde encontrou o Poço das Andorinhas, revela Sander, há muitas mais opções de passeio. Uma delas está a cem metros dali, o Poço dos Morcegos, um verdadeiro tobogã natural.

- A região tem muitas cascatas lindas. Só o pessoal que mora conhece bem. Às vezes, nem tem nome. A falta de sinalização é porque a prefeitura ainda não se deu conta desse potencial turístico. Ainda não caiu a ficha. É algo que está começando.

Desta vez, Sander (de bermuda vermelha na foto abaixo) foi ao local com amigos skatistas, Héricles Fagundes (centro) e José Finger. Mas na próxima ida pretende levar a família, que, após ver as fotos, ficou intrigada sobre o fato de um cenário tão bonito e próximo ainda ser desconhecido.

Para aproveitar da melhor maneira, o fotógrafo dá uma dica importante. O ideal é visitar o local no horário de sol mais forte, entre 11h30min e 15h, pois a água é gelada, e com tanto mato em volta, a tendência é o local se manter fresquinho.

Natureza selvagem

Em Barra do Ouro, distrito de Maquiné, uma cascata de 12 metros se abre em meio a uma natureza selvagem e densa. É a cascata do Garapiá, a 25 quilômetros da BR-101 - maior parte em estrada de chão. Para encarar o destino, é preciso gostar de aventuras, já que não há estrutura turística. Sem placas nem sinal de GPS no percurso, o jeito é apelar para o boca a boca.

No trajeto, é possível ver o topo de morros que se parecem com cânions, gado pastando e casas de madeira com famílias mateando no pátio. Pelo caminho também há parreirais, plantações de aipim e de milho.

Das várias pontes que se ultrapassam até chegar lá, ao menos três delas são vencidas com as rodas do carro imersas. O contato com a natureza exuberante do Garapiá fez dona Maria Marine, 91 anos, se sentir remoçada.

- Isso aqui é lindo demais, faz a gente se sentir com 15 anos - recomenda.

Patrimônio natural

A mesma distância que separa a Capital da praia mais próxima do Litoral Norte leva também a uma das reservas da biosfera da Mata Atlântica declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco por seu valor ecológico: Riozinho.

O município, na encosta da Serra Geral, é banhado pela bacia hidrográfica do Rio dos Sinos. Belezas de grande porte, como a cascata do Chuvisqueiro - queda d’água de 70 metros - ou de menor ostentação, como o paredão com pequenas quedas construído em 1945, enchem os olhos e refrescam a mente de quem encara os 115 quilômetros distantes de Porto Alegre - repousar ao som das quedas d’água é um exercício rejuvenecedor.

Para quem está no litoral, o acesso pode ser feito por Osório (BR-101) - entre na ERS-484 até Barra do Ouro (Maquiné), onde será necessário tomar a ERS-239 até o destino final.


MAIS SOBRE

Últimas Notícias