Noroeste do Estado
Criminosos assaltam e mantêm idosos reféns por cerca de 10 horas em Cruz Alta
De acordo com a polícia, caminhonete das vítimas foi usada para assalto em uma casa em Santa Bárbara do Sul
Um casal de idosos foi assaltado em Cruz Alta na rodovia Cruz Alta-Panambi (BR-158) por volta das 8h desta terça-feira. Honório Gomes de Oliveira, 84 anos, e Maria Terezinha Rodrigues, 57 anos, cortavam pasto para os cavalos às margens da rodovia quando foram rendidos por três homens armados.
Eles foram amarrados e colocados no banco de trás da caminhonete da família. Um cobertor sobre a cabeça impediu as vítimas de identificar os criminosos. Os idosos foram deixados num matagal próximo a Santa Bárbara do Sul, sob a vigilância de um dos assaltantes o dia todo.
Segundo a delegada Sabrina Teixeira, a caminhonete das vítimas foi usada por volta das 11h para um assalto a uma casa em Santa Bárbara do Sul. Os criminosos abandonaram a caminhonete e fugiram no veículo do dono da casa.
Por volta das 18h, ao perceberem que ninguém os vigiava mais, os idosos conseguiram se desamarrar, foram até a rodovia e pediram ajuda num posto de combustível próximo a Panambi. Quando chegaram no local, a ideia de Oliveira era ligar para um amigo que os buscasse.
- Ao digitar os primeiros números, vi a minha caminhonete chegando guinchada. Então resolvi chamar a polícia - conta.
Os dois foram levados à delegacia de Panambi e depois à Cruz Alta, onde está sendo feita a investigação do caso. Os veículos das vítimas já foram recuperados.
"Uma coisa dessas pode acontecer com qualquer um. Não pretendo mudar minha rotina em função disso", diz idoso vítima de sequestro.
Depois de permanecer por 10 horas com a mulher sob o domínio de um assaltante, Honório Gomes de Oliveira, 84 anos, diz que apesar da tensão, se manteve confiante de que conseguiria se libertar dos bandidos.
Zero Hora - Essa foi a primeira vez que o senhor cortou pasto naquele local da rodovia?
Honório Gomes de Oliveira - Não. Fizemos isso várias vezes, nunca imaginei que seríamos vítimas de um crime desses.
ZH - Como foi permanecer sob domínio dos criminosos?
Oliveira - Ficamos muito nervosos, mas ainda assim me mantive confiante de que tudo acabaria bem. Os assaltantes não nos agrediram fisicamente, apenas nos alertaram várias vezes para que não olhássemos para o rosto deles. Além disso, nossas cabeças ficaram cobertas o tempo todo.
ZH - O que vai mudar na sua rotina depois disso?
Oliveira - Pretendo continuar trabalhando e levando a vida como antes. Não podemos fugir do inevitável. Uma coisa dessas pode acontecer com qualquer um, em qualquer lugar. A vida continua.