Polícia



O custo da operação

Força-tarefa para conter alta nos homicídios vai custar R$ 1,3 milhão aos cofres do Estado

Além dos 200 policiais militares, 60 agentes da Polícia Civil participarão dos trabalhos em 11 cidades gaúchas

08/05/2012 - 20h53min

Atualizada em: 08/05/2012 - 20h53min


Para frear os homicídios no Estado, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) vai gastar R$ 1,3 milhão em uma força-tarefa que se estenderá por até quatro meses. Depois de o primeiro trimestre registrar alta de cerca de 19% no número de assassinatos no Rio Grande do Sul, a nova estratégia tem como meta reduzir ainda em maio as mortes nas 11 cidades que concentram 65% dos casos deste ano.

Anunciada oficialmente em uma coletiva na tarde desta terça-feira, a força-tarefa se dividirá em duas frentes, com alvos e durações distintas. Enquanto a Polícia Civil atuará na investigação de mortes ocorridas ao longo do ano em 11 municípios durante quatro meses, a Brigada Militar deve saturar com policiais as ruas de bairros violentos durante dois meses em seis municípios.

- Além da Região Metropolitana, decidimos reforçar a investigação em três cidades do Interior que estão nos preocupando: Pelotas, Passo Fundo e Caxias do Sul - explicou o Chefe de Polícia, Ranolfo Vieira.

A estrategia é usar 60 agentes para formação de equipes especiais para apurar apenas casos de homicídios, como Zero Hora antecipou na segunda-feira. Serão gastos em diárias de policiais civis cerca de R$ 640 mil. Segundo o delegado, o prazo maior de permanência nas cidades em relação a ação da BM se deve ao tempo necessário para se desenvolver investigações.

- Precisamos reunir elementos consistentes para retirar das ruas quadrilhas que estão por trás de boa parte dos crimes - explicou.

Para o comandante-geral em exercício da BM, coronel Altair Cunha, os R$ 720 mil em diárias a serem distribuídas para 200 PMs deve se refletir em queda nos números da violência já no próximo final de semana, quando o reforço passa a atuar na Região Metropolitana:

- O efeito de saturação nestes dois meses deve reduzir as mortes em um primeiro momento, mas é preciso que a investigação da Polícia Civil desarticule os grupos. Por isso, a importância do trabalho integrado - justificou o oficial.

Os PMs devem atuar em patrulhas em áreas conflagradas, sempre com a supervisão de sargentos e tenentes dos batalhões onde atuarão durante a força-tarefa. Eles formarão pelotões extras de 25 homens nessas unidades. Pelo planejamento do comando, serão cinco pelotões em cidades do entorno de Porto Alegre e três para a Capital.

- No caso do pelotão que ficará em Canoas, ele também será empregado em ações em Sapucaia do Sul e Esteio - afirmou o coronel.

Como atuará o reforço

Brigada Militar

O treinamento

- 200 PMs vindos do Interior se apresentam na quarta-feira, às 14h30min, na Academia de Polícia Militar

- Eles atuarão na Região Metropolitana por 60 dias, ao custo de R$ 720 mil em diárias

- Quarta e quinta, os PMs receberão treinamento intensivo na unidade, que incluem palestras e práticas de abordagem, tiro e operações em áreas de risco

- Na sexta-feira, o grupo participará de imersões nas cidades onde devem atuar

- O início da operação nas ruas começa no sábado pela manhã

A distribuição da tropa

- 75 policiais ficarão em Porto Alegre, lotados no 20º e 19º Batalhão, que atuam na zona norte da Capital

- 125 PMs serão distribuídos em outros cinco municípios: Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Gravataí e Viamão

Nas ruas

- Os PMs vindos do Interior formarão pelotões adicionais dentro dos batalhões de cada cidade assistida pela Força-Tarefa

- Esses PMs serão divididos em guarnições de até quatro policiais, sendo que o coordenador será um sargento ou tenente do próprio batalhão da área

Polícia Civil

- Ao custo de R$ 640 mil, serão 60 agentes recrutados no Interior e na própria Capital para 120 dias de trabalho em 11 municípios: Porto Alegre, Guaíba, Canoas, Alvorada, Viamão, Gravataí, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Caxias do Sul, Pelotas e Passo Fundo

- Em Porto Alegre e Canoas, os agentes reforçarão as equipes das delegacias de Homicídio

- Nos demais municípios serão criadas equipes especiais para investigar apenas os assassinatos ocorridos neste ano

- Elas serão compostas por dois agentes e um delegado e ficarão sediadas em uma das delegacias da cidade

- O trabalho deve se iniciar na próxima semana


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