Cidade fantasma
BM manda tropas de choque para conter violência no Recanto do Sabiá
BOE fez incursão com 70 homens para abordagens de "retomada" da região

A tarde desta quinta-feira foi a segunda de uma série de ofensivas do Batalhão de Operações Especiais (BOE) da Brigada Militar, que promete tornar rotineiras as incursões no Recanto do Sabiá, Loteamento Timbaúva III, Bairro Mario Quintana, Zona Norte da Capital. A meta é sufocar o comando do tráfico na região.
Há pelo menos um ano, criminosos transformam os fundos da ocupação em uma cidade fantasma. De uma semana para cá, as marcas desse domínio pelo medo apareceram com as descobertas de seis corpos, possivelmente de uma mesma família, que até então acreditava-se ter sido expulsa de casa pela quadrilha há cerca de 15 dias.
- A situação daquela comunidade é crítica, e nosso papel é devolver a tranquilidade aos moradores. Estamos agindo em parceria com o 20º BPM para atacar os focos da criminalidade. Nossas tropas não vão fazer uma ocupação, mas entradas estratégicas - explicou o comandante do BOE, tenente-coronel Kléber Goulart.
Nesta quinta, homens das tropas de choque foram empregados nas ações de abordagens no Recanto do Sabiá. A ação faz parte da resposta enérgica prometida pelo comando do 20º BPM. De acordo com o comandante do batalhão, tenente-coronel Jeferson Jacques, além das atuações em abordagens, prisões e apreensões, a presença dos agentes do serviço de inteligência é constante para levantar informações precisas sobre os criminosos envolvidos na onda de assassinatos.
- Faz um mês que começamos um trabalho pesado nessa região e por isso os crimes começaram a aparecer. A comunidade está mais confiante no nosso trabalho e as denúncias estão chegando. Vamos continuar averiguando todas as informações que chegarem - disse o comandante.
Segundo o oficial, quase 20 pessoas já foram presas em ações no Recanto do Sabiá desde o final da semana passada. Entre elas está um adolescente de 15 anos, suspeito de ser o principal herdeiro dos pontos de tráfico na vila.
Peritos ainda examinam os corpos
Os investigadores das duas delegacias de homicídios do Deic ainda aguardam o resultado do trabalho dos peritos, no DML, para identificar os quatro cadáveres encontrados na manhã de quarta na mata aos fundos do Recanto do Sabiá.
Conforme a assessoria do Instituto Geral de Perícias (IGP), ainda não foi possível essa identificação. Pelo estado de decomposição dos corpos, mortos havia pelo menos dez dias, não teria sido possível o exame das digitais dos dois homens e das duas mulheres - possivelmente, adolescentes.
Entenda o caso
- Há cerca de 15 dias, correu a notícia de que uma família (casal e quatro filhos) teria sido expulsa dos fundos de um bar. Eles desapareceram do Recanto do Sabiá, no Timbaúva 3.
- Na manhã do dia 16, o corpo de um homem, atingido por um tiro, degolado, com as mãos amarradas às costas e a boca amordaçada, foi encontrado em uma cova rasa em um banhado a poucos metros do bar.
- Na tarde do dia seguinte, o corpo de uma mulher, também com marcas de tiros, foi achado na mata fechada.
- Na manhã de terça passada, a Brigada encontrou quatro cadáveres, de dois homens e duas mulheres, possivelmente jovens. A polícia não descarta que sejam da família desaparecida, embora acredite que existam outras vítimas do tráfico.