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Em carta pública, policial se isenta de culpa por morte de jovem em saída de festa em Pelotas

Diego Weiduschaudt dirigia um autómovel acompanhando o colega de profissão, assassino confesso do crime

30/04/2013 - 12h52min

Atualizada em: 30/04/2013 - 12h52min


Carta é datada do dia 28, mas foi publicada nesta terça-feira no jornal local

O policial militar Diego Weiduschaudt, 29 anos, que acompanhava ohomem que teria matado um jovem em saída de festa em Pelotas, escreveu uma carta sobre o caso, publicada nesta terça-feira no Diário Popular, jornal local da região. Weiduschaudt estava dirigindo o carro em que o assassino confesso, Marcos Carnez Lacerda, 24 anos, estava quando disparou contra Rodrigo da Silva Xavier, 25 anos.

Na carta, Weiduschaudt se ausenta de possível culpa e se solidariza com a família. Ele também afirma que o colega de profissão teria ingerido bebida alcoólica e por isso ele estaria dirigindo o automóvel. No entanto, o delegado responsável pelo caso, Félix Fernando Rafahim, informa que os dois chegaram em carros distintos:

- Em imagens, é possível ver que os dois chegam em carros separados. Depois, Diego se aproxima do carro de Marcos e toma o volante.

Na carta, Weiduschaudt também afirma que ele não teria percebido o momento em que o suspeito sacou a arma.

O inquérito foi fechado e remetido ao Ministério Público na segunda-feira. Os dois são indiciados pela polícia por homicídio doloso, ou seja, quando há intenção de matar. Desde o dia 20 de abril, eles estão detidos.

Veja a carta na íntegra:

Aos familiares de Rodrigo da Silva Xavier e a quem possa interessar

Lamentavelmente estive presente no local onde meu colega de profissão Marcos Canez Lacerda efetuou o disparo de arma de fogo que ocasionou a morte de Rodrigo da Silva Xavier.

Desastradamente naquele momento eu dirigia o automóvel de Marcos, e tudo pelo fato de que ele havia ingerido bebida alcoólica e eu não. Então, a pedido dele, assumi a condução, para em caso de abordagem policial não incorrer em infração de trânsito, sem jamais imaginar que momentos após ele agiria como agiu.

A pedido de Marcos contive o veículo no cruzamento de rua perpendicular a rua Félix da Cunha, oportunidade em que ele desceu de seu interior, sem que eu sequer imaginasse que viesse a fazê-lo, e muito menos pudesse impedi-lo. Também não pude perceber que ele pegara uma arma de fogo que guardara no automóvel, e não poderia prever, supor ou imaginar que fosse utilizá-la, como veio a fazer.

Esclareço que por estar no interior do veículo não pude perceber nem a direção nem o ângulo do disparo efetuado por Marcos, e muito menos que tivesse atingido Rodrigo ou qualquer outra pessoa.

Então, eu desconhecia qualquer intenção de Marcos no sentido de que fosse efetuar o disparo de arma de fogo que vitimou Rodrigo, bem como que fosse efetuar outro posteriormente, e sequer poderia imaginar que viesse a fazê-lo. Entretanto, tão logo pude, comuniquei os fatos aos meus superiores hierárquicos, o que veio a contribuir para elucidação dos fatos pela Autoridade Policial.

Por fim, tenho a dizer que lamento profundamente o ocorrido, me solidarizando com o sofrimento de familiares e amigos de Rodrigo, ao tempo em que esclareço que se pudesse teria evitado o lamentável episódio.

Diego Weiduschaudt

Porto Alegre, 26 de abril de 2013

Lembre do caso

Na madrugada do dia 18 de abril, Rodrigo da Silva Xavier, 25 anos, estava saindo de uma festa em direção ao seu carro quando foi alvejado. Ele chegou a ser internado, mas morreu no hospital. O autor dos disparos, Marcos Carnez Lacerda, 24 anos, confessou o crime. Ele era um policial militar. Junto a ele, estava outro policial militar, Diego Weiduschaudt, 29 anos, que dirigia o automóvel. Os dois foram presos no dia 20 de abril e, no dia 29, a polícia concluiu o inquérito indicando que ambos teriam cometido homicídio doloso, ou seja, quando há intenção de matar. Uma semana após o crime, a família e os amigos fizeram uma vigília no mesmo local e horário do disparo da morte do jovem.


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