Luto
Agricultora, amante dos animais e com muitos amigos: quem era Marlei de Fátima Froelick, 11ª vítima de feminicídio no RS em 2026
Ela foi morta pelo ex-companheiro nesta quinta-feira (29), em Novo Barreiro



Marlei de Fátima Froelick, 53 anos, é lembrada por amigos e parentes como uma agricultora trabalhadora que adorava os animais. Ela foi morta nesta quinta-feira (29) em uma propriedade rural em Novo Barreiro, pelo ex-companheiro Waldir Abling, 57 anos.
— Muito trabalhadora, gostava dos bichos, tinha muitos amigos — descreve Paulo Cesar Klein, familiar da vítima.
Para o amigo Wilmar Zwirtes, Marlei enviou, momentos antes de ser assassinada, um áudio pedindo para que cuidasse de seus animais, relatando que teve problemas em casa.
—Eu te explico bem quando puder te ligar. Tratem bem tratado uma vez por dia os porcos e os cachorros — disse ao amigo a agricultora, preocupada.
Ela foi morta ao buscar seus pertences no local que dividia com o ex-companheiro — a vítima planejava ficar na casa de seu filho. O crime foi presenciado pelo pai de Marlei, Abílio Frolick, e pela tia dela.
— Eu não posso acreditar que foi acontecer isso, não é fácil — lamentou Frolick durante preparação para o velório nesta quinta-feira (29), na Capela da funerária Rainha da Paz.
Marlei de Fátima será sepultada na sexta-feira (30), após uma missa, marcada para às 16h, na igreja em Novo Barreiro.
Pedido de medida protetiva foi negado
O caso de Marlei se tornou o 11º feminicídio do Rio Grande do Sul, só em 2026.
A vítima já tinha pedido proteção no início do mês, dia 12 de janeiro, alegando que o ex-companheiro tinha uma arma e havia ameaçado ela de morte. Mesmo com as informações, a medida protetiva foi negada.
Na justificava do indeferimento, o juiz alegou que era um "mero descontentamento" por parte da mulher e que havia uma disputa patrimonial, não sendo competência do juizado de violência doméstica.
Um dia antes do feminicídio, a medida protetiva, solicitando que Waldir Abling saísse da propriedade, foi aprovada pela Justiça.
— Já faz dias que ele (Waldir) me disse: "Ela não escapa, eu mato ela igual, se eu quero matar, eu mato igual" — lembrou o pai da vítima.
Segundo a delegada Cristiane Van Riel, responsável pelo caso, em entrevista à Rádio Gaúcha, a vítima foi atingida dentro do veículo. Pai e tia presenciaram o feminicídio.
Procurado pela RBSTV, o Poder Judiciário do Rio Grande do Sul respondeu que não pode comentar o processo que corre em segredo de justiça.
Os casos de feminicídio de 2026
- 4 de janeiro: Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte, 31 anos, foi morta a facadas pelo namorado em Guaíba, na Região Metropolitana
- 18 de janeiro: Josiane Natel Alves, 32 anos, foi morta a facadas na própria casa. O ex-companheiro foi preso em flagrante.
- 19 de janeiro: Paula Gabriel Torres Pereira, 39 anos, foi morta numa parada de ônibus em Porto Alegre
- 20 de janeiro: Uliana Teresinha Fagundes, 59 anos, foi morta a tiros pelo ex-companheiro em Muitos Capões, na Serra. Ela havia assinado o divórcio pela manhã
- 20 de janeiro: a adolescente Mirella dos Santos da Silva, 15 anos, foi morta em Sapucaia do Sul. O ex-namorado de 25 anos foi preso
- 20 de janeiro: Marinês Teresinha Schneider, 54 anos, foi morta a tiros na própria casa em Santa Rosa, no noroeste do RS. O ex-companheiro de 57 anos está preso.
- 23 de janeiro: Letícia Foster Rodrigues, 37, foi encontrada morta em uma área de mata. Companheiro foi preso preventivamente.
- 24 de janeiro: Karizele Oliveira Senna, 30 anos, foi morta a facadas em Novo Hamburgo, na Região Metropolitana. O principal suspeito é o companheiro da vítima.
- 25 de janeiro: Leila Raquel Camargo Feltrin, 24 anos foi morta a facadas em Tramandaí, no Litoral Norte. O companheiro da vítima foi preso em flagrante.
- 26 de janeiro: Paula Gomes Gonhi, 44 anos, foi morta a facadas em Santa Cruz do Sul, no Vale do Ri Pardo. O companheiro dela está preso.
- 29 de janeiro: Marlei de Fátima Froelick, 53 anos foi morta a facadas em Novo Barreiro, no norte do. O ex-companheiro dela é o principal suspeito.
Como pedir ajuda
Brigada Militar – 190
- Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado.
Polícia Civil
- Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas.
- Em Porto Alegre, a Delegacia da Mulher na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências).
- As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link.
Delegacia Online
- É possível registrar o fato pela Delegacia Online, sem ter que ir até a delegacia, o que também facilita a solicitação de medidas protetivas de urgência.
Central de Atendimento à Mulher 24 Horas – Disque 180
- Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.
Defensoria Pública – Disque 0800-644-5556
- Para orientação quanto aos seus direitos e deveres, a vítima poderá procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a).
Centros de Referência de Atendimento à Mulher
- Espaços de acolhimento/atendimento psicológico e social, orientação e encaminhamento jurídico à mulher em situação de violência.
Ministério Público do Rio Grande do Sul
- O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende o cidadão em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior, com telefones que podem ser encontrados no site da instituição.
- Neste espaço é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Para mais informações clique neste link.