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Maus-tratos

Cão Orelha: Polícia Civil conclui investigação e pede internação de adolescente

Autoria das agressões foi identificada, segundo a polícia, com o auxílio de um software francês, que mapeou a localização do suspeito durante o ataque

04/02/2026 - 09h33min


Júlia Ozorio
Júlia Ozorio
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@floripa_estacomvcorelha / Instagram/Reprodução
Mascote de Florianópolis, cão Orelha foi encontrado dias após desaparecer, com ferimentos graves.

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu nesta terça-feira (3) a investigação sobre a morte do cachorro comunitário Orelha e sobre maus-tratos praticados contra o cachorro Caramelo, ambos na Praia Brava, em Florianópolis.

O inquérito apontou um adolescente como o suposto agressor do Orelha e pediu a internação dele, medida equivalente à prisão no sistema adulto, por maus-tratos. O suspeito é um dos dois adolescentes que havia saído do país após o crime e que foi interceptado no aeroporto, tendo roupas e aparelhos eletrônicos apreendidos

Além dele, outros quatro adolescentes foram identificados como autores da tentativa de afogamento do Caramelo. Três adultos já haviam sido indiciados neste caso por coação contra uma testemunha

"Para chegar ao autor do crime, a Polícia Civil analisou mais de mil horas de filmagens na região, em 14 equipamentos que captaram imagens. Foram 24 testemunhas ouvidas, oito adolescentes suspeitos investigados, além de provas como a roupa utilizada pelo autor do crime, que foi registrada em filmagens", esclareceu a polícia.

Segundo a Polícia Civil, foi possível determinar a autoria das agressões cometidas contra Orelha com o auxílio de um software francês, que indicou a presença do adolescente no local do ataque.

Em depoimento, o adolescente teria afirmado que estava dentro do condomínio no momento do ataque ao cão, mas imagens de monitoramento contradisseram a afirmação.  

As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (Deacle) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA).

Adolescente foi visto deixando condomínio

O cão comunitário Orelha foi atacado na madrugada de 4 de janeiro, por volta das 5h30min, na Praia Brava. De acordo com a investigação, o adolescente apontado como autor das agressões saiu de um condomínio na Praia Brava às 5h25min e retornou às 5h58min, acompanhado de uma amiga. 

A versão apresentada por ele à polícia, de que teria permanecido dentro do condomínio no momento em que o cão foi atacado, foi contradita pelas imagens de videomonitoramento, por testemunhas, pelo controle de acesso da portaria e pela roupa que ele usava no momento do crime.

Roupas apreendidas aparecem em filmagens

O adolescente, que deixou o país dias depois do crime, retornou em 29 de janeiro e foi interceptado no aeroporto. Conforme o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ullisses Gabriel, identificou-se, por meio de monitoramento conjunto com a Polícia Federal (PF), que ele antecipou o voo de retorno ao Brasil.

Em solo brasileiro, mandados de busca e apreensão foram cumpridos ainda no aeroporto internacional de Florianópolis, em uma sala restrita. Roupas e aparelhos eletrônicos foram apreendidos. Além disso, ele foi intimado a depor. 

De acordo com a Polícia Civil, um familiar do adolescente tentou ocultar um boné rosa e um moletom que estavam em posse do adolescente, peças consideradas relevantes para a investigação, pois batiam com aquelas captadas em imagens e descritas por testemunhas.

"O familiar do autor tentou justificar a compra do moletom na viagem, mas o próprio adolescente admitiu que já possuía a peça, que foi utilizada no dia do crime", contextualizou a Polícia Civil. 

Veja o infográfico da Polícia Civil sobre o crime:

Morte do cãozinho Orelha

Orelha tinha 10 anos e era um cão comunitário que vivia na região da Praia Brava, na capital catarinense. Alimentado diariamente e cuidado de forma espontânea pela comunidade, ele circulava livremente pelo bairro e dividia o espaço com outros cães comunitários, que contavam com casinhas improvisadas e atenção de quem vive ou trabalha na região.

Neste mês, ele foi encontrado machucado, agonizando, e morreu durante um atendimento veterinário que buscava reverter o quadro clínico provocado pelas agressões.

A morte do cachorro provocou protestos em todo o Brasil e forte repercussão nas redes sociais.

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