Polícia



Mobilização

Família de agricultor morto em ação da BM cria abaixo-assinado pelo uso de câmeras corporais

A ideia é alcançar 100 mil assinaturas e entregar o documento em mãos ao governador Eduardo Leite

02/02/2026 - 11h22min


Gabriel Veríssimo
Gabriel Veríssimo
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Divulgação/Arquivo pessoal

A família do agricultor Marcos Nörnberg, morto em ação da Brigada Militar em 15 de janeiro, criou um abaixo-assinado pelo uso obrigatório de câmeras corporais pela corporação. O documento foi lançado de forma online neste sábado (31).

Segundo a viúva de Marcos, Raquel Nörnberg, o objetivo é alcançar pelo menos 100 mil assinaturas. A ideia inicial era fechar o abaixo-assinado em 15 de fevereiro, um mês após o ocorrido. No entanto, em razão do feriado de Carnaval, a família optou pelo dia 22 do mesmo mês.

— Vamos coletar as assinaturas até esse dia para entregar em mãos ao governador. Também queremos entregar a todos os pré-candidatos ao governo do Estado. Precisamos que seja um compromisso de campanha — afirma Raquel.

A viúva defende que, se os policiais utilizassem câmeras, a ação teria sido mais prudente. Ela argumenta que a tecnologia protegeria ambas as partes, evitaria abusos e agilizaria as investigações.

— Talvez eles não tivessem se colocado em risco como se colocaram. Poderia ser uma casa com muitos criminosos fortemente armados, e a forma como entraram também poderia ter causado algo contra eles mesmos. Acredito que, se houvesse câmeras de segurança, elas teriam protegido as duas partes e meu marido não teria sido assassinado.

Raquel menciona também a mobilização como uma ação voltada para o futuro.

— Pensando no futuro e nas próximas ações, iniciamos essa batalha para conquistar uma política pública que torne obrigatório o uso de câmeras pela Brigada Militar.

Exames toxicológicos para agentes da Brigada Militar

Outro ponto mencionado no abaixo-assinado é a implementação de exames toxicológicos aleatórios para a Brigada Militar. Raquel afirma que, durante a invasão policial à sua casa, o comportamento dos policiais a levou a acreditar que eles estavam "bêbados e drogados".

— Quando eu li o laudo de necrópsia do meu marido, me chamou a atenção que solicitaram o toxicológico e o exame de álcool. Então, a partir daí, passou a ser uma luta minha que todas as pessoas que hoje, acho que foram 22 depoimentos colhidos, que todas essas pessoas envolvidas no caso também passem por toxicológico — afirma Raquel.

A ideia é que os exames sejam realizados de forma aleatória. A família reconhece a complexidade de aplicar a avaliação a todo o efetivo da corporação, mas defende que a medida seja adotada como uma política de Estado, dependendo de aprovação do governo gaúcho para entrar em vigor.

— Nossa vida está na mão deles, e não só a de pessoas do bem, mas a de criminosos também. Ninguém merece o tratamento que recebemos. As pessoas precisam ser julgadas. Para isso existe uma Constituição — afirma.


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