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Investigação

Imagens mostram suspeito na casa de família três dias após desaparecimento em Cachoeirinha

Silvana Germann de Aguiar e seus pais, Isail e Dalmira, não são vistos desde o final de janeiro. Policial militar Cristiano Domingues Francisco, pai do filho da mulher, é o principal suspeito e está preso temporariamente

18/02/2026 - 11h15min


Madu Brito
Duda Romagna
Duda Romagna
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Eduardo Paganella
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Reprodução/Reprodução
Registro foi feito em 28 de janeiro.

Câmeras de segurança de uma rua de Cachoeirinha, na Região Metropolitana, registraram o principal suspeito do desaparecimento da família Aguiar dentro da casa deles três dias após o sumiço. As imagens, de 28 de janeiro, mostram Cristiano Domingues Francisco, ex-marido de uma das desaparecidas e pai do filho dela, entrando e saindo do local com mochilas.

Moradores vizinhos ao local desconfiaram da movimentação, já que as primeiras informações sobre o desaparecimento já haviam sido divulgadas. Segundo eles, ao ser abordado, Cristiano não soube explicar onde estava a família e disse apenas que Silvana Germann de Aguiar, sua ex-esposa, teria sofrido um acidente em Gramado, motivo pelo qual estaria ajudando os parentes dela. A polícia já confirma que esse acidente nunca aconteceu.

A polícia confirma que possui as imagens e que o suspeito relatou ter ido ao local para buscar ração e alimentos para um gato e um cachorro. Ele teria retornado à residência em outros dias.

Reprodução/Reprodução
À polícia, suspeito relatou ter ido ao local buscar comida para animais.

Relembre o caso

O desaparecimento de Silvana, 48 anos, e de seus pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, mobiliza a Polícia Civil desde o fim de janeiro, desencadeando uma investigação que busca esclarecer as circunstâncias e o paradeiro da família.

O principal suspeito é o ex-marido de Silvana e policial militar, Cristiano Domingues Francisco, que está preso há uma semana. A prisão temporária tem prazo máximo de 30 dias. Em nota, a Brigada Militar informou que Cristiano será afastado do serviço policial. A investigação é acompanhada pela Corregedoria-Geral da corporação.

Silvana é filha única do casal e mora na mesma região deles. Ela se apresenta como vendedora de cosméticos e trabalha com os pais, que são donos de um pequeno mercado que funciona junto à residência da família. Isail Vieira de Aguiar e Dalmira Germann de Aguiar são descritos como queridos e tranquilos pelos parentes e vizinhos. Eles tinham um bom relacionamento com a filha.

Polícia Civil/Divulgação
Silvana e os pais não são vistos desde o final de janeiro.

Linha do tempo:

Antes do sumiço

  • 2 de janeiro: Silvana Germann de Aguiar solicita, em um grupo de mensagens, o contato do Conselho Tutelar.
  • 9 de janeiro: Silvana comparece ao Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal.

O fim de semana dos desaparecimentos

  • 24 de janeiro: Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento.
  • Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro:
    - 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana, e sai oito minutos depois;
    - 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa;
    - 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora.
  • 25 de janeiro: Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada.
    Após saírem da delegacia, Isail e Dalmira não são mais vistos. O mercado da família fechou e não voltou a abrir.
Bruno Todeschini/Agencia RBS
Mercado da família está fechado desde então.

Início das investigações

  • 27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos.
  • 28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações.
  • 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal.
  • 3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos.
  • 4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate.

Perícias e prisão

  • 5 de fevereiro: A perícia coleta material na casa de Silvana, encontrando vestígios de sangue no banheiro e na área externa.
  • 7 de fevereiro: O celular de Silvana é localizado após denúncia anônima, escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo à casa dos pais.
  • 9 de fevereiro: Reunião de autoridades confirma que o cartucho encontrado na casa dos idosos é de festim (munição não letal).
  • 10 de fevereiro: Cristiano Domingues Francisco é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita. A polícia revela a existência de áudios nos quais ele estaria tentando interferir na investigação.
    - Familiares e amigos realizam um protesto e caminhada em Cachoeirinha pedindo solução para o caso.
    - O filho de Silvana é encaminhado para a casa dos avós paternos.
  • 13 de fevereiro: É divulgado que o suspeito e sua atual companheira se recusaram a fornecer as senhas de seus aparelhos.
  • 14 de fevereiro: O desaparecimento da família Aguiar completa três semanas.

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